A febre do caracol está a matar mulheres em África

MM
17 jun, 14:43
Caracóis (picture alliance/ Getty)

Organização Mundial da Saúde estima que 56 milhões de mulheres e meninas estejam infetadas em toda a África subsaariana com um parasita largado nas águas por caracóis e que depois procura abrigo no útero humano

Chama-se esquistossomose genital feminina (FGS, da sigla em inglês), mas é mais conhecida como “bilhárzia” ou “febre do caracol” e está a emergir na região da África subsariana, matando sobretudo mulheres. De acordo com o jornal britânico “The Telegraph”, trata-se de uma doença provocada por um parasita que é largado na água por caracóis de água doce e que depois “procura um hospedeiro humano e se entranha na corrente sanguínea, com consequências potencialmente fatais”.

É na região do rio Kafue, na Zâmbia, que a situação é mais dramática. Depois de se entranharem na pele, os parasitas entram na corrente sanguínea. De acordo com o “The Telegraph”, os parasitas entram no útero, colocando ovos, acabando por bloquear as trompas de falópio, com consequências que passam pela infertilidade, gravidez ectópica ou mesmo a morte. O parasita provoca lesões que aumentam em quatro vezes o risco de contrair HIV e aumentam também o risco de cancro do colo do útero ou da bexiga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em toda a África subsaariana, haja 56 milhões de mulheres e meninas infetadas pelo parasita. A febre do caracol afeta sobretudo mulheres, mas não só. De acordo com o jornal britânico, “em todo o mundo e em ambos os sexos a doença causa 280 mil mortes por ano e tem uma carga de 3,3 milhões de anos perdidos devido a problemas de saúde, deficiência ou morte precoce”.

A doença tem tratamento e até prevenção. Em algumas regiões da Zâmbia, país onde a febre do caracol tem tido uma progressão muito acentuada, os adolescentes recebem um tratamento preventivo anual. Seguindo recomendações da OMS, é-lhes administrado praziquantel, um medicamento usado para tratar infeções por vermes e parasitas.

As crianças são, aliás um público vulnerável, que contraem frequentemente a doença. “O facto de haver um programa preventivo para crianças em idade escolar sinaliza que a situação não é boa”, afirmou Precious Kaubula, líder técnico da OMS na Zâmbia, citado pelo “The Telegraph”.

Além de ser tratável, a erradicação da doença é possível e foi já conseguida em países como o Japão e a Tunísia. Brasil, Marrocos, Egito e ilhas das Caraíbas também estão no bom caminho. O segredo para travar a disseminação da doença é, de acordo com especialistas citados pelo jornal britânico, investir no controlo dos caracóis, melhorar o acesso a água potável e continuar a fornecer quimioterapia preventiva para crianças em idade escolar.

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