“Tretas” sobre fraude eleitoral e um “mayor bêbado” que convenceu o Presidente. 14 frases na comissão que pode condenar Trump na invasão do Capitólio

CNN , Chris Cillizza
14 jun, 11:52
Comissão do 6 de Janeiro nos Estados Unidos

ANÁLISE. Comissão do 6 de Janeiro, data da invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, prossegue com revelações que cercam Donald Trump

As 14 frases mais persuasivas da audiência de hoje da comissão de 6 de Janeiro

Pela segunda vez nos últimos cinco dias, a comissão do 6 de Janeiro reuniu-se publicamente para defender que o ex-presidente Donald Trump sabia que estava a mentir sobre a fraude nas eleições de 2020 - e que ainda assim o fez.

Assisti a toda a audiência e retirei as 14 frases que mais importavam. Elas estão abaixo (por ordem cronológica aproximada).

1. "A equipa jurídica da campanha de Trump sabia que não havia nenhum argumento legítimo... para anular as eleições, e mesmo assim o Presidente Trump avançou com o seu plano para 6 de Janeiro". Liz Cheney, representante do Wyoming do Partido Republicano

 

Cheney, a vice-presidente da comissão, expôs aqui o objetivo não só da audição de hoje, mas também da apresentação mais ampla da comissão: Trump sabia que tinha perdido, foi-lhe dito em dezenas de ocasiões que tinha perdido, e não só se recusou a aceitá-lo, como também impulsionou ativamente teorias de conspiração e outras falsas alegações, que sabia estarem erradas, para agitar as bases do seu partido. Prová-lo é o que está no centro da questão de saber se Trump pode ou deve ser acusado criminalmente pelo Departamento de Justiça.

2. "O Sr. Trump decidiu antes das eleições... que iria alegar elas estavam viciadas". Zoe Lofgren, Representante da Califórnia do Partido Democrata

 

Isto é 100% verdade. Escrevi já em Março de 2019 que "Donald Trump está a lançar as bases para deslegitimar as eleições de 2020", juntando citações do Presidente que o sugeriam. "Quando os Republicanos tinham a maioria, nunca agiram com tanto ódio e desprezo", disse Trump na altura. "Os Democratas estão a tentar ganhar uma eleição em 2020 que sabem que não podem legitimamente ganhar!" Lembrete: isto foi quase 18 meses antes das eleições de 2020.

3. "O presidente da Câmara estava definitivamente embriagado". Jason Miller, antigo conselheiro do Trump

 

Eis o que aprendemos com a audiência de hoje sobre o que foi a noite eleitoral de 2020 na Casa Branca: a) O antigo presidente da Câmara [mayor] de Nova Iorque, Rudy Giuliani, apareceu na Casa Branca a querer falar com Trump b) Giuliani estava, segundo Miller, bêbado c) Giuliani acabou por falar com o Presidente, uma conversa em que ele disse que Trump deveria declarar vitória - o que o Presidente então fez. Incrível. Impressionante.

4. "Não sei se tinha uma visão firme do que ele devia dizer". Ivanka Trump

 

A filha mais velha do antigo Presidente estava - e está - muito clara e cuidadosamente a calibrar a forma como a sua proximidade (ou falta dela) com o seu pai após a eleição é percebida. Ela, mais do que qualquer outra testemunha cujo testemunho vimos na comissão do 6 de Janeiro, fala de forma hesitante (e breve) ao tentar distanciar-se das ações do seu pai sem que ele se aperceba do que ela está a fazer.

5. "A minha recomendação foi dizer que 'os votos ainda estavam a ser contados. É demasiado cedo para dizer, demasiado cedo para fechar a corrida, mas estamos orgulhosos da corrida que fizemos, e achamos que estamos em boa posição". Bill Stepien, antigo gestor de campanha do Trump

 

Stepien, sabendo que havia muitos e muitos votos totalmente legais ainda por contar, aconselhou o Presidente a não declarar vitória na noite das eleições. Em vez disso, Trump seguiu o conselho do alegadamente inebriado Giuliani.

6. "Logo na noite das eleições, o Presidente afirmou que havia uma grande fraude em curso. Isto aconteceu, tanto quanto pude perceber, antes de haver realmente qualquer potencial de olhar para as provas". Bill Barr, Procurador-Geral

 

Barr foi a estrela da segunda audiência pública, deixando claro que não só acreditava que a fraude eleitoral alegada era ridícula, mas também que disse a Trump essa opinião em várias conversas cara-a-cara. Esta citação, em particular, é profundamente condenatória, pois sugere que Trump alegava fraude mesmo antes de qualquer número substancial de votos ter sido contado.

7. "Muito, muito, muito, muito, muito sombrias". Stepien

 

Esta foi a análise de Stepien sobre as hipóteses de Trump ganhar, à medida que a semana após as eleições se prolongava. Acrescentou que tinha dito ao Trump, nessa altura, que a campanha tinha apenas 5-10% de hipóteses de ganhar.

8. "Não me importei de ser considerado parte da Equipa Normal". Stepien

 

Stepien traçou uma linha muito clara entre a "Equipa Normal" - aqueles dentro da campanha que, com o passar do tempo, acreditavam claramente que Trump tinha perdido - e aqueles noutra equipa povoada por gente como Giuliani e advogados como Sidney Powell e John Eastman. O que, bem, uau.

9. "Não é esta a abordagem que eu faria se fosse a si". Jared Kushner

 

Depois de muito conversa e de ter falado com o Presidente sobre a sua opinião de Giuliani, e do esforço para inverter os resultados eleitorais, Kushner acabou por reconhecer que tinha dito isto ao Presidente. Trump, obviamente, ignorou-o e os seus conselhos.

10. "O Departamento não toma partido nas eleições, e o Departamento não é uma extensão da sua equipa jurídica". Barr

 

O Procurador-Geral da República disse isto a Trump numa reunião presencial a 23 de novembro de 2020. Trump, nem nesta conversa nem antes ou depois, parecia compreender que o Departamento de Justiça há muito que era visto como uma organização independente dentro do governo em geral.

11. "Disse-lhe que as coisas que as suas pessoas estavam a dizer ao público eram uma treta". Barr

 

Esta citação veio de uma reunião de 1 de dezembro entre Trump e Barr. Ela seguiu-se a uma história da Associated Press no início do dia, em que Barr dissera: "Até à data, não vimos fraude a uma escala que pudesse ter produzido um resultado diferente nas eleições".

12. "Nunca houve uma indicação de interesses em quais eram os factos reais". Barr

 

Barr contou que, antes das eleições de 2020, sentiu que podia persuadir Trump sobre factos e realidades - mesmo que, na altura, isso demorasse algum tempo e fosse um pouco doloroso para todos os envolvidos. Após as eleições, Barr disse que tudo mudou - que Trump simplesmente não estava interessado em nenhum ponto de vista que não apoiasse as suas alegações de fraude eleitoral sem fundamento. "Depois das eleições, ele não parecia estar a ouvir", disse Barr à comissão do 6 de Janeiro.

13. "As eleições de 2020 não foram à justa". Ben Ginsberg, advogado da campanha dos republicanos

 

Ginsberg esteve intimamente envolvido nas eleições presidenciais de 2000, que se saldaram em apenas mais de 500 votos na Florida. Ele observou durante o seu testemunho de segunda-feira que não havia um estado nem sequer tão próximo em 2020. (A margem mais pequena - de apenas mais de 10.000 - foi no Arizona).

14. "A campanha Trump não construiu o seu caso". Ginsberg

 

Esta é uma afirmação que muitas vezes se perde para trás e para a frente por causa dos processos judiciais trazidos por Trump após as eleições de 2020. Aqui estão os factos: a campanha Trump levou 62 casos a uma variedade de tribunais em todo o país. Perderam 61 desses casos. E o que ganharam não teve qualquer efeito material na votação. (Era para desqualificar uma relativa escassez de votos por correspondência porque os eleitores não tinham confirmado a sua identificação até 9 de novembro).

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