No dia em que quebrou o tabu da maioria absoluta, Costa não quis matar a geringonça: "Não podemos, não devemos dizer que morreu de vez"

27 dez 2021, 12:55

Primeiro-ministro assume na CNN Portugal o que ainda não tinha pedido sem subterfúgios semânticos: quer uma maioria absoluta. Mas Costa também não quer matar a geringonça: em plena quadra natalícia, admite a ressurreição dos entendimentos à esquerda (só não se sabe é como uma ressurreição pode conviver com a "maioria absoluta"). Volta a defender que Cabrita saiu no tempo certo e mantém, como já tinha dito há umas semanas, que se demite da liderança do PS se não vencer as eleições legislativas

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Sim, Costa quebrou o tabu: depois de andar semanas a pedir uma maioria "reforçada, estável e duradoura", simplificou - quer é uma maioria absoluta. Fê-lo durante uma entrevista à CNN em que também proclama que a geringonça não está morta porque tem possibilidades de ressurreição. "Não, acho que não podemos, não devemos dizer isso [que a geringonça morreu de vez]. Há algo que primeiro quero registar e que é o seguinte: não lhe davam sequer um ano de vida e a verdade é que esta solução durou quatro anos de uma forma sólida e mais dois de uma forma algo instável com formatos mais variáveis. Mas durou seis anos. Se os portugueses desejarem que haja uma prossecução de um trabalho, então devem votar no PS. O que eu disse no outro dia é que porventura um dia haverá condições para haver entendimentos de novo com o PCP e com o BE mas neste momento manifestamente não há." 

Fica por saber como é que uma eventual maioria absoluta do PS pode acomodar qualquer tentativa de ressurreição da geringonça e também fica por saber como ficaria o atual Governo PS se o Orçamento do Estado tivesse sido aprovado. "Tinha pensado que, depois de concluído o processo orçamental, deveria haver uma remodelação [do Governo]. Não houve aprovação do Orçamento, todo esse calendário se alterou."

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Certo é que sem remodelação Cabrita caiu mesmo. Caiu demasiado tarde? Costa é curto na análise: "Se eu achasse isso [que ele deveria ter saído mais cedo], teria feito essa remodelação". Não achou. Não fez. Porque, diz o próprio, gosta de mexer pouco: "Eu não acho que o país tenha algo  a ganhar com mudanças sucessivas [no Governo] nem acho que se governe bem inventando bodes expiatórios para os problemas que existem. Um dos problemas que o país tem tido é haver em vários ministérios instabilidade permanente e eu orgulho-me bastante de ter tido um Governo bastante estável".

E agora Costa quer, mais do que um Governo estável, um Governo de maioria. É a primeira vez que o assume e aconteceu assim: 

Costa: Aquilo que eu acho que é fundamental para o futuro do país, já que me pergunta, é que haja uma estabilidade para um governo para quatro anos.

CNN: Para uma maioria absoluta. Nunca disse a palavra, mas é a maioria absoluta?

Costa: Vamos lá ver, é preciso que o PS tenha uma maioria que lhe permita governar quatro anos. 

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CNN: Absoluta?

Costa: Sim.


E por que motivo custou tanto dizer "absoluta": a palavra queima? Costa: "Não é uma questão de queimar, maioria é maioria. O que é que é maioria? É metade mais um. Pronto, é isso".

Por tudo isto, Costa mantém que se demite da liderança do PS se não vencer as eleições. "Para mim isso é muito claro. Vamos lá ver: se uma pessoa é primeiro-ministro durante seis anos, se durante seis anos os portugueses têm a oportunidade de acompanhar e avaliar o trabalho, e se ao fim de seis anos não dão confiança ao primeiro-ministro com uma vitória eleitoral, bom, isso é manifestamente um voto de desconfiança dos portugueses no primeiro-ministro e, então, aí eu tenho de tirar as devidas conclusões e demitir-me."

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