Os perigos que ameaçam os próximos anos: pandemia, economia e crise climática (mas há mais)

CNN , Charles Riley
28 jan, 23:59
Centro de vacinação. Annabelle Chih/NurPhoto/Getty Images

Muitos líderes empresariais, políticos e académicos estão maioritariamente pessimistas quanto à ameaça que a covid-19 representa quando a pandemia entra no terceiro ano. Preocupa-os uma recuperação económica desigual que aprofunde as divisões nas sociedades e entre países.

Mais de 84% dos peritos mundiais inquiridos pelo Fórum Económico Mundial estão preocupados ou apreensivos com as perspetivas para o mundo, segundo o Relatório de Riscos Globais do fórum. Só 12% dos peritos têm uma visão positiva, e só 4% se declararam otimistas.

"A maioria dos participantes... espera que os próximos três anos sejam caracterizados por volatilidade constante e múltiplas surpresas ou trajetórias fraturadas que vão separar vencedores e vencidos relativos", declarou o FEM.

Com apenas metade da população mundial completamente vacinada, o FEM declarou que a desigualdade na vacinação está a criar uma recuperação económica divergente "que arrisca um aprofundamento das desigualdades sociais pré-existentes e das tensões geopolíticas."

Só 11% dos quase 1000 peritos e líderes que responderam ao inquérito do grupo esperam que a recuperação económica global acelere nos próximos três anos. Os países em desenvolvimento, excluindo a China, ficarão ainda mais atrasados em relação às economias desenvolvidas, segundo o inquérito.

Mais de 40% dos peritos e líderes inquiridos pelo FEM vêm do mundo empresarial, enquanto 16% representam governos e 17% provêm da academia. Cerca de 45% vivem na Europa, enquanto 15% provêm da América do Norte e 13% provêm da Ásia.

"As consequências económicas da pandemia agravam-se com os desequilíbrios do mercado de trabalho, com o protecionismo, e com os fossos cada vez maiores em relação às competências digitais e de educação, que se arriscam a dividir o mundo em trajetórias divergentes”, declarou o FEM, que anunciou no mês passado que atrasaria a sua cimeira anual de 2022 em Davos, na Suíça.

Um homem recebe a vacina da AstraZeneca contra o coronavírus em Hanói, a 10 de setembro de 2021.

Olhando ainda mais além, a inação em relação à crise climática foi o maior risco identificado pelos peritos na próxima década, seguido de clima extremo, perda de biodiversidade, erosão da coesão social, crises de subsistência e doenças infeciosas. As crises de dívida também se encontram nos primeiros dez lugares da lista de riscos mais perigosos.

"A crise climática continua a ser a maior ameaça a longo prazo que a humanidade enfrenta", disse Peter Giger, o diretor do grupo de risco do Zurich Insurance Group, que fez uma parceria com o FEM para produzir o relatório. "Não é demasiado tarde para os governos e empresários agirem em relação aos riscos que enfrentam nem para encetarem uma transição inovadora, determinada e [energia] inclusiva que proteja as economias e as pessoas."

Também começam a surgir riscos acima da Terra, segundo o FEM, que declarou que o espaço está a tornar-se cada vez mais militarizado ao mesmo tempo, enquanto os novos operadores comerciais perturbam o tradicional equilíbrio de poder na fronteira desgovernada.

"Uma consequência da aceleração da atividade espacial, um maior risco de colisões que podem levar à proliferação de detritos espaciais e ter impacto nas órbitas que albergam infraestruturas para sistemas fulcrais na Terra, de danificar equipamento espacial valioso ou criar tensões internacionais", declarou o grupo.

O FEM não é a única organização a alertar para os grandes riscos para o ano de 2022.

O Eurasia Group, uma consultora de risco político, disse no início deste mês que a China e os Estados Unidos estão a virar-se para dentro, reduzindo a capacidade de providenciar liderança global e de dar resposta aos desafios. Os analistas da consultora também alertaram para os riscos de uma fraca governança digital, de uma agressão russa, das crescentes tensões em relação às ambições nucleares do Irão e de uma lenta transição para energias mais limpas.

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