Mais de 600 mil pessoas assinam petição para retirar condecoração a Tony Blair

Agência Lusa
4 jan, 17:14
Tony Blair visita as tropas britânicas no Iraque
Tony Blair visita as tropas britânicas no Iraque

Em causa, alegam, está a intervenção do antigo primeiro-ministro britânico na invasão do Iraque em 2003

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Mais de 600.000 pessoas assinaram até esta terça-feira uma petição para que uma condecoração atribuída pela Rainha Isabel II ao antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair seja retirada devido à sua intervenção na invasão do Iraque em 2003.

A Rainha agraciou Blair, que foi primeiro-ministro entre 1997 e 2007, com o título de 'Sir' e o grau de Cavaleiro ('Knight Companion') da Ordem de Garter, a mais antiga e mais elevada ordem honorífica de britânica, na lista anual de condecorações por ocasião do Ano Novo.

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O promotor da petição, Angus Scott, argumenta que Blair é a pessoa "menos merecedora de uma homenagem pública, particularmente aquela concedida por Sua Majestade a Rainha", devido "aos danos irreparáveis que causou à Constituição do Reino Unido e às fundações da sociedade".

Scott acusa o antigo líder do Partido Trabalhista de ter sido "pessoalmente responsável pela morte de inúmeras vítimas civis e militares inocentes em diversos conflitos" e, portanto, deve ser processado por "crimes de guerra".

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A petição no portal Change.org, pede ao atual primeiro-ministro britânico, o Conservador Boris Johnson, que interceda junto de Isabel II para retirar o título.

No entanto, a secretária de Estado responsável pela vacinação contra a covid-19, Maggie Throup, defendeu hoje que Blair "fez muitas coisas boas" durante o seu mandato, enquanto o atual líder Trabalhista, Keir Starmer, defendeu que Blair "ganhou" o reconhecimento.

A distinção foi atribuída a todos os antecessores, mas demorou 14 anos a ser concedida a Blair. 

Ao contrário de outras condecorações, esta é feita diretamente pela rainha, e não por recomendação do Governo. 

Na mesma lista de Blair, o Palácio de Buckingham anunciou três nomeações para a ordem criada em 1348, sendo as outras duas a da esposa do príncipe Carlos, Camilla, e a da antiga líder da Câmara dos Lordes, Valerie Amos, a primeira pessoa negra a ser reconhecida.

De acordo com o Palácio, a Ordem passa assim a ter 21 Cavaleiros “companheiros" de um máximo de 24.

Paralelamente, o Governo divulgou a lista de outras pessoas também condecoradas por contribuições nas áreas desportivas, científicas ou culturais, como a tenista Emma Raducanu, o ator Daniel Craig e vários cientistas britânicos envolvidos no combate à pandemia de covid-19.

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