Congresso: o Chega é agora um partido legal, mas lá fora os carros dos militantes foram vandalizados

27 nov 2021, 02:21

Entre problemas com identificação dos militantes e apelos ao uso da máscara, a noite do IV encontro do Chega, que juntou cerca de 400 delegados do partido, foi longa e com muitos percalços

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A noite desta sexta-feira previa-se fria e assim foi no gigantesco complexo de uma antiga discoteca de Viseu, a mítica The Day After, junto à Estrada Nacional 2. A meteorologia foi a única coisa que correu dentro do previsto nesta primeira noite do IV Congresso do Chega, que acaba domingo.

Carros dos congressistas vandalizados, problemas com identificação dos militantes. A noite do IV encontro do Chega, que juntou cerca de 400 delegados do partido, foi longa e com muitos percalços. E já lá vamos.

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Foram horas de espera até o congresso realmente começar, sendo que a acreditação tinha começado a meio da tarde, às 16:00. A sala principal do complexo ia-se enchendo a conta-gotas ao som do álbum de Eros Ramazzotti, em loop. Mais uma música, mais uns testes de som, mais cinco ou seis cadeiras ocupadas.

O relógio marcava as 20:30, meia hora depois do previsto para o início dos trabalhos, e sem sinal de Ventura. Será que aconteceria em breve? Responderam-nos: "É sempre assim". A espera pelo líder do partido, André Ventura, revelou-se longa e, talvez por isso, antecipada ao pormenor: mesmo que a música de entrada seja a mesma de todas as intervenções  - apoteótica - e o teste de som do púlpito repetido várias vezes - com e sem máscara. E eis que Ventura chega, finalmente, aplaudido de pé pela multidão na sala.

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André Ventura deu início ao congresso com um discurso dedicado em grande parte aos outros partidos. Teceu duras críticas ao PSD - e aos dois candidatos a líderes sociais-democratas - e nem os partidos mais pequenos escaparam à mira de Ventura.

Os delegados pareciam empolgados com Ventura. As frases do líder do Chega acabavam, na maioria das vezes, com um aplauso efusivo dos militantes. Houve uma salva de palmas mais entusiasmada do que as outras. Quando Ventura lamentou a forma como são tratados os ex-combatentes, um dos delegados levantou-se e, identificado com uma boina militar, captou a atenção de todos os presentes, com o próprio líder do partido a apelar a uma ovação. 

Finalizado o discurso, pausa para jantar. E que pausa. A hora de jantar parece ter sido o ponto alto da noite para a maioria dos militantes presentes no conclave. A hora do repasto demorou mais do que o previsto e acabou por atrasar os restantes trabalhos marcados para esta noite em quase duas horas. No restaurante do complexo, os militantes reuniam-se em grupos à volta de mesas redondas. Conversas animadas, ainda que, na terra da vitela de Lafões, o jantar tenha sido bacalhau.

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O auditório ficou vazio e assim permaneceu até que, novamente, acabaria por voltar encher-se a conta-gotas. Durante a (longa) pausa, foram várias as vezes que os trabalhos ameaçavam recomeçar - tamanho o burburinho no púlpito. Afinal, eram alertas aos proprietários das viaturas mal estacionadas na Estrada Nacional 2.

Pelo menos cinco carros de congressistas do Chega foram vandalizados enquanto esperavam pelo líder e durante o discurso de abertura do congresso. A GNR está a investigar. Só perceberam o que tinha acontecido durante o jantar. Passava das 23:00 quando um porta-voz do congresso anunciou, ao microfone, que alguns carros tinham sido vandalizados:

"A GNR está junto das viaturas para vocês apresentarem queixa sobre esta situação extremamente chata que se está a passar. Amanhã deixem o carro no hotel e venham de transporte porque os nossos verdadeiros amigos já sabem que estamos cá e nós temos de ser mais inteligentes do que eles".

Minutos depois, o mesmo porta-voz das más notícias regressara ao púlpito, mas desta vez o apelo era diferente: "Usem a máscara". Alertando para o facto de, no congresso passado, o partido ter sido multado pelo incumprimento das regras sanitárias, a organização do congresso apelou aos militantes presentes no salão para usarem máscaras de proteção contra a covid-19.

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"Não queremos que a comunicação social nos filme sem máscaras", alertou o porta-voz, ironicamente, sem máscara, frente aos jornalistas.

O final da noite ficou ainda marcado por problemas com os cartões de identificação dos delegados, que acabaram por atrasar a ratificação dos atos oficiais. Foi mesmo preciso repetir duas vezes a votação relativa aos atos oficiais dos órgãos nacionais, que contaram com a oposição de cerca de meia dúzia dos 366 delegados presentes.

Já passavam 43 minutos da uma da manhã já de sábado, quando, após a aprovação do ponto 10 da ordem de trabalhos, Tiago Sousa Dias, secretário-geral do Chega, declarou: "Estamos legais".

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