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Naufrágio em Itália: 59 migrantes mortos, cerca de 20 crianças entre as vítimas e um contranbandista suspeito detido

Nuno Mandeiro , com Lusa
26 fev 2023, 14:53

Autoridades italianas dizem que incidente pode ter provocado mais de 100 óbitos

Pelo menos 59 migrantes morreram afogados ao largo da costa do sul de Itália, depois de a embarcação em que seguiam ter afundado. A atualização do número de óbitos foi feita pela agência Ansa, pouco antes das 15:30. O jornal Corriere Della Sera avança que as estimativas iniciais apontam para que haja cerca de 20 crianças entre as vítimas mortais.

A ANSA adianta ainda que já foram resgatadas 80 pessoas com vida e que entre as vítimas mortais "há várias crianças e mulheres". O incidente ocorreu em Cutro, na região de Crotone, e estes são ainda números provisórios.

O jornal La Repubblica noticia ainda que as autoridades italianas já detiveram um contrabandista suspeito. Trata-se de um cidadão turco que terá ligações à rede de tráfico humano responsável pela embarcação. Foram ainda encontrados documentos de outro homem que estará envolvido nas operações, mas ainda não foi localizado, podendo ter fugido ou estar entre as vítimas.

“Um sobrevivente disse-me que houve uma explosão a bordo e que pode ter queimado os corpos”, disse uma operacional no local ao La Repubblica.

A primeira-ministra italiana enaltece a "profunda tristeza pelas muitas vidas humanas interrompidas por traficantes de seres humanos". Giorgia Meloni sublinha também que "a ação dos que hoje especulam, depois de terem exaltado a ilusão de uma imigração sem regras, é auto-explicativa". O governo de Itália garante que "está empenhado em impedir a saída de barcos de migrantes e a perpetuação deste tipo de tragédia junto dos países de origem".

"É desumano este desprezo pela vida de homens, mulheres e crianças que pagaram bilhetes com a falsa perspetiva de uma viagem segura. Veremos o que é preciso fazer para travar esta ilusão de imigração sem controlo", disse Giorgia Meloni através de comunicado.

O Papa também disse, este domingo, que está a rezar por todas as vítimas do naufrágio: "Ouvi com pesar que houve um naufrágio ao largo da Calábria, na costa perto de Crotone. Já foram recuperados 40 mortos, muitos deles crianças. Rezo por cada um deles, pelos desaparecidos e

pelos migrantes que sobreviveram", disse Francisco no discurso semanário para a multidão na Praça de São Pedro.

De acordo com o Corriere Della Sera, o barco saiu da Turquia, transportava cidadãos afegãos, paquistaneses e somalis, e acabou por colidir com rochas devido ao mar revolto. Na embarcação estariam 180 pessoas, segundo os sobreviventes, mas há migrantes que dizem que havia 250 tripulantes a bordo.

A mesma publicação explica ainda, citando "várias fontes", que os migrantes "não tiveram tempo de pedir ajuda" e que entre os resgatados, a maioria foi capaz de nadar até à costa.

Inicialmente, a agência de notícias italiana ANSA adiantava que o incidente tinha provocado 12 óbitos, número que, por volta das 08:00 foi atualizado para 30 mortos, com a ressalva de que para além dos corpos que acabaram por dar à costa, existem ainda vários cadáveres não recuperados no mar.

No local estão vários meios e operacionais pertencentes aos Carabinieri (ramo das forças armadas italianas), Guardia di Finanza, Guardia Costeira e aos bombeiros.

Von der Leyen pede esforços "redobrados"

A presidente da Comissão Europeia apelou aos estados Estados-membros para que "redobrem os esforços" para alcançar um acordo sobre a política migratória. "Estou profundamente triste com o terrível naufrágio na costa da Calábria. A perda de vidas de migrantes inocentes é uma tragédia", afirmou Ursula von der Leyen, na rede social Twitter.

“Devemos todos redobrar esforços conjuntos no Pacto sobre Migração e Asilo e no Plano de Ação para o Mediterrâneo Central”, acrescentou.

Os vinte e sete têm em cima da mesa a reforma da política comunitária de migração e asilo há mais de dois anos, mas desde então não conseguiram progressos substantivos numa questão que divide as capitais europeias.

Os chefes de Estado e de governo abordaram o debate sobre a migração na cimeira de 10 de fevereiro e concordaram em tomar medidas para acelerar o regresso dos migrantes irregulares e aumentar os fundos para a proteção das fronteiras externas, depois de a Áustria e outros sete países apelarem abertamente ao financiamento da construção de muros.

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