"Situação mais grave em várias décadas". Noruega aumenta alerta militar como resposta à guerra na Ucrânia

31 out, 18:29
Exército norueguês faz exercícios militares (Mindaugas Kulbis/AP)

Foram cancelados treinos militares e todos os aviões F-35 vão ficar no país pelo menos durante um ano

A Noruega elevou esta segunda-feira o seu estado de alerta militar, mobilizando operacionais da força de resposta rápida. Ainda que o primeiro-ministro tenha dito que não existem razões para acreditar numa invasão por parte da Rússia, a guerra que decorre na Ucrânia motivou a decisão.

“Esta é a situação de segurança mais grave em várias décadas”, admitiu Jonas Gahr Store, em conferência de imprensa.

Situada na Escandinávia, a Noruega partilha quase 200 quilómetros de fronteira com a Rússia, perto do Ártico, o que motiva a cautela evidenciada pelo governo.

“Não existem indicações de que a Rússia esteja a expandir a sua guerra para outros países, mas o aumento de tensões torna-nos mais expostos a ameaças, operações de espionagem e campanhas de influência”, acrescentou o líder do governo, que pediu que os países vizinhos estejam “mais atentos”.

Sobre o aumento do nível de alerta, que eleva a prontidão militar para outro patamar, Jonas Gahr Store garantiu que a população não deve notar grandes alterações no quotidiano.

Como parte da mobilização, a Noruega vai também fazer operações regulares com a frota de aviões P-8 Poseidon.

Na prática, com este aumento do nível de alerta, as forças armadas norueguesas vão passar menos tempo em treinos e exercícios militares, dedicando-se mais a tarefas operacionais, sendo que a Guarda Nacional terá um papel mais ativo, de acordo com o ministro da Defesa, Bjorn Arild Gram.

“Esperamos que esta situação dure pelo menos um ano”, disse ainda o ministro, ao mesmo tempo que revelou que os caças F-35 vão permanecer na Noruega durante esse período, abandonando assim os treinos que estavam programados para os Estados Unidos.

Sobre a altura escolhida para este anúncio, o primeiro-ministro assegurou que não aconteceu nada que tenha levado à decisão, antes motivada pelos “desenvolvimentos ao longo do tempo”.

Na semana passada, as autoridades norueguesas detiveram um homem que se identificava como um professor brasileiro, mas que, alegadamente, será um espião russo que estaria em missão. O homem em questão, identificado como Mikhail Mikushin, foi detido em Tromso, onde trabalhava na Universidade Ártica da Noruega.

Uma detenção que se junta a muitas outras ocorridas nas últimas semanas na Noruega, grande parte delas por posse de drones ou por tirarem fotografias.

A juntar a isto há a situação nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que a Europa acredita terem sido sabotados pela Rússia, o que provocou um grande receio nos vários países do Mar Báltico, e que levou a Noruega a aumentar a atenção nas plataformas petrolíferas.

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