Maio chega com novo aumento na prestação da casa - saiba quanto (e o que se segue nas taxas de juro)

29 abr 2023, 08:00
Habitação (Manuel de Almeida/Lusa)

Há boas notícias dentro das más, mas as prestações vão mesmo aumentar em todos os contratos revistos em maio. Até quando vai apertar a corda?

Novo mês a começar e uma parte maior do ordenado a sair diretamente para o banco. É isto que vai acontecer a milhares de famílias portuguesas, que vão voltar a ver os seus créditos aumentar, algumas delas pela primeira vez, como é o caso de quem fez contratos de crédito à habitação com revisão a 12 meses, a Euribor mais utilizada em Portugal.

Apesar de os mais recentes dados até apontarem subidas menos acentuadas na Euribor a três, seis e 12 meses, o valor da taxa é substancialmente mais elevado que o verificado nas revisões anteriores.

No caso das famílias que contratualizaram empréstimos a um ano até há uma boa notícia dentro da má. Para estas pessoas, cujo mês de maio chega com a primeira revisão "dolorosa", a situação até nem será tão pesada como foi para outras. É que se em abril houve prestações a subirem mais de 300 por mês numa simulação de um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com um spread de 1%, essa mesma simulação fica, em maio, a 298,5 euros. São menos 8,5 euros, o que no fim de um ano ainda significa uma poupança superior a 100 euros. Essa tendência verifica-se, de resto, em todas as simulações feitas a 12 meses, uma vez que, em abril, a subida de quem tinha Euribor a 12 meses foi maior do que aquela que vai acontecer em maio para quem também tem Euribor a 12 meses.

Ainda assim, continuamos a falar em aumentos que vão desde os 49,8 euros por mês até aos tais 298,5 euros mensais.

Nos restantes contratos, quer sejam indexados à Euribor 3 ou 6 meses, também haverá subidas em maio, mas menos expressivas, porque já tinham sentido a subida dos juros em revisões anteriores. Usando o mesmo exemplo de um contrato de 150 mil euros a 30 anos com um spread de 1%, num contrato indexado à Euribor 6 meses, com a revisão de maio, a subida no último ano já chega quase aos 300 euros euros. E num contrato indexado à Euribor 3 meses, a subida no espaço de um ano está a bater nos 280 euros.

Quanto já aumentou e quanto vai subir em abril a prestação da casa

Empréstimo a 30 anos com spread de 1% (dados com médias de Euribor feitas até 26 de abril)

EURIBOR A 3 MESES

  Empréstimo de 25 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 75,37    
Agosto de 2022 80,84 5,47  
Novembro de 2022 97,85 17,01  
Fevereiro de 2023 110,11 12,26  
Maio de 2023 121,82 11,71  
Aumento anual   46,5  
  Empréstimo de 50 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 150,74    
Agosto de 2022 161,67 10,93  
Novembro de 2022 195,69 34,02  
Fevereiro de 2023 220,22 24,53  
Maio de 2023 243,63 23,41  
Aumento anual   92,9  
  Empréstimo de 75 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 226,11    
Agosto de 2022 242,51 16,40  
Novembro de 2022 293,54 51,03  
Fevereiro de 2023 330,33 36,79  
Maio de 2023 365,45 35,12  
Aumento anual   139,3  
  Empréstimo de 100 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 301,48    
Agosto de 2022 323,34 21,86  
Novembro de 2022 391,39 68,05  
Fevereiro de 2023 440,44 49,05  
Maio de 2023 487,27 46,83  
Aumento anual   185,8  
  Empréstimo de 125 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 376,85    
Agosto de 2022 404,18 27,33  
Novembro de 2022 489,23 85,05  
Fevereiro de 2023 550,55 61,32  
Maio de 2023 609,08 58,53  
Aumento anual   232,2  
  Empréstimo de 150 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 452,21    
Agosto de 2022 485,01 32,80  
Novembro de 2022 587,08 102,07  
Fevereiro de 2023 660,66 73,58  
Maio de 2023 730,90 70,24  
Aumento anual   278,7  

EURIBOR A 6 MESES

  Empréstimo de 25 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 76,89    
Novembro de 2022 105,36 28,47  
Maio de 2023 126,69 21,33  
Aumento num ano 49,8  
  Empréstimo de 50 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 153,78    
Novembro de 2022 210,72 56,94  
Maio de 2023 253,37 42,65  
Aumento num ano 99,6  
  Empréstimo de 75 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 230,67    
Novembro de 2022 316,08 85,41  
Maio de 2023 380,06 63,98  
Aumento num ano 149,4  
  Empréstimo de 100 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 307,55    
Novembro de 2022 421,44 113,89  
Maio de 2023 506,74 85,3  
Aumento num ano 199,2  
  Empréstimo de 125 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 384,44    
Novembro de 2022 526,8 142,36  
Maio de 2023 633,43 106,63  
Aumento num ano 249,0  
  Empréstimo de 150 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 461,33    
Novembro de 2022 632,16 170,83  
Maio de 2023 760,12 127,96  
Aumento num ano 298,8  

EURIBOR A 12 MESES

  Empréstimo de 25 mil euros
  Pagava Aumento  
Maio de 2022 80,56    
Maio de 2023 130,31    
Aumento num ano 49,8  
  Empréstimo de 50 mil euros
  Pagava Aumento  
Fevereiro de 2022 161,12    
Fevereiro de 2023 260,61    
Aumento num ano 99,5  
  Empréstimo de 75 mil euros
  Pagava Aumento  
Fevereiro de 2022 241,68    
Fevereiro de 2023 390,92    
Aumento num ano 149,2  
  Empréstimo de 100 mil euros
  Pagava Aumento  
Fevereiro de 2022 322,24    
Fevereiro de 2023 521,23    
Aumento num ano 199,0  
  Empréstimo de 125 mil euros
  Pagava Aumento  
Fevereiro de 2022 402,8    
Fevereiro de 2023 651,53    
Aumento num ano 248,7  
  Empréstimo de 150 mil euros
  Pagava Aumento  
Fevereiro de 2022 483,36    
Fevereiro de 2023 781,84    
Aumento num ano 298,5  

Fim das subidas à vista?

Mesmo que aumentando, as taxas de Euribor parecem começar a revelar uma tendência, sobretudo no caso da referência a 12 meses, cuja subida foi menos significativa pelo terceiro mês consecutivo, limitando-se, desta vez, às centésimas. Indicadores que vão ao encontro das palavras do governador do Banco de Portugal, que em abril afirmou, no Parlamento, que "no mês de fevereiro teremos atingido o pico da Euribor a 12 meses". Será que Mário Centeno tem razão?

Diferente é a situação das taxas a 3 e 6 meses, cujos picos Mário Centeno apontou para o verão de 2023. Tudo isso está, claro, dependente daquilo que o Banco Central Europeu decidir na próxima quinta-feira, dia 4 de maio. Embora ainda não existam dados concretos, a agência Reuters acredita que os decisores devem decidir-se por uma nova subida, mas menor. Ao contrário das seis revisões anteriores, a atualização das taxas de juro de maio devem subir "apenas" 25 pontos percentuais, descendo dos aumentos de 50 pontos percentuais, que têm sido a bitola de Christine Lagarde para controlar a inflação. Uma decisão que não está fechada, até porque depende dos dados finais da inflação em abril.

O presidente da Informação de Mercados Financeiros (IMF) entende que essa subida é inevitável, e que deverá acontecer na casa dos 25 pontos percentuais. Mas não será a última: Filipe Garcia projeta um total de três subidas das taxas de juro, todas de 25 pontos percentuais, até que o BCE altere a sua política monetária.

Já sobre a menor subida a 12 meses, Filipe Garcia vê-a como "coerente com um final de ciclo" de subida na Euribor com o maior prazo, mesmo que as subidas das taxas de juro não devam ficar por 4 de maio. "O ciclo da subida das taxas de juro estará no fim. O facto de as taxas longas [como a de 12 meses] subirem menos é um sintoma de que o aperto por parte do BCE vai terminar. Já tínhamos outros indicadores disso, como os contratos futuros ou as previsões dos especialista, e os comportamentos da Euribor refletem isso", afirma.

Mesmo que não tenhamos atingido o pico, diz o economista, estaremos muito próximo disso, com a Euribor a fixar-se num máximo que não ultrapassará os 4%.

Para já isso não significa uma diminuição das prestações, mas um alívio nos aumentos. "Quem aguentou até aqui vai aguentar daqui para a frente", nota Filipe Garcia, que prevê que os aumentos, mesmo continuando a existir, serão "residuais".

NOTA

O BCE tem três taxas de juro de referência:

- A taxa das principais operações de refinanciamento. A taxa à qual os bancos podem contrair empréstimos junto do BCE pelo prazo de uma semana: está atualmente nos 3,5%, mas esteve fixada em zero entre março de 2016 e julho do ano passado;

- A taxa de depósito, que determina os juros que os bancos recebem pelos depósitos realizados junto do BCE: está atualmente em 3%. Mas entre julho de 2012 e junho de 2013 era de zero. E entre junho de 2013 e julho do ano passado era negativa, obrigando os bancos a pagar pelos depósitos que faziam no BCE;

- E a taxa de cedência de liquidez, que determina o juro a que os bancos pagam quando contraem empréstimos junto do BCE pelo prazo de um dia (overnight). Está atualmente em 3,75%.

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