Salah Abdeslam condenado a perpétua sem possibilidade de recurso pelos atentados de Paris em 2015. Há mais 19 condenados

Beatriz Céu , (atualizado com Lusa às 23:00)
29 jun, 19:57
Salah Abdeslam em tribunal

Neste processo, o mais longo de sempre em França, foram ouvidas 1.800 testemunhas, tendo sido mobilizados 330 advogados

Os 20 suspeitos dos atentados terroristas em Paris, em novembro de 2015, foram considerados culpados de envolvimento no ataque. Salah Abdeslam, de 32 anos, é único membro sobrevivente do grupo.

O julgamento dos atentados na sala de espetáculos Bataclan, no Stade de France e em esplanadas em Paris, que provocaram 130 vítimas mortais e mais de 4.000 feridos, prolongou-se ao longo dos últimos nove meses, numa sala especial e com a presença do único terrorista vivo que participou diretamente nos atentados.

Salah Abdeslam, que ajudou a preparar os ataques, depois reivindicados pelo Daesh, foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de recurso - a pena mais alta prevista no código penal francês. Todos os restantes condenados foram considerados culpados de terrorismo, exceto Farid Kharkhach, que foi considerado culpado pelo crime de fraude.

Mohamed Abrini, o “homem do chapéu” dos ataques de Bruxelas, que acusado de ter fornecido apoio logístico em 13 de novembro de 2015, foi condenando a prisão perpétua.

Osama Krayem e Sofien Ayari, cuja acusação havia demonstrado a “certeza” de que realizariam um ataque no aeroporto de Amesterdão no mesmo dia dos atentados de Paris, foram condenados a 30 anos de prisão.

Considerado pela Procuradoria Nacional Antiterrorista como o “homem confiança” da logística da célula, Mohamed Bakkali também foi condenado a 30 anos de prisão.

Seis réus foram julgados à revelia, incluindo cinco altos funcionários do Estado Islâmico (EI), presumivelmente mortos, incluindo o alegado patrocinador dos ataques, o belga Oussama Atar.

As penas variam de dois anos a prisão perpétua e três arguidos foram condenados a penas de prisão suspensas, não regressando à cadeia.

Os familiares das vítimas e testemunhas dos ataques viveram os últimos meses agarrados à esperança de se fazer justiça. "Foram uns longos nove meses, mas penso que podemos estar orgulhosos pelo que conquistámos", disse Arthur Denoveaux, um dos sobreviventes do ataque no Bataclan, onde morreram 90 pessoas naquela noite de 13 de novembro.

No início do julgamento, em novembro do ano passado, Abdeslam indicou como profissão um "combatente do Daesh". Mas nas últimas semanas, nos momentos finais do julgamento, pediu perdão e disse que ter largado deliberadamente o seu colete de explosivos para evitar mais mortes.

"Mudei de ideias pela humanidade, não por medo", disse na altura.

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