Países do G7 concordam em pôr um limite ao preço do petróleo russo

CNN , Alex Stambaugh, Julia Horowitz e Michelle Toh
2 set, 16:02
Refinaria alemã (Foto: Sven Kaestner/Associated Press)

As maiores economias ocidentais concordaram, esta sexta-feira, em impor um preço máximo ao petróleo russo, numa tentativa de reduzir a capacidade de Moscovo para financiar a sua guerra na Ucrânia sem aumentar ainda mais a inflação global.

Os Ministros das Finanças dos países do grupo G7 - Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Itália e Reino Unido - disseram que estão dispostos a proibir a prestação de "serviços que permitam o transporte marítimo de petróleo bruto e produtos petrolíferos de origem russa a nível mundial" acima do limite de preços. Isso poderá bloquear as coberturas dos seguro ou o financiamento de transportes de petróleo.

O preço máximo seria fixado por "uma ampla coligação" de países, afirmaram numa declaração conjunta. E entraria em vigor juntamente com o próximo lote de sanções da União Europeia, que incluirá uma proibição das importações de petróleo russo por via marítima a partir de dezembro.

A Rússia já tinha ameaçado retaliar, proibindo as exportações de petróleo para países que aplicam um limite de preços: "Não forneceremos simplesmente petróleo e produtos petrolíferos a tais empresas ou estados que imponham restrições, uma vez que não trabalharemos de forma não competitiva", disse na quinta-feira o vice-primeiro-ministro, Alexander Novak, aos jornalistas, de acordo com a agência noticiosa estatal TASS.

Nos Estados Unidos, a administração Biden tem vindo a pressionar os governos para que introduzam um limite de preços durante meses. O Ocidente já sancionou muitas exportações de energia da Rússia, mas Moscovo continuou a ganhar milhares de milhões de dólares por mês, desviando petróleo para a China e a Ásia.

"O preço máximo foi especificamente concebido para reduzir as receitas russas e a capacidade da Rússia para financiar a sua guerra de agressão, limitando simultaneamente o impacto da Rússia na guerra nos preços globais da energia, particularmente para os países de rendimento baixo e médio", disseram os ministros das Finanças do G7.

Mas a medida ainda precisa de trabalho e será extremamente complexa de gerir. Resta saber como, quando e por quanto o preço do petróleo russo poderá ser limitado. Precisará também de um apoio internacional mais amplo para ser eficaz.

"[Instamos todos os países que ainda procuram importar petróleo e produtos petrolíferos russos a comprometerem-se a fazê-lo apenas a preços iguais ou inferiores ao limite de preço", disseram os ministros das Finanças.

Desde o início de julho, os preços do petróleo caíram cerca de 18%, antecipando que a recessão irá reduzir a procura, mas ainda estão cerca de 20% mais altos do que há um ano.

"Embora tenhamos visto os preços da energia baixar nos Estados Unidos, os custos da energia continuam a ser uma preocupação para os americanos e continuam a ser elevados a nível global", disse a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, num comunicado. "Este limite de preços é uma das ferramentas mais poderosas de que dispomos para combater a inflação e proteger os trabalhadores e empresas nos Estados Unidos e a nível global contra futuros picos de preços causados por perturbações globais".

Novak qualificou as propostas de imposição de restrições como sendo "completamente absurdas" e disse que elas poderiam destruir o mercado mundial do petróleo, informou a TASS.

"Tais tentativas apenas irão desestabilizar a indústria petrolífera, o mercado petrolífero", afirmou.

Os fluxos de petróleo bruto e outros produtos petrolíferos para os Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Japão e Coreia do Sul diminuíram em quase 2,2 milhões de barris por dia desde o início da guerra na Ucrânia, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Mas dois terços deste declínio foram reencaminhados para outros mercados, ajudando a encher os cofres de Moscovo. As receitas de exportação em julho foram de cerca de 19 mil milhões de dólares, disse a AIE.

O controlo pela Rússia de grandes faixas do abastecimento global de energia continua a ser um grande desafio, seis meses depois do início da sua invasão da Ucrânia. Esta semana, a Rússia suspendeu temporariamente os fornecimentos de gás natural à região através de um gasoduto vital e cortou todos os fornecimentos a um serviço público francês, exacerbando problemas que aceleraram a inflação europeia para um nível recorde de 9%.

O gigante estatal russo da energia Gazprom disse que o corte nas entregas através do gasoduto Nord Stream 1 se devia a um encerramento planeado para alguns dias para trabalhos de manutenção. O gasoduto deverá reabrir no sábado.

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