Jerónimo de Sousa: "O Partido Socialista não queria soluções, queria eleições"

4 dez 2021, 22:23

Em entrevista à CNN Portugal, o secretário-geral do PCP garante que o partido nunca vai abdicar das suas posições para ter melhores resultados eleitorais. Jerónimo não comenta a saída de Eduardo Cabrita do Governo e também não revela quando tenciona deixar a liderança do partido: "Um dia destes sairei"

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Jerónimo de Sousa considera que, ao chumbar o Orçamento de Estado, o Partido Comunista Português fez o que era o melhor para os portugueses. E isso é mais importante do que os resultados que possam a vir a ter nas próximas eleições legislativas:

"Nós continuamos a considerar que é indispensável o papel da luta dos trabalhadores, independentemente da ação do governo. Aquilo que aconteceu foi que o Partido Socialista não queria soluções, queria eleições", disse o secretário-geral do PCP em entrevista à CNN Portugal.

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"Chegou um momento em que os problemas se avolumaram", disse, e atingiu-se as "linhas vermelhas" em temas como o serviço nacional de saúde, os salários, os direitos dos trabalhadores (caducidade da contratação coletiva)": "Percebeu-se que o Partido Socialista não quis ir mais longe e poderia ter ido", diz o secretário-geral do PCP.

O PCP pode não ter os resultados eleitorais que Jerónimo de Sousa desejaria mas isso não diminui a sua importância: "Nós registamos com muita força, em primeiro lugar, o papel importantíssimo que o PCP teve para ser encontrada uma solução política de um governo minoritário do PS".

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E depois também o facto de "todos os avanços de conquistas e direitos" terem a "marca indelével" do PCP. A saber: "manuais escolares, transportes com preços reduzidos, creches para as crianças, proteção social para desempregados, layoff em plena pandemia evitando o corte de um terço dos salários dos trabalhadores, tudo isso tem a marca do Partido Comunista Português".

Por isso, Jerónimo defende que o PCP "tem uma influencia social muito para além da sua influência eleitoral" e, "independentemente das leituras políticas", fica contente porque o seu partido "foi capaz de dar propostas construtivas para a melhoria da vida dos trabalhadores".

"A extrema-direita só cresce quando não se resolvem os problemas das pessoas"

"Não sou capaz de suportar a ideia de soçobrar perante um governo de direita", diz. Se isso acontecesse, o PCP não seria o PCP, "seria outra coisa". "Mas não, o PCP manteve a sua autonomia e tem um compromisso primeiro e principal com os trabalhadores e com o povo."

Sobre as eleições que se aproximam, Jerónimo afirma: "Vamos batalhar por ter um bom resultado, mas nenhum resultado determina esta posição que temos na sociedade portuguesa".

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E quando questionado se está preocupado com o avanço da extrema-direita em Portugal, responde: "A mim preocupa-me fundamentalmente é a não resolução dos problemas que o pais tem. A extrema-direita só cresce quando não se resolvem os problemas, que têm a ver com a vida de quem trabalha, a falta de habitação, problemas sociais gravíssimos. Se não houver resposta cabal a esses problemas, então vemos a extrema-direita crescer."

Mudança de um ministro não muda a política do Governo

Sobre a demissão do ministro da Administração Interna, Jerónimo de Sousa diz apenas que "a decisão agora anunciada por Eduardo Cabrita é inseparável de um acumular de situações de natureza diversa que envolveram o seu mandato".

E sublinha que "as demissões não alteram no essencial a razão da crítica à política do Governo, com ou sem saídas. A mudança deste ou daquele ministro não altera a política de um governo".

"Um dia destes sairei"

Jerónimo de Sousa tem 74 anos e há 17 que ocupa a cadeira de figura central do Partido Comunista Português. É também o deputado mais antigo no Parlamento e o único que resiste dos tempos da Assembleia Constituinte. Este é um lugar que provavelmente vai continuar a ocupar, uma vez que volta a ser candidato como cabeça de lista pelo distrito de Lisboa.

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Quando pensa abandonar a liderança do partido? Jerónimo sorri: "Um dia destes sairei, essa é uma garantia que lhe dou".

E à pergunta sobre a sua eventual substituição e a hipótese de preparar a transição, por exemplo para João Ferreira, responde: "Que bom que é saber que existe um conjunto de jovens dirigentes com grandes responsabilidades no meu partido que estão em condições de assumir as mais altas responsabilidades. É um descanso ver o partido revitalizado com estas juventudes".

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