ONU: pelo menos 730 crianças morreram de fome na Somália desde janeiro

Agência Lusa , FMC
6 set, 14:34
Casamento em Mogadíscio

A responsável do Unicef para a Somália apelou à ação da comunidade internacional "precisamos urgentemente que os doadores se cheguem à frente e financiem um plano de resposta da ONU para a Somália"

Pelo menos 730 crianças morreram de má nutrição na Somália desde janeiro, e os números podem aumentar nos próximos meses, quando o centro e sul do país entrar em situação de fome, alertou o Unicef.

"Um milhão e meio de crianças, quase metade de todas as crianças com menos de 5 anos, podem sofrer de má nutrição aguda, e entre eles 385 mil necessitarão de ser ajudados", alertou a responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a Somália, Wafaa Saeed, salientando que "os números são inéditos".

Citada pela agência espanhola de notícias, a Efe, Saeed acrescentou que a Somália sofre a terceira seca em apenas uma década, depois de em 2011 terem morrido 260 mil pessoas, na sua maioria crianças, e a atual, com quatro estações consecutivas sem chuvas, pode ser ainda pior, de acordo com a ONU.

A responsável do Unicef alertou que, neste país do leste africano, que faz fronteira com Quénia, Etiópia e Djibuti, 4,5 milhões de pessoas necessitam urgentemente de água, numa altura em que os preços deste bem básico aumentaram entre 55 e 85% desde o princípio do ano.

Também houve um aumento dos surtos de cólera, sarampo e diarreia aguda, tudo causado pela crise alimentar e pela falta de água, apontou a líder do Unicef no país, defendendo que a comunidade internacional tem de ajudar.

"Precisamos urgentemente que os doadores se cheguem à frente e financiem um plano de resposta da ONU para a Somália", já que até julho, apenas menos de um terço dos mil milhões de dólares solicitados foi efetivamente dado.

A ausência de chuvas é o mais recente problema que o país enfrenta, depois de ter passado por décadas de conflito, deslocações massivas da população e, mais recentemente, a forte subida dos preços dos cereais e de outros alimentos básicos, em parte devido à guerra na Ucrânia.

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