Montenegro tem resposta para a inflação: acena com mexidas no IRS e vales alimentares para reformados. “Quem está a merecer ser despachado é o próprio governo”

14 ago, 23:09

Com Passos Coelho na primeira fila, Montenegro não receia o "papão do passismo". A prioridade está em afirmar o PSD como "alternativa" à governação socialista. A começar com um Programa de Emergência Social para responder à subida da inflação, numa tentativa dos sociais-democratas de fazerem as pazes com a classe média e reformados

Vales alimentares para pensionistas ou famílias com baixos rendimentos e mexidas no IRS para a classe média. É desta forma que o novo presidente do PSD, Luís Montenegro, quer ver o Governo a responder à subida da inflação no país.

As medidas fazem parte do Programa de Emergência Social, avaliado em mil milhões de euros, que os sociais-democratas vão apresentar e que querem ver discutido na primeira semana de trabalhos parlamentares, em setembro.

No encerramento da Festa do Pontal, a rentrée política do PSD, Montenegro explicou que um dos eixos deste programa é a criação de um vale alimentar de 40 euros, de setembro a dezembro, para reformados e pensionistas que recebam até 1100 euros. Este apoio estende-se também às famílias com rendimentos inferiores a este patamar.

O líder social-democrata acenou ainda com alterações no quarto, quinto e sexto escalões de IRS, tendo a classe média, com rendimentos entre os 1100 e os 2500 euros mensais, no horizonte. Esta medida, que se aplicaria já na retenção da fonte dos últimos quatro meses de 2022, teria um impacto de 200 milhões de euros, concretizou.

Na lista de propostas, que teriam de receber luz verde por parte da maioria socialista, conta-se também um aumento de 10 euros destinado às crianças que recebem abono de família.

“São medidas transitórias, para quatro meses deste ano, e estão asseguradas por aquilo que é o excedente dos impostos cobrados este ano”, concretizou.

Ao longo do discurso, que durou cerca de 50 minutos, Montenegro acusou o Governo de “empobrecer o país” e de ser a força de resistência às mudanças necessárias em Portugal, recordando os tempos de geringonça em que o PCP e o Bloco de Esquerda funcionaram como “o álibi” dos socialistas para não avançar com reformas estruturais.

“Havia quem pensasse que era importante para o país tirar o PS das mãos do PCP e do Bloco de Esquerda. O que é verdadeiramente importante é nós tirarmos o Governo das mãos do Partido Socialista”, argumentou.

Festa do Pontal regressou, depois de Rui Rio ter colocado em suspenso este formato da rentrée social-democrata (Luís Forra/Lusa)

PSD não quer ser “oposição de casos” (mas aproveitou todos)

No regresso da Festa do Pontal, em Quarteira, Montenegro fez questão de posicionar o PSD como a “alternativa” à governação socialista. O foco está nas eleições legislativas de 2026, de onde Montenegro quer sair como o próximo primeiro-ministro. Até lá, fica a missão: “vamos fazer aquilo que compete aos partidos da oposição: escrutinar a ação do Governo”.

“Não somos uma oposição de casos. Temos é um Governo de casos. E muitos”, atirou o sucessor de Rui Rio. Montenegro passou pelos avanços e recuos do novo aeroporto de Lisboa, pelo estado da Saúde ou pela contratação de Sérgio Figueiredo, antigo diretor de informação da TVI, pelo ministério das Finanças. O caso protagonizado por Medina, classificou, é “anedótico e muito grave”

“No meio de tantos despachos, é caso para dizer que neste governo dos despachos quem está a merecer ser despachado é o próprio governo, é o primeiro-ministro e são os membros do governo”, resumiu.

Passos Coelho fez questão de marcar presença na Festa do Pontal, em Quarteira (Luís Forra/Lusa)

Convidado de peso: Passos Coelho

Se houve nome forte no discurso de Luís Montenegro foi o de Pedro Passos Coelho. “É uma alegria e uma emoção ter-te aqui. Diria mesmo: tu és daqui”, soltou logo no início do discurso, centrando na figura do ex-primeiro-ministro o cumprimento a todos os militantes presentes na rentrée política do PSD.

“E para aqueles que se vão entreter com o papão do passismo, como se isso fosse uma coisa muito medonha, quero dizer que tive e tenho muita honra e orgulho em ter estado ao teu lado e ter contigo vivido um período de recuperação do nosso pais e ter mandado a ‘troika’, que os socialistas trouxeram, para casa. Nunca vou deixar de dizer aquilo que tem de ser dito. Tu foste um grande primeiro-ministro e eu tenho muito orgulho de ter estado contigo nesse período”, agradeceu.

No meio do discurso, havia de regressar a Passos Coelho, enquanto falava da postura de desresponsabilização do executivo de António Costa: “Sempre que havia que assumir alguma responsabilidade em nome do Governo, ele fazia questão de ser ele próprio a assumir essa responsabilidade”.

Pedro Passos Coelho fez questão de passar por Quarteira para mostrar o apoio ao novo presidente social-democrata. "O que quero demonstrar com a minha presença é a minha enorme confiança em como a liderança do PSD estará à altura desse desafio e dessa necessidade [de ter um governo diferente do atual]. Vim, na prática, dar um abraço ao Luís Montenegro, com quem não pude estar na altura da sua eleição”, afirmou à entrada do encontro laranja.

O ex-primeiro-ministro, quando confrontado com o cenário de protagonizar uma corrida presidencial, procurou fugir ao assunto. E deixou uma garantia, para mostrar que não está de regresso à vida política ativa: “A minha vinda cá tem, de certa maneira, um caráter excecional, no sentido em que não é para repetir”.

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