"Nunca aconteceu nada assim" no Japão. Tudo o que se sabe sobre o ataque a Shinzo Abe

8 jul, 14:27

O ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe foi assassinado a tiro esta sexta-feira na cidade de Nara. Uma morte que chocou líderes mundiais e indignou o govern de um país onde a violência política é rara

O ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, morreu esta sexta-feira, horas depois de ter sido baleado durante um discurso eleitoral numa rua da cidade de Nara, chocando um país onde a violência política é rara e as armas são rigidamente controladas.

De acordo com a imprensa japonesa, o suspeito, Yamagami Tetsuya, abriu fogo contra o político de 67 anos, atingido-o pelas costas, com uma  arma aparentemente caseira.

O hospital declarou a morte do ex-primeiro-ministro às 17:03, (09:03, na hora de Portugal Continental) - cerca de cinco horas e meia depois de ter sido baleado. O porta-voz do hospital para onde Shinzo Abe foi transportado detalhou, em conferência de imprensa, que o ex-governante não apresentava sinais vitais quando chegou e que "sangrou até a morte" na sequência dois ferimentos profundos, um deles no lado direito do pescoço.

"Ele estava a sangrar bastante devido a uma bala que o perfurou de tal forma até chegar ao coração. Infelizmente não o conseguimos salvar", afirmou o médico.

Líderes mundiais em "choque"

Ainda antes do anúncio da morte de Abe, o atual primeiro-ministro, Fumio Kishida, condenou o tiroteio nos "termos mais fortes" enquanto o povo japonês e os líderes mundiais expressaram "choque". Marcelo Rebelo de Sousa foi um deles.

"Este ataque é um ato de brutalidade que aconteceu durante da eleições - o próprio fundamento da nossa democracia - e é absolutamente imperdoável", disse Kishida, enquanto lutava para conter a emoção.

Estas declarações ocorreram numa altura em que um oficial do corpo de bombeiros avançou que Abe parecia estar em paragem cardiorrespiratória quando foi transportado de helicóptero para o hospital.

O momento do ataque

Paralelamente, a polícia japonesa avançava que deteve um homem de 41 anos, suspeito do tiroteio. Segundo a NHK, trata-se de Tetsuya Yamagami, um homem de 41 anos desempregado e ex-militar, que disse à polícia que estava insatisfeito com Shinzo Abe e que queria matá-lo.  

O político discursava do lado de fora de uma estação de comboios quando dois tiros soaram, por volta das 11:30 locais (03:30 em Portugal Continental). Um repórter do jornal Yomiuri Shimbun disse que, após ouvir o som de um disparo, o ex-primeiro-ministro caiu no chão inconsciente. De acordo com a imprensa local, foram vistos elementos de segurança a atacar um homem de camisola cinzenta e calças bege.

Tetsuya Yamagami intercetado por elementos da segurança privada

"Houve um grande estrondo e depois fumo", disse o empresário Makoto Ichikawa, que estava no local, à Reuters, acrescentando que a arma era do tamanho de uma câmara de televisão. "No primeiro tiro, ninguém sabia o que estava a acontecer, mas depois, no segundo tiro, o que parecia ser um polícia especial atacou-o".

A agência de notícias Kyodo publicou uma fotografia de Shinzo Abe deitado na rua, com sangue na camisa branca, e rodeado por várias pessoas, que lhe administravam manobras de reanimação.

Os serviços de emergência da cidade detalharam que político ficou ferido no lado direito do pescoço e clavícula esquerda. O irmão, o ministro da Defesa do Japão, disse que Abe estava a receber transfusões de sangue.

Um tiroteio sem precedentes 

Airo Hino, professor de ciência política da Universidade Waseda, disse à Reuters este era um tiroteio sem precedentes no Japão. "Nunca aconteceu nada assim", afirmou.

Políticos japoneses de alto escalão são acompanhados por agentes de segurança, mas muitas vezes aproximam-se do público, especialmente durante as campanhas políticas quando fazem discursos na estrada e para cumprimentar os transeuntes.

Abe cumpriu dois mandatos como primeiro-ministro, deixando o cargo em 2020 por causa de problemas de saúde. Mas o político permaneceu uma presença dominante sobre o Partido Liberal Democrático (LDP), controlando uma das suas principais fações.

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