Setenta e um anos depois de ter começado o curso, Joyce irá finalmente licenciar-se

CNN , Sara Smart
17 dez 2022, 09:00
Joyce DeFauw

Setenta e um anos depois de se ter matriculado pela primeira vez na faculdade, uma senhora de 90 anos irá finalmente atravessar o palco e receber o seu diploma.

Joyce DeFauw, na altura Joyce Viola Kane, iniciou o seu primeiro ano na Northern Illinois University em 1951 com a intenção de se formar em economia doméstica. No entanto, houve uma mudança de planos após ter conhecido um homem muito especial na igreja que lhe roubou o coração, contou ela à CNN na semana passada.

“Frequentei a escola durante três anos e meio, mas decidi partir depois de o conhecer”, disse ela.

O homem especial era Don Freeman Sr. Os dois casaram-se em 1955, e tiveram três filhos juntos antes de Freeman falecer, deixando-a viúva durante cerca de cinco anos. DeFauw acabou por voltar a casar com o seu segundo falecido marido, Roy DeFauw. Juntos tiveram seis filhos, incluindo dois pares de gémeos. Ao longo dos anos a sua família foi crescendo e agora tem 17 netos e 24 bisnetos.

Alguns anos mais tarde, em 2019, DeFauw voltou a mostrar interesse na educação universitária que deixou para trás.

“Acho que mencionei que estava chateada por não ter terminado a escola e os meus filhos encorajaram-me a voltar”, disse ela. Pouco tempo depois, matriculou-se de novo na Northern Illinois University e começou a ter aulas.

O cartão de estudante de Joyce DeFauw na Universidade do Norte de Illinois em 1951.

Jenna Dooley, uma das 17 netas de DeFauw e uma ex-aluna da NIU, disse à CNN que foi uma questão de “porque não” em vez de “porquê”, quando DeFauw decidiu voltar.

Dooley disse quando era criança visitava a avó na sua quinta, onde DeFauw estava sempre a fazer bolos ou a cozinhar.

Joyce DeFauw foi também professora da catequese. “Ela sempre teve esse amor pelo ensino e pela aprendizagem”, contou Dooley.

“Quando telefonámos para a escola a respeito da sua velha matrícula, ficaram chocados ao saber que estávamos a falar de uma aluna dos anos 50”, disse Dooley.

Mas, desta vez, as coisas foram muito diferentes para a senhora DeFauw.

Em vez de caminhar pelo campus para assistir às aulas, ela fê-lo atrás de um ecrã de computador a partir da sua casa de repouso.

“Foi o meu primeiro computador”, disse DeFauw, “Os meus filhos tiveram de me ensinar a usá-lo”.

À esquerda, uma fotografia de Joyce DeFauw em 1955 durante o seu terceiro ano de faculdade, e, à direita, quando visitou o campus em agosto de 2022.

Dooley contou que foi o seu tio Don, o filho mais velho de DeFauw, que a ajudou a montar o computador, arranjou uma câmara e ensinou-a a mexer no seu e-mail escolar.

Quando a pandemia da caovid-19 começou, em 2020, Joyce estava muito grata pelo seu computador, disse Dooley. “Correu tudo muito bem. O facto de ela já saber utilizar o computador e estar online tornou tudo mais simples”, acrescentou ela.

Ela estava por conta própria durante essa altura e não podia ter visitas, disse Dooley. “Por vezes ela ficava frustrada, mas eu lembrava-a sempre que tudo isto fazia parte do processo”, acrescentou ela.

“Houve alturas em que eu quis desistir, mas não o fiz”, contou DeFauw. “Tive muito apoio da minha família, amigos e da escola”.

A diretora da licenciatura em Estudos Gerais, Judy Santacaterina, foi uma grande ajuda para a velha aluna. Dooley contou que a diretora desempenhou um papel fundamental na vida da sua avó ao ajudá-la a obter o seu diploma. A família está grata por todo o apoio de Santacaterina.

DeFauw teve uma aula por semestre, inclusive durante o Verão. “Ela é muito organizada”, disse Dooley, “Ela tem uma rotina. Ela queria continuar a ter aulas para não perder esse ritmo”.

Três anos mais tarde, Judy irá finalmente vestir o traje e o chapéu académico e receber o diploma da Licenciatura em Estudos Gerais durante este fim-de-semana.

DeFauw sente-se agradecida por ter tido a oportunidade de voltar à escola e obter o seu diploma. “É um prazer terminar algo que começámos”, disse ela.

O seu conselho para aqueles que possam estar numa situação semelhante: “Não desista”, disse ela, “eu sei que pode ser difícil, mas tudo na vida tem os seus altos e baixos”.

“Ela tem um dom para aprender e ensinar, por isso, podermos celebrar esta conquista com tanta alegria é a cereja no topo do bolo!”, disse Dooley.

E.U.A.

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