Antiga princesa do Qatar disse que ex-marido tinha abusado das filhas. Foi encontrada morta em Marbella

1 jun, 22:00

Kasia Gallanio divorciou-se do príncipe Al-Thani em 2009 e travava uma batalha com o ex-marido, por causa da custódia das filhas, há cerca de dez anos. Autoridades foram alertadas por uma das filhas, que não conseguia falar com a mãe há vários dias

Kasia Gallanio, antiga princesa do Qatar, foi encontrada morta na sua casa de Marbella depois de uma das filhas ter dado o alerta, desde Paris, de que não conseguia contactar a mãe há vários dias, avança o jornal Le Parisien. A ex-mulher do príncipe Al-Thani, tio do emir do Qatar, travava uma batalha pela guarda das filhas depois de ter acusado o príncipe de ter abusado de uma delas.

Segundo o jornal El País, os primeiros dados apontam que morreu de overdose, apesar de ainda não serem conhecidos os resultados da autópsia.

O alerta foi dado por uma das três filhas, menor e a viver em França, que ligou à polícia espanhola a informar que não conseguia falar com a mãe há vários dias. Quando os agentes chegaram ao complexo residencial Playas del Duque, em Puerto Banús, na manhã de domingo, encontraram Gallanio, de 45 anos, sem vida, na cama, sem sinais de violência.

Divórcio conturbado

Gallanio nasceu em Los Angeles, filha de pais polacos. Em 2004, casou em Paris com Abdelaziz bin Khalifa Al-Thani, atualmente com 73 anos, e passou a ser princesa e a terceira mulher do príncipe. No entanto, o casamento chegaria ao fim apenas cinco anos depois. O casal tem três filhas em comum: as gémeas Yasmin e Reem, de 17 anos, e Malak, de 15. 

O divórcio foi conturbado e começou uma dura luta pela guarda das filhas desde 2012, escreve o Le Parisien. Em novembro passado, Gallanio esteve vários meses internada no hospital e pediu para ser alvo de uma perícia psicológica, pedido que a justiça francesa indeferiu a 19 de maio. 

Segundo o jornal, a ex-mulher do sheik acusava-o de ter tido "toques sexuais incestuosos" com uma das filhas. A menina terá denunciado, em abril, que o pai tinha abusado dela quando tinha entre 9 e 15 anos, acusação que Al-Thani nega, mas que levou a Procuradoria de Paris a abrir uma investigação de agressão sexual agravada. Por sua vez, o sheik acusava a ex-mulher de ter problemas mentais e de abusar no consumo de bebidas alcóolicas.

"A minha cliente ficou devastada com esta decisão. Creio que, sobretudo, ficou morta de pena", afirmou Sabrina Boesch, advogada de Gallanio, que se encontra em Espanha com as filhas gémeas, que tiveram de identificar o corpo da mãe.

Yasmin e Reem não falam com o pai, que apenas lhes paga as despesas de "hotéis modestos ou alojamentos de curta duração". Já Malak, de 15 anos, vive com Al-Thani, "alheada do mundo e sem ir à escola", numa casa de cinco mil metros quadrados, na avenida Montaigne de Paris.

Abdelaziz bin Khalifa Al-Thani vive em França desde 1992, ano em que foi obrigado a exilar-se depois de um suposto golpe de Estado contra o líder do Qatar.

"As crianças nunca devem ser usadas como peões"

Ativa nas redes sociais, Kasia Gallanio publicava com regularidade fotos das filhas e das viagens que faziam. Nas últimas publicações que fez no Instagram, a antiga princesa do Qatar elogiou as gémeas pela coragem de darem uma entrevista ao jornal francês. Yasmin e Reem afirmavam estar esperançosas na audiência de março, em que um juiz de assuntos familiares investigava o caso.

As jovens tinham fugido de Paris para a casa da mãe, em Marbella, e desde então não tinham qualquer contacto com o pai.

Já numa publicação datada de 20 de março, Gallanio falava sobre o caso na primeira pessoa, confessando que se tinha debatido se deveria ou não abordar o assunto no Instagram, mas que depois de "receber tantas mensagens de apoio e de pais na mesma situação", decidiu partilhar a sua história.

"Primeiro, um homem nunca deve desrespeitar a mãe das suas crianças e vice-versa. Não interessa o quão furioso, chateado, ciumento ou rancoroso seja o pai dos meus filhos. Estou a fazer o que posso para prover, proteger, amar, criar, alimentar e educar as meninas como ninguém mais fará. Não sou perfeita, mas tento o meu melhor", escreveu Gallanio, numa publicação ilustrada com uma fotografia de um artigo do jornal francês.

A antiga princesa dizia ainda que o ex-marido não pagava "um cêntimo da pensão alimentar há mais de um ano", uma situação a que chamava "uma verdadeira vergonha".

"As crianças NUNCA devem ser usadas como vítimas ou peões quando os pais não se dão bem. O pai dos meus filhos, o príncipe Abdulaziz Khalifa Al-Thani, não paga um cêntimo da pensão alimentar há mais de um ano para me ajudar a sustentar e a criar as nossas filhas. Na minha opinião, isso é ultrajante, injusto, embaraçoso e uma verdadeira vergonha. Não importa em que nível financeiro ou estatuto se esteja, é realmente imoral porque, novamente, as crianças são a vítima. No entanto, é mais humilhante quando se é um príncipe multimilionário do Qatar".

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