Oito obstetras deixaram o Hospital de Santa Maria para ir para o privado

Agência Lusa , MM
22 dez 2023, 14:05
Médica segura recém-nascido em tempos de covid-19

Sindicato Independente dos Médicos diz que somando às médicas que estão de licença por gravidez e aos profissionais que estão com baixas prolongadas, a redução do número de profissionais “está a causar a maior das perturbações e o maior dos problemas naquilo que era a garantia de reforçar as equipas do hospital São Francisco Xavier”

Oito obstetras do Hospital de Santa Maria deixaram a instituição, o que está a causar grandes dificuldades para assegurar as equipas do São Francisco Xavier, que está a receber as grávidas daquele hospital, segundo o Sindicato Independente dos Médicos.

Em setembro, seis médicos do serviço de obstetrícia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), do qual faz parte o Hospital Santa Maria, apresentaram demissão na sequência do plano da Direção Executiva do SNS para a resposta de Obstetrícia e Ginecologia, que previa que, enquanto o bloco de partos do hospital de Santa Maria estivesse fechado para obras, entre os meses de agosto deste ano e março do próximo ano - os serviços ficassem concentrados no Hospital S. Francisco Xavier.

Em declarações esta sexta-feira à agência Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, adiantou que já são oito os especialistas que deixaram o Hospital Santa Maria para ir trabalhar para o privado.

Sublinhou que esta situação, associada às médicas que estão de licença por gravidez e aos profissionais que estão com baixas prolongadas, “está a causar a maior das perturbações e o maior dos problemas naquilo que era a garantia de reforçar as equipas do hospital São Francisco Xavier”, disse o dirigente sindical.

“Há muitos dias em que as escalas, que são da responsabilidade do Hospital de Santa Maria, não estão a ser cumpridas com os mínimos necessários para que seja efetuada com qualidade e com segurança essa urgência”, disse Roque da Cunha.

Mas advertiu que esta situação “não pode esconder algo que está a acontecer um pouco por todo o país”.

“É uma situação geral que necessita de medidas estruturais de médio prazo”, porque mesmo que a partir de janeiro, quando as horas extraordinárias voltam a zero, a situação possa ser de “alguma maneira mitigada”, o problema não será resolvido, salientou.

Contactado pela agência Lusa, o CHULN afirmou que não comenta nada que envolva o Plano Nascer em Segurança, que é coordenado com a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde.

“A Direção Executiva, um pouco tardiamente é verdade, veio criar alguma previsibilidade, mas a verdade é que, enquanto não se contratarem médicos, enquanto não se criarem condições para reforçar as equipas dos serviços de urgência e, neste caso, dos serviços de obstetrícia, que têm de garantir o acompanhamento das grávidas dos locais que estão encerrados, o problema não será resolvido”, alertou Roque da Cunha.

Apesar do aumento intercalar para os médicos, na sequência do acordo do SIM com o Governo, Roque da Cunha disse que o sindicato irá solicitar reuniões aos partidos políticos, antes das eleições marcadas para 10 de março, “para alertar para o problema e também de alguma maneira” para ver se consegue “um compromisso para que o aumento intercalar seja seguido à recuperação do poder de compra dos médicos”.

“Sem isso, muito dificilmente no médio prazo o problema ficará resolvido e muito menos no curto prazo”, avisou, lembrando que a saída de médicos do SNS, especialmente anestesiologistas, obstetras e pediatras tem vindo a agravar-se nos últimos anos.

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