O que é a gripe A, quais os sintomas e como se distingue (ou não) das outras gripes

24 mar, 14:50
Quando dois vírus respiratórios atacam em simultâneo

O subtipo da gripe A H3N2 é o que está em circulação neste momento em Portugal. É mais grave para os idosos e os sintomas são os mesmos dos outros tipos de gripe

Tosse, nariz a pingar, dor de cabeça. Os sintomas são comuns a uma gripe, a uma constipação, ou mesmo à covid-19. Numa altura em que se intensifica a atividade gripal em Portugal, este ano com o pico mais tardio e com o predomínio da gripe A, é difícil esclarecer numa simples ida ao médico qual a doença específica que nos afeta e sobretudo, tratando-se de gripe, qual o tipo e subtipo do vírus. 

"Não há nenhum sintoma específico que distinga a covid-19 da gripe em termos de diagnóstico", refere o diretor do Centro Materno-Infantil do Porto, Alberto Caldas Afonso, que tem verificado na última quinzena um acréscimo na afluência aos serviços de urgência, causado na maioria por casos de gripe A entre os mais novos - e que se explica com o facto de as crianças terem estado confinadas nos últimos invernos, bem como com o levantamento das restrições ao convívio em espaços públicos.

E, tal como é muito difícil destrinçar, ao nível da sintomatologia, se estamos perante um caso de covid-19 ou de gripe - recorde-se que são ambos vírus respiratórios - também no que diz respeito à gripe é praticamente impossível dizer, sem outros exames, nomeadamente o painel de pesquisa de vírus respiratórios, qual o tipo de gripe que está a infetar um doente.

"Embora saibamos que há algumas características mais comuns em termos epidemiológicos nos diferentes subtipos da gripe, isso não tem repercussão na nossa intervenção clínica", aponta o pneumologista Filipe Froes.

"Só tipamos e caracterizamos o subtipo da gripe em casos mais graves, com internamento, e de acordo com a disponibilidade dos laboratórios", acrescenta. Em termos práticos, diz Filipe Froes, a informação do subtipo de gripe é importante para os laboratórios que fazem vigilância do vírus da gripe, também porque é a partir das informações recolhidas sobre o vírus em circulação que é concebida a vacina para a época gripal do ano seguinte. Mas esta informação não tem peso nas orientações que são dadas aos doentes, sobretudo aqueles que ficam em casa a recuperar porque têm formas menos graves da doença. 

Recorde-se que, até 2020, antes da pandemia de covid-19, a Organização Mundial de Saúde tinha declarado uma pandemia devido a um vírus apenas uma vez: foi em 2009 e esse vírus era o H1N1, um subtipo do influenza A.  O fim da pandemia de gripe A foi declarado em 2010 porque aquele subtipo do vírus, apesar de continuar em circulação, tornou-se sazonal e de comportamento previsível.

A par do H1N1, o vírus da influzenza A tem igualmente o subtipo H3N2, que é normalmente considerado de maior perigosidade para os mais idosos - e é aquele que se encontra agora em circulação em Portugal. Porém, a tipagem dos vírus da gripe como sendo B ou A, e seus subtipos, sendo fundamental para a vigilância epidemiológica, não assume especial relevância quando falamos de doentes que não precisam de internamento.

Sintomas e tratamento

O quadro clínico da gripe A, tal como da gripe B, "é variável, mas o habitual é o doente apresentar febre, tosse, dores musculares ou cefaleias", afirma Filipe Froes. O tratamento, exceto dos casos graves, que justificam internamento, faz-se em casa, com repouso, hidratação e medicação para controlar a febre sempre que necessário, geralmente recorrendo a paracetamol. No caso de pessoas com outras doenças crónicas, é importante vigiar as comorbilidades e estar atento a sinais de gravidade, refere Filipe Froes: cansaço, dispneia (falta de ar), perdas de conhecimento, perdas de sangue ou alterações gastrointestinais. 

A forma mais importante de prevenção da gripe, seja do tipo A ou B, é a vacinação, para além das medidas de contenção igualmente previstas para o contágio de covid-19: higiene das mãos, uso de máscara, distanciamento. Filipe Froes realça que a vacinação é determinante para impedir, nas pessoas com formas mais graves da doença, que se verifiquem as duas consequências mais sérias da gripe: a pneumonia bacteriana secundária ou a descompensação de comorbilidades, como a diabetes ou a insuficiência cardíaca. 

Este ano, apesar de ainda não haver dados dos estudos de efetividade da vacina contra a gripe, sabe-se que o vírus em circulação em Portugal - do tipo A, subtipo H3N2 - é distinto do que consta da vacina. O que não quer dizer que a vacina não funcione: "A estirpe não é correspondente, mas pode ter semelhanças que façam manter a eficácia vacinal", defende Filipe Froes. "E mesmo em caso de menor eficácia vacinal, a vacina continua a ter eficácia. Os mais idosos mantêm a máscara, portanto, têm uma dupla proteção, de medidas farmacológicas e não farmacológicas", afirma o pneumologista. "Todas as gripes são mais agressivas nas pessoas não vacinadas e que têm indicação para se vacinar", conclui.

Daí a epidemia de gripe em Portugal estar, nesta época, a afetar sobretudo os mais jovens, crianças e adolescentes, que não tomaram a vacina contra a doença e têm retomado hábitos de socialização depois de dois invernos marcados por confinamentos e medidas restritivas dos convívios em espaços fechados.

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