Miss Crimeia multada por autoridades russas por cantar canção patriótica ucraniana

CNN , Olga Voitovych
5 out, 10:24
Olga Valeeva Instagram

KIEV. A Miss Crimea 2022, Olga Valeeva, posa nesta selfie no Instagram. Foi multada por cantar uma música com uma amiga, que por sua vez terá de cumprir pena de prisão.

A vencedora do concurso de Miss Crimeia 2022 foi multada em 40 mil rublos russos (cerca de 680 euros) pelas autoridades russas ocupantes por cantar uma canção patriótica ucraniana, de acordo com os meios de comunicação social estatais russos e com as autoridades regionais pró-Rússia.

Olga Valeeva foi poupada a cumprir uma pena de prisão por ter filhos pequenos, informou a agência noticiosa estatal russa TASS. Já uma amiga sua foi condenada a 10 dias de prisão.

“Na Crimeia, ninguém é punido por [cantar ou ouvir] canções ucranianas normais”, disse Oleg Kriuchkov, conselheiro do chefe da administração russa da Crimeia ocupada, na rede social Telegram.

“Mas ninguém permitirá que aqui se cantem hinos nacionalistas! Se quiser cantar 'Chervona Kalyna' ou 'O nosso pai é Bandera...' providenciaremos uma plataforma - levar-vos-emos para território neutro a Nikolaev ou Zaporozhzhia. Cantem o que quiserem!”

O que ela cantou: "Chervona Kalyna" é uma canção patriótica ucraniana que se tornou viral nas redes sociais ao longo da invasão russa em grande escala, incluindo uma versão “cover” pelos Pink Floyd. A letra exorta a nação ucraniana a erguer-se e a “brilhar” como uma planta vermelha (“chervona kalyna”) no campo. [As kalynas, conhecida por rosa de gueldres em Portugal, são o símbolo nacional da Ucrânia]

A região ucraniana da Crimeia foi ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.

Um porta-voz do Ministério dos Assuntos Internos da Crimeia disse que identificou um vídeo online no qual “duas raparigas cantavam uma canção que é o hino de batalha de uma organização extremista”.

As duas foram detidas por suspeita de “cometerem ações ilegais destinadas a desacreditar a utilização das Forças Armadas da Federação Russa, bem como de exibirem publicamente símbolos proibidos”, acrescentou a porta-voz. Foram subsequentemente consideradas culpadas por um tribunal, disse o Ministério.

 

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