Ventura só viabiliza Governo do PSD se fizer parte, mas Rio não quer ir para o poder com um parceiro "instável"

3 jan, 22:04

Rui Rio põe o ónus no Chega: os sociais-democratas vão apresentar um programa de Governo. E logo André Ventura decide se o viabiliza ou se deixa António Costa continuar no poder. Já Ventura deixa o caderno de encargos em cima da mesa: só há Governo de Rio com ministros do Chega

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O debate poderia separar o trigo do joio à direita. Mas, 25 minutos depois, os grãos continuam bem misturados. É que nem Rui Rio nem André Ventura disseram, às claras, como poderá erguer-se um governo de direita. Ambos querem tirar António Costa do poder, sim, mas só juntaram mais condições a um eventual acordo.

O braço-de-ferro entre o PSD e o Chega promete arrastar-se para lá da noite das eleições. Por agora, para o líder social-democrata, “é impossível ter uma coligação com o Chega” e as suas posições extremas. E que o diga a experiência de geringonça à direita nos Açores, em que Rio assentou para partir ao ataque:

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“O Chega é um partido instável. Não posso fazer uma união com um partido que é instável”.

Mas está completamente fechada a porta do diálogo? Para Rio, parece que não. E tudo fica a depender dos votos do adversário. Em última instância, o Chega poderá ter a palavra final: “Apresento o meu programa [de Governo]. O que o Chega tem de fazer é confrontar o programa do PSD com o programa do PS e ver qual quer derrotar”, atirou.

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Mas é, perante este cenário, que André Ventura bate o pé. Luz verde a um governo do PSD só com presença do Chega, para avançar com medidas de que o partido não abdica - como o fim dos abusos nos subsídios ou a pena de prisão perpétua para pedófilos.

“O Chega só aceita um governo de direita em que possa fazer essas transformações. Isso implica uma presença nesse Governo”, resumiu.

Vídeo: Rui Rio não quer casar com o Chega, André Ventura não quer segurar a vela a um governo PSD. O debate em três minutos

O jogo do gato e do rato

E é então que se vinca o jogo do gato e do rato à direita. Rio lembra que há “divergências de fundo”, Ventura quer saber quais. Rio diz que não está disposto a “ir para o poder a qualquer preço”, Ventura reage que os eleitores do Chega não votam no partido para ser “muleta do PSD”.

Se as sondagens tiverem razão, e o Chega for a terceira força política, Rio lá admite que terá a vida mais complicada se quiser ser primeiro-ministro. Na prática, está nas mãos do Chega, mas sem margem para grandes carícias. É que “a negociação não pode chegar nunca, mas nunca, a uma coligação em que haja ministros do Chega”, insistiu.

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“Isto não é o programa ‘Quem quer casar com o agricultor?', é um programa para formar um governo”, insiste Ventura, perante a importância do que há por decidir.

Sem rodeios, o líder do Chega mostrou-se pronto para dialogar logo a 31 de janeiro e apresentar condições e cedências. E avisou o oponente: se não tiver o Chega, “mete-se nos braços do Partido Socialista”.

“Divergências de fundo” e Rio na sombra de Costa

“Neste momento, face ao historial, não” há margem para um acordo com o Chega, concretizou Rui Rio. No programa do Chega, disse, encontrou “coisas graves” e “divergências de fundo”.

Ventura questionou se essas divisões eram na prisão perpétua para pedófilos, na redução de deputados, na dependência de subsídios da comunidade cigana ou nas restrições a cargos por titulares de cargos públicos. “Gostava que nos dissesse onde é que o Chega é tão radical”, desafiou.

O presidente do PSD lá foi vincando as diferenças, apelando à moderação nos mais variados temas. Mas os pedidos de contenção não impediram os ataques ao adversário, mesmo que brandos. Tal como já tinha dito na entrevista exclusiva à CNN Portugal, insistiu que não quer o eleitorado do Chega. “Quem quer roubar eleitorado do PSD é o Chega”, atirou.

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Já Ventura foi aproveitando o debate, sempre que possível, para a colherada favorita: colocar Rui Rio como um apêndice dos socialistas.

“Este homem não quer ser líder da oposição. Quer ser vice-primeiro-ministro de António Costa. Eu quero ser alternativa”, afirmou.

O presidente do partido mais à direita no espetro político lembrou mesmo que o PSD votou “mais de metade das vezes ao lado do PS”, inclusive no Orçamento do Estado suplementar de 2020 que ditou uma nova injeção na TAP, superior à verba prevista para o Serviço Nacional de Saúde em ano de pandemia.

“Aprovei e voltava a aprovar. Era suplementar por causa da pandemia. Em tempo de pandemia, cooperei com o Governo. Durante uma calamidade como a pandemia, a minha obrigação é colaborar”, justificou-se Rio.

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