"Um avião funciona num trade-off entre gasolina e bombas" e esse é só um dos problemas da Força Aérea de Israel para atacar o Irão

19 abr, 12:06

Israel atacou o Irão - que já ironizou literalmente com isso - e para tal usou "provavelmente drones" lançados dentro do próprio território iraniano. "Os drones foram lançados, muito provavelmente, por forças proxies israelitas, como os Kurdus". É que atacar com a Força Aérea implica uma viagem enorme e praticamente condenada ao insucesso

Mais de seis mil quilómetros, “bastantes horas” e um inevitável “apoio americano”. Na impossibilidade de sobrevoar o território do Iraque e da Síria, por serem “apoiantes” do Irão, a força aérea de Telavive teria de contornar a Arábia Saudita, o Iémen e Omã para lançar um ataque ao Irão através do seu próprio território. Mas apenas o conseguiria fazer se tivesse apoio dos Estados Unidos, como explica o major-general Agostinho Costa.

“Israel necessita do apoio americano. Fazendo este circuito, digamos, em torno da Península Arábica, tem necessariamente de ter reabastecimento no ar. Até porque um avião funciona num trade-off entre gasolina e bombas: quanto mais bombas levar, menos gasolina pode ter”, explica o especialista em Assuntos de Segurança, dizendo que esse reabastecimento seria feito, à partida, pelos Estados Unidos.

Simulação do percurso que a Força Aérea de Israel teria de fazer para atacar o Irão (Reprodução Google Maps)

Para o comentador da CNN Portugal, “a noção geopolítica” é um dos pontos mais importantes no confronto entre estes dois países e aquele que poderá travar ou acelerar uma escalada de tensão no Médio Oriente e, uma vez que, “em certa medida, a Síria e o Iraque são apoiantes do Irão”, sobrevoar estes países para atacar o Irão seria uma jogada arriscada por parte de Israel, sobrando-lhe, nas redondezas, apenas a Jordânia, o “único aliado” dos israelitas e de onde podiam ter lançado o ataque. 

No entanto, diz-nos, a tese mais provável - e ainda não confirmada, até porque Israel não comentou o alegado ataque - é que a cidade Isfahan tenha sido atacada por drones lançados em solo iraniano. Até porque uma viagem de mais de seis mil quilómetros, além de demorada, “era imediatamente detetada pelos satélites”, o que colocaria em causa o sucesso da operação.

“Os drones foram lançados, muito provavelmente, por forças, digamos, proxies israelitas, como os Kurdus, ou aquilo que vem sempre com o rótulo de Estado Islâmico, forças normalmente treinadas pela Mossad e pelo Serviço de Informações [de Israel]”, adianta o major-general.

Até ao momento, Israel ainda não comentou este alegado ataque - já ironizado pelo próprio Irão - e, para o major-general, nem o vai fazer. “Até lhe convém não reivindicar”, diz, explicando que manter o silêncio ajuda a manter “a ambiguidade”. “E a ambiguidade permite cada um de nós acreditar no que quer”, o que, para Telavive, pode ser o suficiente para manter os Estados Unidos do seu lado.

Fontes norte-americanas disseram à CNN Internacional que, pelas 04:00 locais (1:30 em Portugal Continental), Israel atacou Isfahan, no centro do Irão. As Forças de Defesa de Israel terão usado três drones, que terão sido prontamente destruídos pelas tropas iranianas.

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