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Pneumologista, Fundação Portuguesa do Pulmão

Fumo dos fogos florestais: os riscos para a saúde

14 jul, 12:01

Os fogos florestais são acontecimentos graves com forte impacto no meio ambiente e na saúde respiratória das populações, sobretudo naqueles considerados grupos vulneráveis: crianças, idosos, doentes cardiovasculares e todos aqueles que sofrem de doenças respiratórias não esquecendo os que no terreno combatem os incêndios.

As características dos fumos provenientes de incêndios florestais com as diferentes composições das madeiras e vegetação levam à libertação de diferentes compostos quando queimados enviando para a atmosfera milhões de toneladas de gases com efeito de estufa e logo com repercussão em toda a população. A composição do fumo é dependente do tipo de combustível, teor de humidade, temperatura e duração da combustão, condições do vento ou outros fatores climáticos.

A exposição das populações ao fumo proveniente de incêndios florestais, resultam no aumento do número de entradas nos serviços de urgência hospitalar, devido a doenças do foro respiratório e cardiovascular, e no aumento da mortalidade. O elevado número de compostos gasosos e particulados, é geralmente uma mistura de:

  • Dióxido de carbono;
  • Monóxido de carbono;
  • Vapor de água;
  • Mistura de partículas sólidas e gotículas líquidas suspensas no ar;
  • Hidrocarbonetos e outros produtos químicos orgânicos;
  • Óxidos de azoto;
  • Acroleína;
  • Formaldeído;
  • Minerais.

Os altos níveis de partículas e toxinas podem causar lesões a nível respiratório, cardiovascular e oftalmológico, entre outros e depende da dimensão das mesmas:

  • As partículas com diâmetro superior a 10 micrómetros podem irritar os olhos o nariz e a garganta e geralmente não atingem os pulmões;
  • As partículas com diâmetros inferiores a 10 micrómetros que podem ser inaladas profundamente e desta forma afetar os pulmões e resultar na descompensação de doenças respiratórias pré-existentes (asma, bronquiectasias, DPOC e outras).

Especialmente vulneráveis são os doentes com insuficiência respiratória crónica, pois sendo causa de processos inflamatórios de toda a via aérea (faringe, laringe, traqueia e brônquios), de infeções brônquicas e pulmonares e descompensação de outras doenças.

Os indivíduos saudáveis também eles são afetados e podem necessitar de tratamento médico, a atenção particular dos Bombeiros que combatem estes incêndios, pois podem revelar sintomas do tipo agudo e crónico, devido à exposição frequente e prolongada a concentrações elevadas de poluentes atmosféricos, no desempenho da sua atividade.

O efeito particular da concentração de monóxido de carbono tem efeitos diretos para quem estiver próximo da linha de fogo, podendo resultar desde uma simples dor de cabeça, falta de ar, alterações visuais, irritabilidade, sintomas digestivos, fadiga a alterações no comportamento com confusão e coma e até morte dependendo das concentrações deste gás. O efeito de outras substâncias como o formaldeído e a acroleína causam irritação ocular e respiratória como a exacerbação da asma.

Fatores como a duração da exposição, a idade, a susceptibilidade individual, incluindo a existência de comorbilidades ou doenças pré-existentes têm impacto na saúde individual.

Algumas recomendações:

  • Nos serviços de saúde a necessidade de organizar antecipadamente as respostas face ao possível aumento de doentes com sintomas associados a esta exposição e inalação de fumo;
  • Apoio psicossocial e acima de tudo os grupos vulneráveis por esta situação particular;
  • Envolvimento dos meios de comunicação social com a cobertura dos incêndios transmitindo à população informações e o impacto que estas imagens conseguem na sensibilização;
  • Avaliação e monitorização da qualidade do ar pelas instituições competentes e sua divulgação;
  • Na população, evitar a exposição, mantendo-se dentro de casa, com janelas e portas fechadas, em ambiente fresco, hidratado e a par e toda a informação. Caso tenha ar condicionado ligá-lo no modo de recirculação de ar, o mesmo nos automóveis se tiver que atravessar uma zona de fumo mantenha os vidros fechados e os ventiladores, bem como o ar condicionado no modo de recirculação de ar e assim evita a entrada de ar do exterior

Fonte de Informação: DGS

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