Homens portugueses cuidam mais dos filhos, mas durante pouco tempo e mais para brincar

4 nov, 09:15
Família (Pexels)

REVISTA DE IMPRENSA. Num dia de semana, 40% das mulheres e 21% dos homens com filhos ou netos com menos de 12 anos gastam quatro ou mais horas por dia a cuidar deles. Portugal e Alemanha registam a maior disparidade

O Instituto Europeu da Igualdade de Género (EIGE, na sigla inglesa) realizou um inquérito online para apurar a partilha de tarefas relacionadas com a família e com a casa antes (fevereiro-março de 2020) e durante (junho-julho 2021) a pandemia. De acordo o jornal Público, que consultou os dados, os homens portugueses têm mais predisposição do que a média da União Europeia em passar uma hora por dia com os filhos ou netos, mas, se alargarmos o período temporal, estes são ultrapassados em larga escala pelas mulheres. Por outro lado, se as inquiridas dedicam esse tempo à higiene e alimentação das crianças, os inquiridos optam por brincadeiras e leituras. 

Este inquérito envolveu um total de 42.300 pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 64 anos, formando uma amostra representativa de cada Estado-membro. Uma das primeiras conclusões é de que a pandemia de covid-19 não trouxe uma mudança significativa no que toca à prestação de cuidados. Ou seja, as tarefas relacionadas com crianças e maiores dependentes continuaram a ser exercidas predominantemente por mulheres.

Durante a pandemia, 90% das mulheres e 86% dos homens com filhos ou netos com menos de 12 anos a cargo dedicaram-lhes pelo menos uma hora por dia. Mas este cenário já era assim antes desta crise de saúde pública. O indicador, no que aos homens diz respeito, oscilava entre 17% na Áustria e 92% em Portugal e na Eslováquia.

Em Portugal, 92% dos inquiridos e 97% das inquiridas admitiram passar, pelo menos, uma hora por dia a cuidar dos filhos ou netos pequenos. Um resultado que não surpreende os autores deste estudo. A boa posição é consistente com estudos anteriores.

"Quando se pergunta a homens e mulheres da população adulta em geral (com ou sem filhos/netos) se passam uma hora ou mais todos os dias a cuidar de crianças, idosos ou pessoas com deficiência, a proporção de homens que responde sim é em Portugal 3% superior à média da UE", explicou Blandine Mollard, perita do EIGE. 

Apesar de até aqui os números se apresentarem algo semelhantes entre homens e mulheres, isso muda quando se alarga o tempo. Num dia de semana, 40% das mulheres e 21% dos homens com filhos ou netos com menos de 12 anos gastam quatro ou mais horas por dia a cuidar deles. Portugal e Alemanha registam a maior disparidade (30%). Chipre, Finlândia e Malta a menor: 24%.

"As desigualdades persistem, com as mulheres muito mais propensas a arcar com a alta intensidade de prestação de cuidados às crianças", acrescenta Blandine Mollard. 

Se nos focarmos nos adolescentes entre os 12 e os 18 anos, a disparidade é menor: 20% das mulheres e 14% dos homens da UE dizem despender quatro horas ou mais.

O que se faz durante essas horas que se dedica aos filhos ou netos também faz diferença. O último estudo nacional sobre o uso do tempo, feito por este e outros investigadores em 2015/2016, mostrou que os homens investiam mais nas atividades de natureza lúdica, como ler, brincar, conversar e as mulheres na prestação de cuidados físicos, como dar de comer e dar banho.

Este estudo do EIGE não permite perceber o uso do tempo com esse nível de detalhe. Ainda assim, mostrou que durante a pandemia, período em que o ensino passou muitas vezes a ser ministrado à distância, houve mais mulheres (55%) a assumir mais a responsabilidade pelo apoio escolar do que homens (27%). O mesmo aconteceu em relação à gestão dos horários (55% para 25%).

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