“Seria incompreensível que Portugal não estivesse representado” nos 200 anos da independência do Brasil, considera Marcelo

Pedro Falardo , Notícia atualizada às 7:20
7 set, 00:46
Marcelo Rebelo de Sousa e Jair Bolsonaro (LUSA)

Presidente da República rejeita que possa ficar associado à campanha eleitoral que decorre no país sul-americano

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quarta-feira, após uma reunião com Jair Bolsonaro, que “seria incompreensível que Portugal não estivesse representado ao mais alto nível” nas comemorações dos 200 anos da independência do Brasil.

“Portugal teve um domínio colonial sobre o Brasil, tendo sido por coincidência, única na História do mundo, o rei de Portugal a declarar a independência do Brasil e a dotar o Brasil de uma Constituição, coisa rara naquela altura. Seria incompreensível que Portugal não estivesse representado ao mais alto nível naquele que é um momento histórico e único na vida do Brasil e de Portugal”.

Questionado sobre se poderia ficar associado a alguma aproveitamento político durante a campanha eleitoral que decorre no país sul-americano, Marcelo rejeitou, afirmando que “são coisas completamente separadas”. “Não tem nada a ver com aquilo que se passa na vida interna dos países, como já não teve quando, há 100 anos, o presidente António José de Almeida aqui veio num momento difícil da vida política portuguesa e da vida política brasileira. Seria uma ironia do destino que aqui estivessem chefes de Estado como o presidente de Cabo Verde e o presidente da Guiné-Bissau, Estados que nasceram a partir do Império Português, aqui a assinalar os 200 anos do Brasil, e não estivesse o presidente do país que talvez esteja mais ligado”, explicou.

Sobre a reunião com o homólogo brasileiro, Marcelo referiu que foram abordados vários temas, como a história de D.Pedro IV, Imperador do Brasil e Rei de Portugal, a “projeção atual” do Brasil e, ainda, o “peso dos brasileiros em Portugal, que vão a caminho dos 250 mil”. “Falou-se dessa realidade que faz a força da relação luso-brasileira. Não é só portugueses a irem para cá”, disse o chefe de Estado. Contudo, sublinhou que "não se falou de problemas internos nem de um Estado nem de outro".

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda o gesto “simbólico e único” da presença do coração de D.Pedro IV no Brasil. “D.Pedro IV quis que o seu coração tivesse o valor simbólico para o futuro ao deixá-lo entregue ao Porto, aos cidadãos do Porto. O que se passou aqui foi um caso excecional, não é nada provável que o coração de D.Pedro IV volte a sair de Portugal e do Porto e para nenhum outro ponto do mundo”, vaticinou.

A história de D. Pedro contada no encontro de 20 minutos

O chefe de Estado português afirmou que aproveitou o encontro com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de cerca de 20 minutos, para contar a história da vida de D. Pedro.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a reunião bilateral, que decorreu no Palácio Itamaraty, em Brasília, "correu muito bem, à medida dos 200 anos de História do Brasil", e não se falou da campanha para a Presidência da República do Brasil.

"Eu aproveitei para contar a história de D. Pedro, a vida de D. Pedro. Isso foi um grande ponto de partida", declarou aos jornalistas.

Depois da reunião com Bolsonaro, o Presidente português visitou no Itamaraty o espaço onde está exposto o coração de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, conservado em formol e guardado numa cápsula de vidro, que foi trazido de Portugal para as comemorações do bicentenário da independência do Brasil.

O Presidente português referiu ainda ter contado a Bolsonaro que D. Pedro "com menos de 35 anos tinha nascido e morrido no mesmo quarto do Palácio de Queluz, atravessado o Atlântico mais de uma vez, sido imperador do Brasil, sido rei de Portugal, vencido uma guerra civil e depois, com o trono nas mãos de sua filha, morrendo de tuberculose, logo a seguir a essa vitória".

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, no encontro falou-se sobre "como o Brasil se foi afirmando ao longo dos 200 anos e a projeção hoje".

"E falei obviamente, tinha de falar, do peso dos brasileiros em Portugal, que vão a caminho dos 250 mil – o que, para 10 milhões de habitantes, é um peso muito apreciável", acrescentou.

Na sua opinião, essa é a realidade que "faz a força da relação luso-brasileira, não é só portugueses a virem para cá, é brasileiros a irem para lá".

Questionado se não conversaram acerca da campanha eleitoral em curso no Brasil, à qual são candidatos entre outros Jair Bolsonaro e Lula da Silva, o chefe de Estado português respondeu: "Não, não se falou. Estava ali um Presidente da República com outro Presidente da República e, portanto, não se ia falar de problemas internos nem de um Estado nem do outro".

Desafiado a comentar o estado da democracia brasileira, Marcelo Rebelo de Sousa recusou: "Eu não vou falar das questões internas do Brasil".

Marcelo Rebelo de Sousa está em Brasília a convite de Bolsonaro para as comemorações do bicentenário da independência do Brasil.

No encontro entre os dois chefes de Estado, que começou com cerca de uma hora de atraso, estiveram também, da parte portuguesa, o secretário de Estado da Cooperação e dos Negócios Estrangeiros, Francisco André, o chefe da Casa Militar do Presidente da República, o vice-almirante Luís Sousa Pereira, a secretária do Conselho de Estado, Rita Magalhães Collaço, e o embaixador de Portugal em Brasília, Luís Faro Ramos.

A delegação brasileira incluía o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, os secretários de Assuntos Estratégicos, Flávio Rocha, e para a Europa, África e Oriente Médio, Kenneth Nóbrega, e o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro.

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