Terra Nossa

8 dez 2022, 17:15
Cristiano Ronaldo no Portugal-Suíça

«Quem é que defende?», o espaço de opinião de Sofia Oliveira no Maisfutebol

O Terra Nossa de hoje é em Lisboa! Que se aprocheguem os populares. Hoje, vamos prestar homenagem ao seleccionador Fernando Santos, o mais recente herege condecorado em praça pública. Cautela, bravos lusitanos, não tropecem nos fios de sabujice. Mas venham, venham com força açoitar o homem. Cuidado, menina, não corra sem ver onde mete os pés, também há por aí poças de puxa-saquismo. Choveu muito na noite passada. Foram lágrimas. Foram lágrimas de um Portugal sem memória orientado por um homem que não conhece a gratidão. Alguém enfeitiçado pela ambição, cujo lume da ganância cegou. Eis o seleccionador Fernando Santos, o primeiro técnico da História do futebol a colocar as suas convicções ideológicas em prática e o colectivo à frente do individual. Estás na modalidade errada, Fernando. Devias treinar jogadores de ténis, Fernando.

Ei-lo, o dia pelo qual temíamos. O dia em que a nação valente se fez representar nos oitavos-de-final de um Mundial sem o seu símbolo em campo. As quinas vergaram de tamanha vergonha, seguidas dos castelos. Pelo campo correram 11 marretas desprovidos de alma, já vendida ao arauto da desgraça.

As palavras não traduzem a repulsa sentida em cada intervenção de Diogo Costa, que, como os nossos olhos atestaram, virou mero espectador. Sim, o nosso adversário recusou-se a atacar a baliza de uma equipa que entrou para dentro de campo sem bandeira.

Diogo Dalot cometeu um crime de lesa-pátria. A agilidade na arrancada transcendente antes do acerto na assistência para Gonçalo Ramos manchou-lhe o percurso de forma irreparável. Por cada som de júbilo dos manifestantes, menor o direito de entoar ‘A Portuguesa’. Permitam-me que poupe energias e ignore Képler Laveran Lima Ferreira, vulgo Pepe, para enaltecer Rúben Dias, o único visivelmente afectado. Aliás, Rúben Dias é um visionário! As suas exibições desde o início da competição foram revelando desconforto, tendo primado pela disciplina da regularidade. Um senhor, ao contrário de Raphaël Guerreiro, empenhado em combinar com Rafael Leão antes daquela amostra barata de tomahawk.

No meio-campo, William Carvalho, Bernardo Silva e Otávio aplicaram-se como nunca este país à beira-mar plantado havia visto. William falhou sequer um passe? A arrogância. Bernardo e Otávio entenderam-se como se continuassem a jogar juntos no Sport Lisboa e Benfica, quando todos sabemos que o Bernardo deixou a Luz em 2010, não foi? Apenas Otávio continua a aturar as epifanias de Jorge Jesus, penso que actual técnico encarnado. Bravos lusitanos, bravos lusitanos. Como é que explicam que as dinâmicas ainda estejam lá, bravos lusitanos? A prova que faltava de que há aqui mão de bruxa.

Como estamos a chegar ao fim do programa, peço-vos para que a fila dedicada à degustação da hóstia seja feita à esquerda do palco. Ainda me lembro da primeira vez em que por cá vi Bruno Fernandes. Hoje, apraz-me pedir-lhe, mais uma vez, que, por respeito, pare de marcar golos pelo Manchester United. Anfield só tem um Rei. Sobre João Félix, um jogador que nem talento tem para ser titular do seu clube, há pouco a dizer, assim como sobre Gonçalo Ramos, que, aos 21 anos, passou de médio adaptado a ponta-de-lança esforçado, incapaz de olhar em redor antes de rematar à baliza. 

Há 16 anos que a Selecção não chegava aos quartos-de-final de um Campeonato do Mundo, mas ainda não será desta que vou festejar, parabenizar os outros ou o próprio do Engenheiro. É hora de defender quem assinou o Tratado de Zamora, o mandatário da Revolução dos Cravos, o responsável por podermos conversar com suecas depois das três da manhã no Cais do Sodré.

Não esqueceremos, Fernando.

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