Em Espanha pede-se "o horário de Lisboa" para corrigir a "simpatia de Franco com a Alemanha de Hitler"

1 abr, 10:08
Tempo

A mudança da hora não é um assunto pacífico

José María Fernández-Crehuet, professor da Universidade Politécnica de Madrid - e especialista em questões de equilíbrio entre vida profissional e pessoal e ainda investigador sobre a utilização do tempo -, analisou esta segunda-feira no Podcast "EL MUNDO al día", do jornal El Mundo, o impacto da mudança de hora.

A mudança de hora remonta a sábado 16 de março 1940, quando a Espanha de Franco mudou o fuso horário para o GMT+1 (hora da Europa Central) - naquilo que foi considerado uma "simpatia de Franco com a Alemanha de Hitler". No entanto, 84 anos depois, a pergunta mantém-se: porque é que um país que está ao lado de Portugal tem a mesma hora de Polónia, estando a mais de três mil quilómetros de distância?

"Cada país decide a sua hora oficial, que pode ou não coincidir com a hora solar. Em Espanha estamos uma hora à frente durante todo o ano - e somos um país onde o sol só brilha 9 horas no inverno e 16 horas no verão. Apesar de conseguirmos um período de luz mais diurna no verão, provoca máximos históricos de consumo elétricos. Por isso, não é claro que o adiantar da hora tenha tantos benefícios de poupança energética como anunciam", explica o especialista.

Apesar do maior benefício da mudança de hora ser "ter mais horas de luz", Fernández-Crehuet diz que isso pode não ter tanto impacto na vida das pessoas como anunciam, uma vez que "e amanhece mais tarde, o nosso relógio biológico desperta também mais tarde", e as pessoas tendem a sair dos trabalhos apenas quando o sol se põe.

Além disso, "este horário distancia mais Espanha de Portugal" onde, lembra, as horas de almoço e jantar diferem bastante das praticadas em território espanhol.

"O melhor seria ter o horário de Londres e de Lisboa e fazer a mudança de hora como eles. A favor da mudança de hora, sim. Se tivéssemos o horário de Portugal ou de Inglaterra teríamos todos os benefícios de aproveitar o sol o máximo possível. Ajustamos a nossa vida à luz do sol, por isso almoçamos e jantamos mais tarde", explica, acrescentando que "é bom mudar a hora para aproveitar as horas de luz", mas há outros aspetos a ter em conta.

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