Civis retirados de Mariupol já estão em Zaporizhzhia. Rússia volta a atacar Azovstal com "artilharia e aeronaves"

3 mai, 14:27

Uma viagem delicada que durou vários dias. Os mais de 100 civis retirados da Azovstal pelo comboio humanitário já chegaram a Zaporizhzia. Mas há mais ainda retidos na siderurgia de Mariupol, que está sob ataque do exército russo

O comboio humanitário organizado pelas Nações Unidas e pela Cruz Vermelha já passou o último posto de controlo das forças russas e chegou, finalmente, a Zaporizhzhia, testemunhou equipa da CNN Portugal no local. Uma viagem delicada e perigosa que durou vários dias e terminou cerca das 14:45 desta terça-feira.

A caravana, que traz mais de 100 civis retirados da siderurgia Azovstal - o último reduto da cidade sitiada de Mariupol - esteve retida no último posto de controlo, numa localidade junto ao rio Dnipro - a cerca de 40 quilómetros de Zaporizhzhia.

Comboio humanitário da ONU a caminho de Zaporizhzhia 

Mas este não foi o único grupo de civis a enfrentar dificuldades ao passar pelos corredores humanitários. Segundo revelou o autarca de Mariupol, Vadym Boychenko, as tropas russas estão a impedir cerca de 2.000 civis, que saíram de Mariupol, de chegarem a Zaporizhzhia.

“Esperávamos que hoje a retirada ocorresse perto de Berdyansk. Mas as tropas russas estão a destruir os nossos planos e não permitem que nossos cidadãos cheguem a Zaporizhzhia”, declarou Boychenko, citado pela agência de notícias ucraniana Ukrinform.

"Os russos não os deixaram ir"

Durante a manhã desta terça-feira foram várias as famílias que conseguiram ir chegando, lentamente, ao centro organizado para receber os civis em Zaporizhzhia. Partiram de várias cidades no sul do país, aproveitando os corredores humanitários abertos ao longo dos últimos dias.

Uma civil ucraniana, Natasha, contou à CNN Internacional que teve sorte. A sua família foi retirada de Dniprorudne - uma pequena cidade a norte de Melitopol - por volta das 6:00 de segunda-feira. “Há um comboio enorme de cerca de 50 veículos, mas ficaram presos em Vasilivka. Os russos não os deixaram ir”, afirmou.

Os russos disseram que não têm ordens para deixar as pessoas passarem, de acordo com Julia, outra civil retirada. Julia partiu na segunda-feira de manhã e já chegou a Zaporizhzhia, embora o seu namorado ainda esteja na estrada. Ele saiu no sábado.

“Ele provavelmente voltará (à cidade natal) se os russos não os deixarem passar”, afirma. "Mas, por enquanto, os moradores locais ofereceram-lhe um lugar para ficar."

Forças russas estão a atacar a Azovstal com "artilharia e aeronaves"

Paralelamente, o Exército russo está a atacar o complexo siderúrgico Azovstal, na cidade sitiada de Mariupol, com "artilharia e aeronaves", avança a AFP.

#BREAKING Russian army says attacking Azovstal plant in Ukraine's Mariupol with 'artillery and planes': reports pic.twitter.com/y98aoqTiFi

— AFP News Agency (@AFP) May 3, 2022

"Utilizando artilharia e aeronaves, as unidades do exército russo e da República Popular de Donetsk estão a começar a destruir" as "posições de fogo" das tropas ucranianas, disse o Ministério da Defesa russo, em comunicado divulgado por agências de notícias russas.

O ministério acusou ainda os soldados ucranianos e membros do batalhão Azov de explorarem um cessar-fogo para entrar em posições de fogo na siderurgia sitiada.

Importa referir que mais de 200 civis ainda estão escondidos nesta siderurgia, disse o autarca da cidade, Vadym Boichenko, esta terça-feira, acrescentando que mais 100 mil civis permanecem presos na cidade portuária.

A siderurgia Azovstal tornou-se num refúgio para civis e combatentes ucranianos quando Moscovo sitiou Mariupol, devastando a cidade em semanas de bombardeamentos.

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