A rainha como "inspiração" e a "melhor amiga" Diana. Sarah Ferguson em entrevista exclusiva

8 jul, 23:27

Aos 62 anos, a ex-mulher de André estreia-se como autora de ficção histórica e está em Portugal para falar do primeiro livro. Mas também de como não pensa no Reino Unido sem Isabel II

Sarah Ferguson, 62 anos, está em Portugal para apresentar o novo livro de ficção, inspirado na história da sua família e, sobretudo, numa mulher, Lady Margaret - "Onde me Leva o Coração" (Penguin Random House).

Divorciada desde 1996 do príncipe André, com quem tem duas filhas, Beatrice e Eugenie, 33 e 32 anos, a duquesa de York fala em exclusivo à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) com admiração pela rainha Isabel II e de Diana, com quem manteve uma boa amizade até à sua morte há quase 25 anos.

Esta foi a sua primeira entrevista em Portugal (a primeira de várias), agora que estar por cá se pode tornar mais frequente. A filha mais nova mudou-se para Melides com o filho, August, e o marido, Jack Brooksbank, que Fergie considera ser o seu melhor amigo. 

Os leitores portugueses estão entusiasmados com o livro “Onde me Leva o Coração”.
Estou profundamente orgulhosa. Como se diz orgulhosa em português?

Orgulhosa.
Orgulhosa! (em português) Porque tirei a história da minha imaginação e a coloquei-a numa página. Começar uma nova carreira aos 62 anos - eu tenho 62 anos - é muito entusiasmante e espero que muitos espectadores percebam e acreditam que eles podem atrever-se a sonhar. Sou uma mulher forte, com uma visão corajosa da vida e fiz muito trabalho mental para chegar ao lugar onde estou hoje. E muito do que aprendi foi tecido como uma tapeçaria nas páginas deste livro. Pesquisei até ao século XV, descobrindo a Lady Margaret. Tudo é pensado, não é apenas um livro. Muito foi escrito sobre os irmãos dela, mas dela nunca nada foi escrito. Ela foi uma mulher muito forte, casou-se aos 28 anos na vida real, imagino a pessoa extraordinária que deve ter sido, sabendo que tinha de fazer tudo o que pai lhe dizia. 

Como era ela?
Muito forte, incrivelmente divertida, cheia de alegria, bon vivant, uma contadora de histórias. Impulsiva, sim. espontânea, sim. Sempre a meter-se em problemas, sim. Quando pesquisei os meus antepassados, descobri isso. Está no ADN. Ninguém deve ser julgado pelo credo ou cor. Sou uma grande apoiante das causas LGBTQ, que cada um seja como é. Todos têm o  direito a ser como são. Todos somos pessoas. Luto muito por isto. Diana e eu estávamos no palco público ao mesmo tempo. Ela tinha um entendimento do que era HIV e estarem sempre a apontar o dedo. Sei como é isso. Estarem sempre a julgar. “Ah, tem o cabelo ruivo. Ah, outra coisa…” Ou os jornais ingleses. Todos têm um julgamento. Todos temos de ser fortes e verdadeiros.

Há planos para o seu livro ser uma série?
É um livro entre “Gilded Aged” e “Bridgerton” e acredito que posso fazer muito marketing pela série. “Young Victoria” foi o filme que levei ao Martin Scorsese. Ganhámos o Óscar de melhor guarda-roupa. Mas este (aponta para o livro), acredito que vai ganhar o óscar de melhor história. 

E há contratos com plataformas de streaming?
Estamos em conversações com várias. Se alguém em Portugal a quiser fazer, estou muito aberta a isso. A história do vosso país, descer a avenida larga (da Liberdade), ver como foi reconstruída após o terramoto faz-me gostar da história e adoro isso. 

Por quem se sente inspirada hoje?
Para além das minhas filhas, que são grandes embaixadoras pela humildade que é preciso ter quando se está no palco público, é uma grande lição, mas diria que a minha grande inspiração é a rainha, porque aos 96 anos a rainha continua, é consistente, firme, o show continua, ela nunca para. É um grande exemplo de determinação, coragem e de altruísmo para com o país. 

Dedica este livro às suas filhas. Diz que elas não precisaram esperar pelos 62 anos para seguirem o seu coração.
Acredito que chegar a este ponto em que consigo fazer uma entrevista, sem me preocupar se vou fazer bem ou mal, se vou dizer a coisa certa ou errada, levou-me muito tempo a chegar à essência da Sarah. 

Como é a relação com as suas filhas?
Vamos só dizer que sou acordada às três da manhã a dizer que temos de desligar. Temos uma relação muito próxima. Chamamo-nos trípode. Não passa um dia sem que falemos. Têm dois bonitos maridos e o Jack [Brooksbank] é o meu melhor amigo. São eles que vivem em Melides, em Costa Terra. Ontem, num jantar contei que se a minha filha não tivesse casado com ele, ele continuaria a ser o meu melhor amigo. 

Vai passar a vir mais vezes a Portugal?
Deixe-me dizer isto: a minha mãe apaixonou-se por um homem argentino. Não é fácil ir à Argentina, mas podemos vir a um sítio a duas horas de viagem que tem o mesmo sentimento, não sei o que é, mas lembra-me a Argentina. Sou uma pessoa romântica, como se pode ver pelo livro, e não é necessário ser com outra pessoa, pode ser um país, a vida, o sentimento de alegria.

Como é a sua vida? Tem hobbies?
Vê a minha bandeira? [ajeita o cabelo para se ver o pin com a bandeira da Ucrânia] A minha vida é dar um sorriso a uma criança onde quer que seja necessário. Na Polónia ou nos países na fronteira com a Ucrânia. Acredito que uma criança refugiada precisa de alegria, de brincar, de cor… enquanto pai está na guerra. E não só na Ucrânia. Também no Afeganistão, Iémen ou na Síria. Hora do conto com Fergie & Friends é um projeto para ler para crianças. 

Em breve passam 25 anos da morte de Diana, a sua melhor amiga. Sente falta dela?
Sinto falta dela todos os dias, muito. Era minha amiga e ríamos muito. Muito! Meu Deus! Dizia-me coisas como “quando eu me casar com Charles, quero que uses isto” e deu-me o material para um vestido turquesa. Ela queria que eu usasse sempre turquesa. Lembro-me dela pela cor, pelo riso e por ser uma presença forte, não havia ninguém como ela, era muito especial. O maior presente foi a amizade. Ela tinha um cheiro muito distinto. Acho que era “L’Air du Temps”, de Nina Ricci e às vezes sente-se. Era uma pessoa excecional e adoro-a hoje como sempre, como se aqui estivesse. Quando era viva às vezes desaparecia, mas o coração dela ficava.

Qual seria o papel dela hoje?
Uma fantástica avó dos seus netos e nós teríamos grandes competições sobre quem seria a melhor avó e que ela continuaria a ser uma pessoa do mundo. Acho que seria fantástica e amada como é hoje, 20 anos depois. 

Estamos a celebrar o jubileu da rainha. Imagina a monarquia sem a rainha Isabel II?
Interessante… eu não penso nisso. Ela está cá e que reine por muitos anos. 

Teme pelo futuro da monarquia sem a rainha? 
É algo em que não penso. Só penso no amor que tenho por ela hoje.

Produtora, escritora, atriz… muitas coisas…
Sim, eu fiz “Friends” com o Joey. “Lindo chapéu, Joey”.

O que vem a seguir para Sarah Ferguson?
Vou ficar super em forma, vou voltar a ter licença de helicóptero, quero escalar outra montanha, mas antes quero ficar super em forma, correr na praia em fato de banho, mas ficar super em forma antes, retomar a licença de helicóptero, escrever livros, pôr um sorriso na cara das crianças. Gostava de dizer que uma parte das receitas que me cabem dos meus livros vão para associações dos países onde o livro é editado. Em Portugal terei de encontrar. 

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