Um dos maiores exércitos do mundo e um arsenal nuclear. Ataques entre Irão e Paquistão "são preocupantes" mas "não vai haver escalada"

18 jan, 20:06
Paquistão (AP)

Apesar de admitirem que os ataques entre as duas partes "são preocupantes", os especialistas militares rejeitam, para já, o risco de escalada do conflito, descrevendo estes ataques a meras "desavenças" entre países vizinhos

Os recentes ataques mútuos entre o Irão e Paquistão não passam de "desavenças" entre grupos radicais de países vizinhos que deverão "ser contidos" na região do Baluchistão, um território que cruza a fronteira entre os dois países. Esta é a análise dos especialistas militares da CNN Portugal, que acreditam que, apesar da crescente tensão entre Irão e Paquistão, "não vai haver uma escalada" da guerra no Médio Oriente.

"Nesta altura, estas desavenças podem ser contidas dentro de um determinado quadro sem escalar", indica à CNN Portugal o major-general Carlos Branco, que descreve os recentes ataques entre o Irão e Paquistão como "uma conflitualidade de baixa intensidade".

Também o major-general Agostinho Costa acredita que "não vai haver uma escalada" destes ataques ao ponto de a guerra entre Israel e o Hamas alastrar pelo Médio Oriente. "Acima de tudo estamos a falar de países vizinhos" que "mantêm uma boa relação", salienta o especialista militar em declarações à CNN Portugal.

Em causa está um ataque com mísseis lançado esta quinta-feira pelo Paquistão no sudeste do Irão como resposta a um ataque de Teerão, que na terça-feira lançou uma ofensiva em solo paquistanês e que matou duas crianças na província de Baluchistão. Os especialistas militares explicam que este território é fértil em grupos radicais e terroristas que têm uma "relação muito ténue com o poder central", nomeadamente o Jaish al-Adl e a Frente de Libertação do Baluchistão (BLF). "Estes grupos pretendem a criação de um Estado Baluchistão e, nesse sentido, estão de acordo, porque os objetivos de um são, em boa verdade, os objetivos do outro", resume o major-general Agostinho Costa.

Agostinho Costa entende mesmo que os ataques e contra-ataques entre as duas partes são "um acordo de cavalheiros entre iranianos e paquistaneses", no qual o Paquistão se compromete a responder aos ataques do Irão porque, sendo uma democracia, "tem de dar uma justificação à sua opinião pública". "No fundo é uma estratégia de win-win, em que o Paquistão diz 'fechamos os olhos ao vosso ataque, fazemos o nosso, reparamos o nosso orgulho e a nossa honra e fica tudo na mesma", explica o major-general.

Ainda assim, os dois especialistas militares admitem que estes ataques entre as duas partes "são preocupantes", até porque "o Paquistão tem armas nucleares e a Índia já veio manifestar apoio ao Irão", indica Carlos Branco. Todavia, a haver uma escalada, a mesma ficaria circunscrita ao Baluchistão, acreditam os analistas.

O exército do Irão é mesmo um dos mais bem preparados do mundo, sendo o sétimo maior exército a nível mundial, estando apenas abaixo 
abaixo do Brasil, Nigéria, Indonésia, EUA, Índia e China, de acordo com o ranking da capacidade militar em 2024, que classifica o nível de prontidão dos militares e a artilharia de que dispõe.

O Irão está entre os nove países em todo o mundo que têm armas nucleares, além dos Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido, Índia, Israel e Coreia do Norte. Aliás, de acordo com a organização União dos Cientistas Preocupados, acredita-se que o Paquistão aumentou consideravelmente o seu arsenal para 170 armas nucleares nos últimos anos e continua a produzir mais.

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