Jeremy Hunt é o novo ministro das Finanças do Reino Unido

CNN Portugal , com agências
14 out 2022, 14:06

Deputado foi ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de Theresa May e, antes disso, foi ministro da Saúde e da Cultura no governo de David Cameron

Jeremy Hunt foi esta sexta-feira confirmado como ministro das Finanças do governo britânico, sucedendo a Kwasi Kwarteng, que foi afastado inesperadamente após apenas 38 dias no cargo. 

De acordo com o gabinete da primeira-ministra, Liz Truss, Edward Argar vai substituir Chris Philp como secretário de Estado das Finanças, que foi transferido para secretário de Estado do Conselho de Ministros.

Hunt foi ministro dos Negócios Estrangeiros durante um ano no governo de Theresa May e, antes disso, foi ministro da Saúde e da Cultura no governo de David Cameron.

O deputado foi o finalista vencido à liderança em 2019, contra Boris Johnson, e foi derrotado na primeira volta na eleição deste verão, tornando-se dos mais proeminentes apoiantes de Rishi Sunak contra Liz Truss.

A nomeação de Hunt é vista por comentadores políticos como uma forma de a líder dos ’tories’ apaziguar os mercados financeiros e a ala centrista do partido, origem de grande parte das críticas internas dos últimos dias à estratégia económica do executivo.

Cerca de uma hora antes, Kwasi Kwarteng, confirmou ter sido demitido pela primeira-ministra, Liz Truss, após ter regressado antecipadamente de uma visita aos Estados Unidos.

“Pediu-me para eu me demitir, e eu aceitei”, escreve na carta de renúncia, admitindo que “o ambiente económico mudou rapidamente” desde a apresentação do plano de crescimento a 23 de setembro e que é importante o governo enfatizar o compromisso com a disciplina fiscal. 

Por seu lado, Truss escreveu numa carta que lamenta "profundamente" perder Kwasi Kwarteng, culpando os "tempos extraordinariamente difíceis” e agradece “o serviço a este país e a enorme amizade e apoio” do ex-ministro.

Liz Truss invoca "interesse nacional"

A primeira-ministra britânica, Liz Truss, invocou o “interesse nacional” e a necessidade de estabilidade económica no Reino Unido para demitir o ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng. 

“A minha prioridade é garantir a estabilidade económica que o nosso país necessita. Foi por isso que tive de tomar as decisões difíceis que tomei hoje”, explicou numa conferência de imprensa. 

Truss garante que mantém a missão de "elevar os níveis de crescimento económico” do Reino Unido, mas admitiu que, "em última análise, é necessário garantir a estabilidade económica", pelo que teve de "agir no interesse nacional".

A crise política, 38 dias apenas após a entrada em funções do atual Governo, foi provocada por repercussões do chamado "Plano de Crescimento", apresentado em 23 de setembro por Kwarteng no parlamento. 

O plano cumpria alguns cortes fiscais prometidos por Truss durante a campanha eleitoral para a liderança dos ’tories’, juntamente com medidas para congelar os preços da energia, mas a falta de medidas para equilibrar as contas públicas foi mal recebida pelos mercados financeiros. 

Nos dias seguintes, a libra desvalorizou acentuadamente e os juros sobre a dívida britânica subiram, bem como as taxas de juro para o crédito à habitação.

O Banco de Inglaterra foi forçado a intervir no mercado obrigacionista, o que ajudou a estabilizar a libra e a dívida, mas o plano do governo britânico foi criticado pelo FMI devido ao risco de agravar a inflação, e as agências Fitch e Standard and Poor's reduziram de estável para negativo o ‘rating’ do Reino Unido. 

O ministro das Finanças já tinha sido obrigado a antecipar a apresentação do “plano fiscal a médio prazo”, de 23 de novembro para 31 de outubro. 

Porém, vários deputados do Partido Conservador continuaram a pressionar para que fossem anunciadas medidas mais cedo para estabilizar a economia e travar a perda de popularidade nas sondagens. 

Algumas sondagens recentes apontam para uma vantagem do Partido Trabalhista sobre os conservadores superior a 25 pontos percentuais. 

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