Desp. Chaves-Rio Ave, 0-0 (crónica)

21 jan, 20:26

Para lá do Marão, Jhonatan foi herói e vilão

No jogo 600 do Desp. Chaves na Liga, os flavienses receberam o Rio Ave, em encontro a contar para a 18.ª jornada. Se, por um lado, a turma de Moreno procurava voltar aos golos e aos triunfo, pelo outro, os vilacondenses tentavam vencer num terreno onde sorriram, para o campeonato, por apenas uma ocasião, na época de 1997/98.

Luís Freire – agora o quarto treinador com mais jogos oficiais pelo Rio Ave (102), ultrapassando Pedro Martins, mas ainda longe de Carlos Brito (364) – deixou o jovem médio Tanlongo, emprestado pelo Sporting, no banco de suplentes.

Os flavienses entraram a todo o gás na partida, com ataques lateralizados e conduzidos por Sandro Cruz, à esquerda, e por João Correia, pela direita. Asfixiada desde cedo, a defesa vilacondense aliviava como podia e cedia sucessivos cantos. Numa dessas ocasiões, à passagem do minuto 10, Steven Vitória cabeceou, mas o golo foi negado pelo colega Héctor Hernández, que estava na trajetória do esférico.

A turma de Moreno parecia próxima do golo e comandava a partida, mas os pupilos de Luís Freire encontraram, ao fim de 20 minutos, a estratégia para desacelerar o encontro. De bola no pé, com serenidade – irritando até o adversário – o Rio Ave ensaiou as primeiras jogadas de perigo. Aos 24m, Leo Ruiz, completamente sozinho no coração da área, desviou o esférico, mas apenas conseguiu assustar as hostes da casa.

Todavia, tratou-se de uma toada momentânea, pois, até ao intervalo, o perigo foi somente desenhado pelos anfitriões, que tinham em Héctor Hernández o elemento mais interventivo, ainda que neutralizado por Jhonatan. Assim, o nulo prevalecia no recolher aos balneários.

A perdida de Costinha podia ter custado (muito) caro

Ao intervalo, Luís Freire terá pedido – ou lembrado – da importância de jogar com discernimento para ferir o adversário. Esta adivinha resulta do espelhado em campo no segundo tempo. Paulatinamente, os vilacondenses cresceram no encontro, instalaram-se no meio-campo ofensivo e ameaçaram inaugurar o marcador, aos 67m.

O trabalho hábil de Ruiz pelo meio foi procedido por um cruzamento bem calculado por Fábio Ronaldo, pela esquerda. Contudo, à boca da baliza, Costinha apenas foi capaz de passar, de cabeça, para o guardião adversário. Foi a melhor oportunidade de golo para os vilacondenses.

Galvanizado pelo momento, Luís Freire refrescou a dupla do ataque, lançando Zé Manuel e Aziz, em detrimento de Ruiz e Boateng. Mas, nos minutos que se seguiram, os comandados de Moreno reencontraram a batuta da partida, ainda que, desta feita, com pouca tranquilidade. Os «remates à vista», ou frouxos, sucederam-se.

Já com Tanlongo em campo, o juiz Fábio Melo apontou para a marca de penálti, aos 87m, quando o encontro parecia sem rumo. O árbitro do encontro – e o vídeoárbitro Manuel Mota – entendeu que Miguel Nóbrega, além de cortar a bola, abordou o lance de forma imprudente.

Parecia que, por fim, havia chegado o momento de Héctor Hernández, como costuma acontecer nas séries que nos prendem ao ecrã. Até porque, refira-se, o avançado levava 100 por centro de acerto na marca de grande penalidade (havia convertido três).

Todavia, a capa foi vestida pelo herói entre os postes, Jhonatan de seu nome, «empossado» como capitão do Rio Ave minutos antes, aquando da saída de Guga. Um polvo, um falcão? Ora, muito mais do que isso. O guardião do Rio Ave foi enorme perante Héctor e, de seguida, face à recarga de Steven Vitória.

Reveja, aqui, a história deste jogo.

A pólvora seca dos anfitriões, a inspiração de Jhonatan e a intermitência dos vilacondenses culminou no primeiro empate da 18.ª jornada da Liga. Um ponto não basta à turma de Moreno para sair do fundo da tabela. Os flavienses continuam no último lugar, com 12 pontos, mantendo a distância de quatro para o Rio Ave.

Por sua vez, os vilacondenses atingiram os 16 pontos, segurando com a lanterna rosada – em zona de play-off – e a apenas um ponto do Estoril. Os «canarinhos» visitam o Rio Ave na próxima jornada.

Quanto ao Desp. Chaves, os transmontanos visitam o Sp. Braga.

 

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