Factos e argumentos: ficar em segundo ou em terceiro é igual para o Sporting?

16 jan, 10:42
Benfica-Sporting (JOSE SENA GOULAO/LUSA)

Ruben Amorim disse-o depois do dérbi com o Benfica. Ficar em segundo ou em terceiro significa perder o título, sim, mas as diferenças podem ser de milhões de euros

«FACTOS E ARGUMENTOS» é um espaço do Maisfutebol destinado a cruzar declarações ou teses com números e dados irrefutáveis. Por vezes, a alta velocidade do dia-a-dia condiciona a avaliação criteriosa do que é dito, sem o imperioso contraditório.

«Estamos cada vez mais longe dos lugares da Liga dos Campeões, porque ficar em segundo ou em terceiro, com todo o respeito, é a mesma coisa, porque ambicionamos ficar em primeiro e depois é que entram os objetivos secundários, que é ir à Liga dos Campeões.»

Na conferência de imprensa após o dérbi, Ruben Amorim deixou claro que, apesar da classificação atual do Sporting na Liga (4.º lugar), o objetivo número 1 dos leões é a conquista do título nacional e que, por isso, se esse objetivo falhar, ficar num dos outros lugares dos pódio acaba por não ser relevante.

No entanto, na mesma conferência, o treinador do Sporting vincou também a importância de a equipa se apurar para a Liga dos Campeões para ter capacidade para lutar pelo primeiro lugar e é por isso que ficar em segundo ou em terceiro na Liga tem diferentes implicações.

É que o segundo classificado do campeonato apura-se, tal como o primeiro, diretamente para a fase de grupos da Liga dos Campeões, enquanto o terceiro - face ao sexto lugar de Portugal no coeficiente de países da UEFA no final de 2021/22, que atribui o número (e a forma) de slots de cada país para as três competições europeias para 2023/24 - tem de disputar uma 3.ª pré-eliminatória e um play-off antes de aceder à fase de grupos e ter, aí sim, a garantia da entrada de muitos milhões de euros nos cofres.

Por exemplo, o segundo lugar do Sporting na temporada passada permitiu aos leões contarem logo para esta época com um encaixe financeiro de 15,64 milhões de euros aos quais acresceram mais €12,5M provenientes das várias parcelas parcelas (de 1,137 milhões de euros) atribuídas em função do posicionamento entre as 32 equipas participantes no ranking a dez anos: ao todo, 28,14 milhões de euros, que permitiram à direção de Frederico Varandas planear 2022/23 com outra segurança, não obstante a saída de Matheus Nunes em cima do fecho do mercado.

Já o Benfica, por exemplo, só pôde contar com um encaixe de 38,380 milhões de euros a 23 de agosto, sensivelmente uma semana antes do fecho do mercado. Caso caíssem diretamente do play-off de acesso à Champions para a fase de grupos da Liga Europa, os encarnados receberiam apenas 5 milhões de euros, cenário que poderia obrigar a correções de última hora no plantel. Pelo contrário, um dia depois, Aursnes - que até já estava em Lisboa e assistiu na Luz à vitória sobre o Dínamo Kiev, que formalizou a passagem à fase de grupos da Liga dos Campeões - foi oficializado como reforço do Benfica a troco de 13 milhões de euros (+ €2M em objetivos) pagos ao Feyenoord.

O segundo lugar na Liga não é só garantia certa da entrada de muitos milhões de euros nos cofres, como dá condições para uma planificação mais atempada da época seguinte, sabendo com quanto dinheiro se conta.

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