PSD Madeira: Militantes impedidos de regularizar pagamento de quotas e Manuel António denuncia “processo estruturado para barrar” candidatura

2 mar, 17:01
Manuel António Correia (fonte: PSD Madeira)

Manuel António poderá ter a candidatura em risco. Caso isso se verifique, os apoiantes do ex-secretário regional do Ambiente não têm dúvidas: “É um golpe de secretaria!”

Não foi por acaso que a candidatura de Manuel António surgiu - preparada em tempo recorde, como a CNN Portugal noticiou - para não permitir que Miguel Albuquerque fosse a votos sozinho, com garantias de reeleição. Mal o ex-governante confirmou o seu regresso à política ativa, os grupos concelhios de militantes no WhatsApp entraram em ebulição: várias conversas - a que a CNN Portugal teve acesso - davam conta de militantes, até então em silêncio, a expressarem o seu apoio ao candidato, que agora desafia a atual direção do partido. Um deles, para justificar o apoio a Manuel António, escrevia: “Não quero estar filiado num partido onde predomina o medo”.

A verdade é que o descontentamento nas fileiras do PSD Madeira já era uma realidade, mesmo antes de a megaoperação da PJ ter despontado uma crise política de maior proporção, e os relatos de pressões junto de militantes também.

Aliás, a denúncia parte do próprio agora candidato à liderança do PSD Madeira. No vídeo de apresentação da sua candidatura, Manuel António Correia é contundente: “O processo eleitoral foi estruturado para me condicionar e barrar, assim como o comportamento junto das bases de alguns dos principais dirigentes do partido.”, refere o advogado, de 59 anos.

O mesmo entendimento tem o histórico líder social-democrata na Madeira. Na rede social X, Alberto João Jardim, declarou apoio a Manuel António e elogiou-lhe a coragem, “apesar de o partido estar minado e controlado, por dentro, por interesses pessoais!”, rematando.

A verdade é que essas alegadas manobras de condicionamento estarão ainda em curso, com o objetivo de invalidar administrativamente a candidatura, denunciam vários militantes. Os estatutos do partido obrigam todos os militantes subscritores de uma candidatura a terem as quotas dos últimos três anos regularizadas - coisa que podem fazer até ao dia 8 de março -, através de uma referência de pagamento emitida pelos serviços do partido. Referências essas cuja emissão, ao que apurámos, pelo menos até ao final desta sexta-feira, estava a ser recusada.

“Até à hora de almoço de quarta-feira [dia 28, data em que Albuquerque formalizou a candidatura], não tivemos qualquer problema ao ligar para os serviços e pedir a emissão das referência de pagamentos. Bastava dar o nome completo e a freguesia. Era só isto. A partir dessa hora, nunca mais atenderam o telefone.”, conta à CNN Portugal um militante do partido, que ainda não conseguiu regularizar as quotas.

O mesmo foi denunciado pela ex-deputada regional social-democrata, Sara André, nas redes sociais, logo ao início dessa tarde: “Ninguém atende e há militantes de vários pontos da ilha a quererem obter as suas referências para pagamento de quotas. Caso contrário, as suas subscrições não contam. Alguém pode fazer o favor de ligar para alguém para resolver esta questão?”.

A CNN Portugal também tentou contactar os serviços administrativos do PSD Madeira, através do 291 208 500, contacto oficial disponibilizado na página do partido, mas ninguém atendeu.

A verdade é que se o alegado bloqueio se mantiver, Manuel António poderá ter a candidatura em risco, por não cumprir os pressupostos formais. Caso isso se verifique, os apoiantes do ex-secretário regional do Ambiente não têm dúvidas: “É um golpe de secretaria!”, reage com exaltação um notável do PSD Madeira, contactado pela CNN Portugal.

Outra das queixas que se ouvem no seio dos sociais-democratas madeirenses é relativa à diferença de tratamento que as estruturas de comunicação e informação do partido estarão a ter para com os dois candidatos. Nas redes sociais - em particular no Instagram do PSD Madeira - até à manhã deste sábado, parecia haver um só candidato à presidência do partido. A equipa de Manuel António pediu aos gestores de redes sociais do partido para ser partilhada uma fotografia do momento da formalização da candidatura, com base no princípio do tratamento igual entre candidatos (tal como já tinha sido feito com a candidatura de Miguel Albuquerque), mas ao contrário do que sucedeu com o atual presidente do governo regional, Manuel António teve de esperar dois dias e só após insistência é que os conteúdos foram partilhados.

Fomos confirmar: de facto, entre uma dezena de posts relacionados com as legislativas de 10 de março, onde Miguel Albuquerque surge destacado, há apenas uma publicação a dar nota da entrega da formalização da candidatura de Manuel António, que aconteceu ao final da manhã desta quinta-feira.

As diretas do PSD Madeira estão marcadas para o dia 21 de março. Três dias depois, finda-se o período antes do qual o Presidente da República não pode dissolver a Assembleia Legislativa Regional.

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