Marcelo apela à banca que faça um "esforçozinho" para "tornar mais atraente a situação para os depositantes portugueses"

3 jun 2023, 12:57

Presidente da República espera por mais números para perceber se será possível reduzir impostos

O Presidente da República apelou este sábado aos bancos que façam um “esforçozinho” para aumentarem as taxas de devolução de depósitos aos portugueses.

Numa altura em que o Governo terminou a série E dos certificados de aforro, anunciado uma nova, que paga menos no imediato, Marcelo Rebelo de Sousa nota o grande investimento neste tipo de aplicação como um sinal de que “os portugueses acham que a banca está a pagar pouco”.

“A banca não pode esperar, tem de fazer um esforçozinho para perceber que se as pessoas apostam em taxas de juro de três vírgula tal por cento é porque recebem na banca um terço. Tem de se fazer um esforçozinho para tornar mais atraente a situação para os depositantes portugueses”, disse aos jornalistas, na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém.

O Presidente da República continuou nas críticas aos bancos, que continuam a não ceder num aumento dos juros sobre os depósitos dos seus clientes: "A banca não pode esperar que tenha sempre uma situação de, quando começa a aparecer uma utilização alternativa em relação aos depósitos, que são mal pagos”, poderem “continuar na mesma porque utilizações alternativas não vão continuar".

“As autoridades públicas tomaram a decisão de suspender a emissão de certificados de aforro para lançar um novo tipo, com uma baixa de juros no imediato”, lembrou, admitindo que esta é uma situação que o “preocupa”.

Foi esta sexta-feira à noite que o Governo anunciou a suspensão da atual série, indicando que a partir de segunda-feira haverá uma nova série de certificados de aforro para subscrever. A série F terá a duração de 15 anos mas a taxa máxima será de 2,5%, inferior aos 3,5% praticados na série anterior, que foi suspensa.

Questionado sobre o desafio do presidente do PSD ao Governo, depois de Luís Montenegro ter sugerido a António Costa uma redução dos impostos, o chefe de Estado prefere aguardar pelo evoluir da situação internacional, esperando que melhor no tempo, e que isso possa dar “perspetivas positivas para os próximos anos”.

“Espero que os grandes números da economia cheguem aos bolsos dos portugueses”, reiterou, assinalando que é necessário esperar para perceber a evolução do crescimento, mas também da inflação, da questão das finanças e da posição do Banco Central Europeu.

Marcelo comenta palavras da PGR

O Presidente da República lamentou que o que “está a funcionar bem na Justiça não seja tão rápido” nos “mega casos criminais ou nalguma justiça administrativa e fiscal”.

Questionado sobre declarações da Procuradora-Geral da República dando conta da falta de meios para concluir o processo “Tutti-Frutti” (sobre uma alegada troca de favores entre PS e PSD no âmbito das autárquicas de 2017), Marcelo Rebelo de Sousa recusou comentar casos específicos.

O Presidente salientou avanços em “alguns domínios” da Justiça, nomeadamente, nas relações entre particulares, em questões não criminais, ou em “não grandes casos criminais, não mega processos”.

“Mas é pena que isso que está a funcionar bem na Justiça não seja tão rápido nesses mega casos criminais ou nalguma justiça administrativa e fiscal”, disse.

Apontando casos em que, “felizmente”, se avançou nos últimos anos, Marcelo apontou os que chegaram a julgamento, como o caso Tancos, outros que avançaram, como o caso Lex, outros que avançaram, mas que, “por razões processuais, não tanto quanto se esperava, mas não por causa da investigação”, como o Marquês/BES.

“Vão avançando. Depois há outros que ficam mais para trás e eu penso que, em geral, é muito importante que os portugueses vejam na Justiça uma realidade com meios de investigação e depois com meios de decisão, de julgamento, porque uma Justiça tardia é uma Justiça injusta”, declarou.

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