Primeiro dia de tréguas no Sudão marcado por combates e bombardeamentos

Agência Lusa , BC
4 mai 2023, 08:32
Cartum, no Sudão (Foto: Marwan Ali/AP)

Trégua de uma semana foi acordada pelas partes em conflito, após mediação do Sudão do Sul

O exército sudanês denunciou que as suas unidades entraram esta quinta-feira em confronto com o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) em Cartum, no primeiro dia de uma trégua de uma semana patrocinada pelo Sudão do Sul.

"As nossas forças entraram hoje de madrugada em confronto com os rebeldes que tentaram atacar o comando da Região Militar do Norte de Cartum", afirmaram as forças armadas num comunicado, acrescentando que houve mortos e feridos nas fileiras das RSF, sem dar mais pormenores.

Em resposta aos ataques, o exército avisou os cidadãos da capital para "se afastarem dos locais dos confrontos".

Moradores de Cartum disseram à agência de notícias EFE que este é o "combate mais pesado" desde o início das hostilidades, pois ouviram fortes explosões no Palácio da República e no comando geral do exército no centro de Cartum, além de combates nas ruas da área militar de Cartum Norte.

Por seu lado, os paramilitares afirmaram em comunicado que o exército violou a trégua humanitária ao atacar as suas "unidades e bairros residenciais com artilharia indiscriminada e bombardeamentos aéreos".

"As Forças de Apoio Rápido condenam as ações irresponsáveis dos líderes das forças golpistas e dos extremistas remanescentes do regime defunto ao violarem as tréguas humanitárias declaradas e ao atacarem as nossas forças", afirmaram os paramilitares numa nota publicada na sua conta oficial da rede social Twitter.

Os novos combates e bombardeamentos ocorrem poucas horas depois de ter entrado em vigor a mais longa pausa humanitária acordada pelas duas partes desde o início do conflito no país, em 15 de abril, anunciada há dois dias pelo Sudão do Sul, principal mediador do conflito.

Esta trégua tem por objetivo permitir a entrada de ajuda no Sudão, que vive uma catástrofe humanitária segundo a ONU, e a fuga de estrangeiros e cidadãos que ainda se encontram no meio do fogo cruzado.

O Governo sul-sudanês indicou igualmente que os dois líderes beligerantes, o chefe do exército, Abdelfatah al Burhan, e o comandante das RSF, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido por "Hemedti", deveriam aproveitar esta semana para nomear os porta-vozes das delegações para as conversações de paz acordadas.

De acordo com a ONU, cerca de 100 mil pessoas já se deslocaram para os países vizinhos devido ao conflito, que causou pelo menos 550 mortos, sendo o Chade e o Egito os países que acolheram mais sudaneses.

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