Morreu José Manuel Espírito Santo, o único da família que pediu desculpa

25 fev 2023, 10:10
Professores voltam a marchar pela escola pública (José Sena Goulão/Lusa)

José Manuel Espírito Santo morreu este sábado aos 77 anos vítima de doença prolongada

“Gostava que as minhas primeiras palavras fossem dirigidas aos clientes, investidores e colaboradores que confiaram na marca Espírito Santo. Embora isso não remedeie as suas perdas e o seu sofrimento, quero dizer que lamento profundamente tudo o que sucedeu“. No dia 16 de dezembro de 2014, José Manuel Espírito Santo foi ao Parlamento, para uma audição na Comissão Parlamentar de Inquérito à falência do BES, e começou… pelo princípio. “Lamento profundamente o que sucedeu. Uma coisa são as responsabilidades individuais, e isso será apurado pelas entidades competentes e eu assumo as minhas. Mas outra coisa é a responsabilidade institucional“. O antigo administrador do BES e líder do Banque Privée Espírito Santo na Suíça morreu este sábado aos 77 anos, vítima de doença prolongada, confirmou o ECO junto de fonte próxima da família.

José Manuel Pinheiro do Espírito Santo Silva nasceu a 2 de maio de 1945, estudou na escola primária, no Colégio Manuel Bernardes e chegou a estar preso em Caxias por causa do 25 de abril. Quadro e administrador do Grupo Espírito Santo, desenvolveu a maior parte do seu percurso profissional em Lausanne, Londres e Lisboa, sempre na área bancária, nomeadamente private banking. José Manuel Espírito Santos Foi um dos promotores da refundação do Grupo Espírito Santo a partir de 1975 e liderou um dos cinco ramos acionistas.

Em 2019, José Manuel Espírito Santo sofreu um AVC que o incapacitou de forma grave e irreversível. Nos últimos oito anos, bateu-se nos tribunais e junto dos reguladores, nos diversos processos que estão em curso sobre a falência do grupo, mas a saúde e o tempo acabaram por lhe negar a possibilidade de manter a estratégia que tinha definido, a de reabilitar o seu nome e da própria família. O seu advogado, Rui Patrício, defende, nomeadamente no Tribunal da Concorrência, que José Manuel Espírito Santo foi um “ator secundário” na falência do BES, “apanhado’ pelos processos, e deveria ser absolvido das condenações do Banco de Portugal e CMVM, e chegou a invocar, mais tarde, a sua condição de saúde já muito débil.

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