Conheça as diferenças entre covid-19, gripe e constipação (infografia)

15 dez 2021, 12:00
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Tosse, febre, dores musculares, a cabeça a explodir. Será gripe, covid-19 ou apenas uma constipação? A única forma de saber com certeza é testando, mas há sinais que podem ser um alerta

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Se antes, quando o inverno chegava, a gripe era a maior das nossas preocupações, a pandemia de covid-19 trouxe ainda maiores receios quanto ao tempo frio. Pelo segundo ano consecutivo, é preciso entrar em alerta quando há um pico de febre, quando a tosse não dá tréguas ou o corpo fica mole e parece não querer colaborar. Será constipação, gripe ou covid-19?

A resposta não é fácil e só há uma forma de tirar as dúvidas: fazer o teste. Mas testar para a presença de vírus da gripe ou da covid-19? Já lá iremos.

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“Os dois vírus têm grandes semelhanças, são vírus respiratórios, que causam doenças respiratórias mas, sobretudo, têm uma forma de transmissão muito parecida, com formas de prevenção muito parecidas”, afirma Paulo Paixão, presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia.

Há sintomas que se sobrepõem na gripe e na covid-19, alerta o especialista: febre, tosse, dificuldades respiratórias, dores de garganta. Antes, era possível suspeitar de covid-19 mais rapidamente quando havia anosmia - perda do olfacto - e disgeusia - alterações no paladar. “Essa distinção, que era mais fácil, começou a ficar mais esbatida com o aparecimento da variante Delta”, refere Paulo Paixão. “Esses sintomas começaram a ser menos preponderantes, mais inespecíficos”, revela. “Clinicamente, é muito difícil distinguir uma coisa da outra. Qualquer sintoma respiratório, nesta altura em que há muitos vírus a circular, tem de ser testado. Só o diagnóstico laboratorial pode confirmar”, sublinha Paulo Paixão. E nem a variante Ómicron, da qual ainda pouco se sabe, parece trazer outros sintomas que a tornem identificável mais rapidamente, sem variar da tosse, dores de garganta ou fadiga e dores no corpo.

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Em termos de diferenças entre gripe e covid-19, a maior, segundo o especialista, reside na transmissão. “O SARS-CoV-2 transmite-se francamente mais do que o vírus da gripe”. A prova, diz o virologista, é contundente: “Com as medidas aplicadas na pandemia não tivemos praticamente casos de gripe, é coisa que nunca tinha acontecido, ao passo que a covid-19, infelizmente, não desaparece”. Também na letalidade das duas doenças há uma distinção: “Não temos dúvida de que o SARS-CoV-2 tem uma mortalidade superior à da gripe”, afirma Paulo Paixão, sobretudo em grupos de risco como são os idosos ou imunossuprimidos.

Gripe, covid-19 ou constipação?

E quais são, afinal, os sintomas mais comuns da covid-19? Segundo o Organização Mundial da Saúde, este vírus provoca febre (superior a 38º), tosse, cansaço, perda de paladar ou olfacto. Quanto à sintomatologia menos comum, mas que não pode ser descurada, passa por dores de garganta, dor de cabeça, tensão e dores musculares, diarreia, irritações na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou pés, irritação ou vermelhidão ocular.

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No que diz respeito a sintomas graves - e que obrigam a pedir assistência médica com urgência – estes são a dificuldade respiratória ou falta de ar, perda da fala ou capacidade motora, confusão e dor no peito.

Em crianças, sintomas como dor de cabeça, vómitos e diarreia também são indicação para despiste da covid-19.

Em média, uma pessoa infetada pelo SARS-CoV-2 pode levar até seis dias a manifestar sintomas, mas o período de incubação, durante o qual a doença pode ser transmitida, chega a estender-se até aos 14 dias.

Já no que diz respeito à gripe, o período de contágio começa um a dois dias antes do início de sintomas e vai até sete dias depois, indica o SNS24. Os sintomas mais comuns são mal-estar e cansaço, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça, tosse seca e inflamação dos olhos. Nas crianças, os sinais de gripe são semelhantes aos dos adultos, mas nos bebés a gripe também pode causar sonolência, vómitos, diarreias, dificuldades respiratórias ou otites.

Sublinhe-se ainda que a gripe e a constipação não são a mesma coisa: os vírus na origem das doenças são diferentes e, ao contrário do que acontece numa gripe, na constipação os sintomas são limitados às vias respiratórias superiores e passam pelo nariz entupido, espirros, olhos húmidos, dor de cabeça e irritação na garganta. Os sintomas, numa constipação, surgem ainda de forma gradual, ao contrário do que acontece na gripe, que tem início súbito.

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Outra grande diferença que o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia assinala reside no tratamento para a gripe e para a covid-19: “Em termos de antivirais, estamos um bocadinho melhor no tratamento para a gripe”, admite Paulo Paixão. “Para a covid-19 ainda não encontrámos um antiviral fácil de prescrever. Talvez o molnupiravir, já aprovado no Reino Unido, venha ocupar esse lugar”. Para já, há boas perspectivas para o medicamento da Merk Sharp & Dome e “mais um ou outro tratamento de injetáveis” que, segundo Paulo Paixão, poderão vir a mudar o cenário uma vez confirmada a sua eficácia.

Confundir covid-19 com alergias, para o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, já é mais difícil. “Os sintomas de alergia surgem em pessoas já habituadas a eles e são normalmente característicos, secreções nasais, asma. Em medicina tudo é possível, não quer dizer que não haja um caso ou outro que lancem a dúvida, mas normalmente é possível destrinçar estes sintomas dos de uma infeção respiratória aguda”.

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Testar para gripe ou covid-19

Paulo Paixão é peremptório: testar é a única forma segura de despistar um caso de covid-19. “O teste para a covid-19 é obrigatório” perante sintomas de uma doença respiratória. E vale a pena testar para a gripe? Só em “quadros de gravidade”, responde o especialista.

“Só se testa para a gripe em segunda linha, se o doente for internado e precisar de fazer terapêutica”, explica. Em pandemia, deve privilegiar-se o teste à covid-19 porque é necessário identificar todos os casos da doença. Testar para a gripe implicaria “milhares de testes” com custos de 200 a 300 euros, daí que a síndrome gripal se confirme apenas com teste nos casos de internamento.

“Na prática, o algoritmo é este: covid-19 positivo? Resolvido. Negativo? A pessoa vai para casa e, a não ser que se trate de uma situação particular, se for de risco ou chegar a ser internada, regra geral, o teste para a gripe não se faz”, resume Paulo Paixão.

Outros vírus em circulação

Segundo dados recolhidos até meados de novembro, a atividade gripal em Portugal tem sido esporádica, mas há outros vírus que circulam e podem comprometer as vias respiratórias, para além da covid-19. Carlos Flores, responsável de Patologia Clínica do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, sublinha numa declaração escrita enviada à CNN Portugal que a atividade viral do inverno é originada por diversos vírus que têm em comum o facto de provocarem doenças respiratórias, não necessariamente gripe ou covid-19. “Estas doenças podem assumir diferentes graus de gravidade e têm distribuição, em termos de incidência, distinta, quer em função da localidade geográfica quer por grupos etários”.

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Passando em revista os resultados laboratoriais do CHULC, o especialista refere que em Lisboa, por exemplo, circulam neste momento “além de coronavírus (SARS-CoV-2), o agente da covid-19, o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (idades infantis) e o vírus parainfluenza 3, especialmente grave em crianças”, relata Carlos Flores.

A pandemia de covid-19, por sua vez, pode ter contribuído para limitar a incidência da síndrome gripal, uma vez que distanciamento físico, uso de máscara e higiene das mãos são medidas aconselhadas para prevenir os contágios do novo coronavírus mas são igualmente eficazes para prevenir a gripe. E se, no inverno passado, houve ausência de atividade gripal com predomínio da covid-19, poderemos fazer uma previsão sobre o que acontecerá este ano?

Paulo Paixão admite que as vacinas terão um papel fulcral para diminuir a mortalidade por covid-19, apesar de os casos terem subido nas últimas semanas de forma exponencial. Já sobre a gripe, o especialista não faz previsões. “Se vamos ter mais casos de gripe este ano, como dizem alguns, porque estivemos um ano sem vírus? É imprevisível. Não me parece que seja o mais provável, porque ainda estamos a usar máscara e a ter alguns cuidados, mas é um risco. E quem diz gripe diz outros vírus respiratórios”, atalha o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia. “A palavra-chave, nesta altura, é só uma: monitorização”.

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