Prigozhin celebra golpe no Níger e diz que grupo Wagner pode dar uma ajuda

CNN , Tim Lister
29 jul 2023, 16:21
Yevgeny Prigozhin em São Peterburgo em julho de 2023 Imagem Orchestra_W Telegram

O fundador e financiador do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, foi visto em São Petersburgo, na Rússia, na quinta-feira, de acordo com contas nas redes sociais associadas ao grupo mercenário. (Imagem Orchestra_W/Telegram)

Enquanto a comunidade internacional, incluindo muitos Estados africanos, condenou o golpe de Estado no Níger, o líder mercenário russo Yevgeny Prigozhin tem a sua própria opinião.

Numa longa mensagem publicada nas redes sociais, Prigozhin atribuiu a situação no Níger ao legado do colonialismo e alegou, sem provas, que as nações ocidentais estavam a patrocinar grupos terroristas no país. O Níger foi em tempos uma colónia francesa e, antes do golpe de Estado desta semana, era uma das poucas democracias da região.

Prigozhin parece ainda estar em liberdade, apesar de em junho ter liderado uma rebelião armada contra o Kremlin.

A revolta de curta duração terminou quando Prigozhin e as suas tropas concordaram em ir para a Bielorrússia, mas o líder da milícia foi visto em São Petersburgo na quinta-feira, reunido com um dignitário africano à margem de uma cimeira entre nações africanas e a Rússia.

A missiva de Prigozhin era também uma espécie de proposta de negócio. Dizia que a sua empresa militar privada, o Grupo Wagner, é capaz de lidar com situações como a que se está a passar em Niamey, a capital nigeriana. Centenas de contratados da Wagner estão no vizinho Mali, a convite da junta militar do país, para enfrentar uma insurreição islamista que é mais forte na área onde as fronteiras do Mali, Burkina Faso e Níger se encontram.

“O que aconteceu no Níger está a ser preparado há anos”, disse Prigozhin. “Os antigos colonizadores estão a tentar manter os povos dos países africanos sob controlo. Para os manter sob controlo, os antigos colonizadores estão a encher esses países de terroristas e de várias formações de bandidos. Criando assim uma crise de segurança colossal”.

Prigozhin continuou depois com o seu típico discurso de vendedor.

“A população sofre. E esta é a razão do amor pela PMC (empresa militar privada) Wagner, esta é a alta eficiência da PMC Wagner. Porque mil soldados da PMC Wagner são capazes de estabelecer a ordem e destruir terroristas, impedindo-os de prejudicar a população pacífica dos Estados”, afirmou.

Várias investigações da CNN e outras de grupos de defesa dos direitos humanos revelaram o envolvimento e a cumplicidade do grupo Wagner em atrocidades contra populações civis no Sudão, no Mali e na República Centro-Africana, onde os mercenários foram utilizados para ajudar as forças de defesa locais contra rebeliões e insurreições e suprimir a oposição.

Os comentários de Prigozhin na sexta-feira foram contrários à opinião do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, que apelou à “libertação imediata” do Presidente Mohamed Bazoum pelos militares.

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