Sporting-Arouca, 1-1 (crónica)

David Marques , Estádio José Alvalade, Lisboa
16 abr 2023, 22:58

Foi mesmo um intervalo da Europa

Arouca. Arouca. Arouca.

Ruben Amorim disse-o minutos depois do jogo de Turim. Para que não houvesse margem para dúvidas sobre quem os jogadores tinham de ter a cabeça, repetiu-o na véspera do encontro da 28.ª jornada.

A Juventus era pretérito e futuro, mas para os jogadores do Sporting foi presente durante boa parte do jogo com o Arouca e isso explica, também em parte, por que razão os leões cederam pontos pela segunda vez na Liga perante aquela que tem sido a equipa mais surpreendente das 18.

Cada vez mais candidata a um lugar europeu, a equipa de Armando Evangelista fez nesta época aquilo que nunca tinha feito aos leões: vencê-la, o que conseguiu na primeira volta; e pontuar em Alvalade.

No intervalo da eliminatória europeia, que Amorim temia que assim fosse encarado o jogo deste domingo, os leões apresentaram com cinco alterações no onze. St. Juste (lesionado) e Edwards (gastroenterite) ficaram de fora e Esgaio, Morita e Gonçalo Inácio começaram no banco.

Nos minutos iniciais, os leões até conseguiram encontrar brechas na organização do conjunto arouquense. Trincão entregou uma bola de golo a Chermiti e Nuno Santos entregou outra que passou entre o ponta de lança e Arthur.

Mas à medida que os minutos se somavam, a organização defensiva imaculada dos visitantes – muitas vezes afundados no terreno e com uma linha de seis – começou a levar quase sempre a melhor sobre o ataque do Sporting mas, mais do que isso, demonstrava capacidade de combate superior, visível na luta pelas segundas bolas e, também, na forma anémica com que as unidades de Ruben Amorim reagiam à perda da bola.

Ainda assim, um penálti pouco depois da meia-hora poderia ter mascarado a crise criativa dos leões mas Arruabarrena adivinhou as intenções de Pote.

Para deixar Alvalade ainda mais intranquilo surgiu o golo do Arouca pouco antes do descanso, quando Antony foi sagaz no aproveitamento de um erro fatal de Diomande.

No regresso do Sporting aos balneários foi bem audível a insatisfação das bancadas sobretudo para com a atitude dos jogadores, capazes de se superiorizarem indiscutivelmente a um grande da Europa, mas nem tanto hoje diante de uma equipa competente, mas claramente inferior, o que nos leva para o tal diagnóstico feito há muito pelo treinador verde e branco: a bipolaridade.

No regresso para a segunda parte, Amorim lançou a primeira cartada: pôs no jogo, Hidemasa Morita, por consenso o melhor em campo do jogo da passada quinta-feira.

O crescimento dos leões foi imediato. Pela qualidade do nipónico e porque a entrada dele permitiu subir Pedro Gonçalves para zonas mais adiantadas. Em poucos minutos, Morita acertou de cabeça na barra, Nuno Santos obrigou Arruabarrena a aplicar-se, Chermiti atirou ao poste esquerdo e o Arouca deixou de conseguir chegar à baliza de Adán em transições.

Aí, os jogadores do Sporting não só já tinham a cabeça no jogo certo e, também importantíssimo, mostravam querer mais do que naqueles primeiros 45 minutos.

Os visitantes limitaram-se em resistir. E resistiram de forma hercúlea, mas também a retirar ritmo ao jogo com paragens sucessivas que deixaram Alvalade em brasa e, também, Ruben Amorim, que acabou expulso.

Em novo penálti, Pote empatou aos 87 minutos ainda com mais 14 minutos pela frente. Os três até aos 90 mais os 11 justamente dados pelo árbitro Vítor Ferreira.

Mas aí os leões já só tinham o coração do lugar da cabeça, o que, por norma, dá o resultado que deu nesta noite: mau.

Depois de Turim, o Sporting volta a ceder pontos na Liga e fica a oito da zona de acesso à Liga dos Campeões. Arouca foi aquilo que Amorim temia que fosse. O intervalo de uma eliminatória europeia.

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