Putin assina decreto a reconhecer Kherson e Zaporizhzhia como territórios independentes

29 set, 23:13
Discurso de Putin. Sefa Karacan/Anadolu Agency via Getty Images

Porta-voz presidencial já tinha dito que "haverá mudanças cruciais nestes territórios". Reconhecimento da independência permite aos legisladores russos incorporarem regiões ocupadas no território russo

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou esta quinta-feira um decreto onde reconhece formalmente as províncias militarmente ocupadas de Kherson e de Zaporizhzhia como independentes, avança a agência Reuters.

Este procedimento acontece dias depois dos referendos ilegais organizados pelas autoridades russas, realizados entre 23 e 27 de setembro, nestas regiões ocupadas militarmente nos primeiros dias da invasão russa.

Os especialistas alertam que este é um mero procedimento formal, que permite aos legisladores russos incorporarem estes territórios no território russo enquanto "estados independentes" e não como parte do território soberano ucraniano, à semelhança do que aconteceu com as províncias de Lugansk e Donetsk, na região do Donbass.

Esta quinta-feira, o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov já tinha anunciado que nesses territórios, “haverá mudanças cruciais dos pontos de vista legal e do direito internacional e todas as respetivas consequências [das medidas tomadas] para garantir a segurança”.

E de manhã, o ex-primeiro-ministro e antigo Presidente Dmitry Medvedev levantou a possibilidade de a Rússia aplicar a doutrina de dissuasão nuclear nos territórios. Tais ataques estarão previstos no caso de um ataque nuclear contra a Rússia ou uma ameaça contra o Estado.

"As forças armadas russas fortalecerão significativamente a defesa de todos os territórios [ucranianos] ligados" à Rússia, disse Medvedev na rede social Telegram. O reforço desta defesa, segundo Medvedev, passará pelas "possibilidades oferecidas pela mobilização" em curso na Rússia, mas também pelo uso de "todas as armas russas, incluindo as estratégicas e as baseadas em novos princípios".

"A Rússia tem o direito de usar armas atómicas, se necessário, em casos pré-definidos, em estrita conformidade com os princípios da política governamental de dissuasão nuclear", sustentou Medvedev.

Questionado sobre esse ponto, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou que as declarações de Medvedev se referem à "doutrina militar" da Rússia e recomendou a todos "que se lembrem" dos princípios dessa doutrina.

Europa

Mais Europa

Patrocinados