Hospital Curry Cabral faz primeiro transplante hepático com robótica na Europa

Agência Lusa , DCT
22 fev, 11:56
Portugal tem 203.051 pessoas no Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), segundo os dados referentes a janeiro de 2022 disponibilizados pelo Portal da Transparência. (AP Photo/Molly Riley, File)

Em 2023, foram realizadas cerca de 500 intervenções robóticas no Hospital Curry Cabral, uma das sete unidades hospitalares da ULS São José.

O Hospital Curry Cabral realizou a 5 de fevereiro o primeiro transplante hepático com recurso a robótica na Europa a um doente com cirrose hepática, que já está em casa e em “franca recuperação”, anunciou esta quinta-feira a instituição.

“A histórica intervenção cirúrgica” durou nove horas e foi liderada pelo diretor da Cirurgia Geral e da Unidade Hepato‐Bilio‐Pancreática, Hugo Pinto Marques, utilizando um sistema de quarta geração, o da Vinci XI, que é parte do primeiro Centro de Cirurgia Robótica em Portugal.

“O doente, um cidadão português de 51 anos de idade, diagnosticado com cirrose hepática, já teve alta, encontrando-se a convalescer em casa e em franca recuperação”, adianta a Unidade Local de Saúde (ULS) São José, antigo Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC).

O cirurgião Hugo Pinto Marques, que comandou o robot, disse em conferência de imprensa, no Hospital Curry Cabral, que a cirurgia decorreu sem “qualquer problema” e o doente, que recebeu o órgão de um dador falecido, teve alta hospitalar 11 dias após a intervenção.

Segundo o cirurgião, o robot foi utilizado desde o início da intervenção e permitiu, por um lado, a remoção do fígado do doente e a colocação do novo fígado.

Explicou que esta intervenção tradicionalmente é feita por uma abordagem convencional, com uma incisão de grandes dimensões, e demora em média cinco a seis horas, mas pode durar muito mais horas, dependendo da dificuldade do caso.

A cirurgia robótica permite realizar a intervenção com pequenas incisões (entre sete e 10 centímetros), uma das quais tem o tamanho mínimo para remover o órgão doente e para introduzir o novo órgão.

“A grande vantagem é que é uma cirurgia muitíssimo menos agressiva, permite uma mais fácil recuperação, e simultaneamente utiliza este robô, que é um instrumento de grande precisão, com uma visão muito aumentada, com grande detalhe e, portanto, permite realizar com muita segurança as fases mais delicadas da operação”, realçou.

Hugo Pinto Marques contou que o primeiro transplante hepático feito por um robô com um fígado parcial foi na Ásia em 2021 e desde então houve 10 transplantes do género na Coreia do Sul, na Índia e na Arábia Saudita.

O primeiro transplante com fígado inteiro foi feito no hospital de Saint Louis, nos Estados Unidos, em maio de 2021.

O cirurgião sublinhou que a preparação para o transplante hepático no Curry Cabral envolveu longos meses de planeamento e treino das equipas em passos críticos da intervenção.

Realçou que a grande atividade em cirurgia do fígado e, especialmente, o lançamento do programa de cirurgia robótica do fígado em 2019, permitiram adquirir a experiência necessária.

“Este é, não apenas um passo isolado e uma manifestação de técnica, mas é o início de um programa de transplantação por robótica que pode fazer grandes benefícios aos doentes”, avançou o cirurgião, que liderou a equipa constituída por mais dois cirurgiões, um anestesista e três enfermeiros.

O diretor da área de Cirurgia, Luís Campos Pinheiro, disse tratar-se de "um dia muito importante".

"Mas não é um dia importante por ser a primeira transplantação associada ao robô realizada na Europa, não é um dia importante por só haver duas transplantações deste género efetuadas no mundo inteiro, é um dia importante pelos benefícios que esta cirurgia traz para o doente”, sublinhou.

A presidente da ULS São José, Rosa Valente de Matos, acrescentou o Centro de Robótica já realizou 1.500 cirurgias em nove áreas diferentes e, em 2023, realizou 533 transplantes nas várias áreas.

Disse ainda que há dezenas de profissionais de outros hospitais, não só nacionais, a receberem formação neste centro.

“Queremos continuar a desbravar caminho e a inovar na área da robótica e outras [porque] esta é uma forma de atrair e de motivar profissionais para o Serviço Nacional de Saúde e não só. É essencialmente para prestar cuidados de melhor qualidade e de grande inovação à nossa população”, declarou.

Em 2023 foram realizados na ULS São José 118 transplantes hepáticos, sendo que, desde o final de 1992, já foram realizados 2.700.

A cirurgia robótica no SNS foi iniciada no final de 2019 e, em 2023, foi adquirido um segundo sistema, permitindo à ULS ser pioneira na constituição de um Centro de Cirurgia Robótica em Portugal, instalado no Curry Cabral, um dos sete hospitais que constituem a ULS São José.

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