Morreu a "dama da morte" de Putin: Olga Kachura, que gostava "de disparar contra ucranianos", atingida por um míssil

5 ago, 20:06
Olga Kachura (Foto via Twitter)

Conhecida como "Korsa", Olga Kachura nasceu na Ucrânia mas, em 2014, juntou-se às forças separatistas pró-russas. Terá chegado a vestir o uniforme de Kiev para cometer crimes de guerra e desacreditar os militares ucranianos. Putin distinguiu-a postumamente como "Heroína da Rússia"

Olga Kachura nascera na Ucrânia há 52 anos mas combatia do lado russo. A sua morte foi anunciada esta quarta-feira por Ivan Prikhodko, autarca de Horlivka, cidade controlada pelos separatistas pró-russos na região de Donetsk: o carro onde Kachura seguia terá sido atingido por um míssil ucraniano numa autoestrada entre as cidades de Horlivka e Yasinovataya.

Vladimir Putin não perdeu tempo e, postumamente, distinguiu a militar - a primeira alta patente russa do sexo feminino a morrer na guerra - com o título de "Heroína da Rússia", tendo sido logo imitado pelo líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, que a declarou heroína da região. 

Apelidada de "a dama da morte" de Vladimir Putin, Olga Kachura trabalhou como inspetora para a polícia de Horlivka antes de desertar para o lado pró-russo em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e incentivou o levantamento separatista na região do Donbass. Mãe de dois filhos, terá sido ferida várias vezes em combate.

"Korsa", como era conhecida, tinha sob o seu comando uma divisão com 140 artilheiros e era coronel nas fileiras do exército da República de Donetsk. Segundo o jornal britânico The Telegraph, Kachura estudou programação para mísseis balísticos e, em janeiro de 2022, um tribunal do Leste da Ucrânia condenou-a a 12 anos de prisão "in absentia" por fazer parte de uma organização terrorista. 

O mesmo jornal recorda que, numa entrevista a uma estação de televisão russa, Kachura admitiu que gostava de lutar contra os compatriotas: "Eu gosto de cada vez que disparo contra ucranianos", terá dito.

Uma semana antes de morrer, a militar separatista deu uma entrevista ao Rossiyskaya Gazeta, jornal estatal russo, insistindo que não estava a lutar contra a Ucrânia. "O que vos fez pensar que estou a lutar contra os ucranianos? Estou a lutar contra a NATO. O território da Ucrânia é um campo de tiro", explicou.

Fonte do Departamento de Comunicação das Forças Armadas da Ucrânia garantiu, porém, que Kachura terá chegado a vestir o uniforme militar ucraniano para cometer crimes de guerra e desacreditar as forças de Kiev.

Segundo a agência russa TASS, a coronel ucraniana foi ontem sepultada em Voroshilovsky, um bairro de Donetsk. Segundo a mesma fonte, o funeral teve de ser interrompido devido a um ataque atribuído à Ucrânia: fonte da autoproclamada República Popular de Donetsk avançou que oito civis, entre os quais uma criança, terão sido mortos no bombardeamento, que causou ainda cinco feridos. Um dos feridos seria um repórter do canal Russia Today (RT), cuja emissão foi proibida na União Europeia ao abrigo das sanções a Moscovo por causa da guerra na Ucrânia. O mesmo ataque atingiu ainda o Donbass Palace, um dos principais hóteis de Donetsk e onde estariam vários jornalistas.

Os que assistiam à cerimónia fúnebre tiveram de procurar refúgio nos abrigos das imediações e o funeral de Kachura viria a realizar-se mais tarde, ainda no mesmo dia. Alexey Kulemzin, autarca separatista de Donetsk, chamou ao ataque de Kiev durante o funeral da "heroína da Rússia" um "ataque terrorista planeado contra civis".

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