Quem são Pedro Pinho e Alexandre Pinto da Costa, os empresários investigados?

22 nov, 17:58
Alexandre Pinto da Costa e Pedro Pinho
Alexandre Pinto da Costa e Pedro Pinho

O Ministério Público (MP) está a investigar o pagamento de comissões superiores a 20 milhões de euros relacionados com transferências de futebolistas após ter efetuados, numa operação conjunta com a Polícia de Segurança Pública (PSP) 33 buscas em Lisboa e no Porto, entre as quais se inserem a SAD do FC Porto, uma instituição bancária, instalações de sociedades e diversas residências

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O empresário Pedro Pinho foi notícia quando, a 26 de abril, agrediu um operador de câmara da TVI em Moreira de Cónegos, após o jogo Moreirense-FC Porto.

O FC Porto demarcou-se imediatamente destas agressões: “Pedro Pinho não pertence ao FC Porto e não integrava a comitiva do FC Porto em Moreira de Cónegos, não fez a viagem com o FC Porto e não assistiu ao jogo a convite do FC Porto”, declarou Pinto da Costa.

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No entanto o empresário é dado como "próximo" do clube e como uma das pessoas de confiança de Pinto de Costa, que o consulta para tomar algumas decisões. É presença assídua no estádio do Dragão, onde assiste aos jogos junto dos dirigentes.

Filho de um ex-presidente do Rio Ave, Pedro Pinho foi colega de escola de Alexandre Pinto da Costa, filho de Jorge Nuno Pinto da Costa. Estudaram ambos no Colégio Luso-Francês, uma instituição de ensino das Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora.

Os dois amigos foram depois sócios na Energy Soccer, sociedade de mediação, gestão de carreiras e representação de praticantes desportivo - que intermediou, por exemplo, a contratação de Ricardo Quaresma e Rolando.

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Mas em 2016 os sócios seguiram caminhos diferentes. Pinho comprou a parte do filho do presidente do FC Porto e transformou-a na atual PP Sports.

Além desta, Pedro Pinho atua no mercado de transferências através da empresa N1 – Gestão de Carreiras.

Entre 2017 e abril passado, segundo uma notícia do Maisfutebol, Pinho tinha treze negócios com os dragões registados na Federação Portuguesa de Futebol (FPF): sete em nome próprio e as restantes através das empresas PP Sports e N1 - Gestão de Carreiras Desportivas. Apenas um negócio de Pinho não foi feito com este clube mas com o SP Braga.

Na sequências das agressões em Moreira de Cónegos, a Procuradoria-Geral Regional do Porto informou na semana passada que o Ministério Público acusou o empresário Pedro Pinho pela prática de um crime de ofensa à integridade física qualificada, de atentado à liberdade de informação e de dano com violência.

Transferências e comissões

Alexandre Pinto da Costa é o filho mais velho do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa. 

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Em 1994, Alexandre criou com José Veiga a empresa Superfute. A sua atividade consistia na representação de jogadores de futebol, intervindo como intermediária quando estes se transferiam de clube. A empresa tinha na sua carteira futebolistas do nível de Jardel ou Simão.

Mas Jorge Nuno Pinto da Costa não gostou de alguns negócios feitos à sua revelia e acabou por retirar a confiança à Superfute na transferência de Sérgio Conceição, em 1998. A relação com o filho também foi afetada e só recuperaria em 2011, quando Alexandre sofreu uma doença oncológica. Nessa altura, pai e filho reataram a relação após quase dez anos de silêncio.

Alexandre Pinto da Costa voltou a trabalhar com o FC Porto, através da Energy Soccer, empresa de agenciamento de futebolistas de que Pedro Pinho também era sócio.

Em novembro de 2016, as revelações Football Leaks mencionavam o pagamento de comissões da SAD portista à Energy Soccer. O problema é que em pelo menos dois destes negócios, a Energy Soccer terá faturado o clube de origem e o clube de destino, violando a lei. 

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O presidente dos Dragões negou quaisquer comissões ilegais pagas ao seu filho. “Se ele recebeu outras comissões, não foram do FC Porto. Se recebeu foram de outros lados”, garantiu.

Pouco antes destas revelações, em entrevista ao Jornal de Notícias, em abril de  2016, Alexandre Pinto da Costa disse: “Tenho relações institucionais com o FC Porto como tenho com outros clubes. A minha relação é estritamente profissional, de agente que está legalizado. Tenho os meus clientes, que são os jogadores, e não tenho de divulgar quem é a minha carteira de clientes. (…) Todos os dias tenho atletas a quererem assinar comigo e dou-me ao luxo de não trabalhar com todos”, disse.

E garantia: “A minha influência, ou a minha responsabilidade no FC Porto, é zero. Não a tenho, seja nas contratações ou na constituição do plantel".

Na altura, o presidente do FC Porto, também reafirmou a ligação, estritamente profissional entre o FC Porto e o seu filho: “Não me interessa se o empresário é meu filho, primo, genro, amigo ou inimigo .Se o negócio for bom para o FCP, eu faço-o. O que me interessa é negócios com lisura e bons para o FCP."

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Em julho de 2019, por exemplo, ao noticiar a transferência de Luis Diaz para o Porto, o Mais Futebol escrevia: "Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente do FC Porto, deslocou-se à Colômbia e acertou os moldes da contratação com o clube".

Mais recentemente, Pinto da Costa já dizia que o filho se tinha afastado do FC Porto. "Hoje não tem qualquer ligação ao Futebol Clube do Porto a não ser a de associado", garantiu o pai em entrevista à TVI, em outubro de 2020. Atualmente Alexandre é empresário de futebol e não faz negócios com o Porto: "Faz negócios com muitos clubes mas connosco não faz negócios", disse Pinto da Costa. No entanto, nem todos acreditam que isto corresponda exatamente à verdade.

O negócio dos direitos televisivos

Em julho, a TVI noticiou que o Ministério Público está a investigar um negócio feito em 2016 entre o FC Porto e a Portugal Telecom para venda de direitos televisivos. Os dragões venderam os direitos televisivos até 2027 à então Portugal Telecom, à data presidida por Paulo Neves, por 457 milhões de euros.

Em causa está o pagamento de uma comissão de 20 milhões de euros à empresa que mediou o negócio, a BM Consulting, do empresário desportivo Bruno Macedo, um dos arguidos na operação Cartão Vermelho.

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Este montante não iria apenas para a conta de Bruno Macedo, tendo sido repartido também pelos empresários Pedro Pinho (10 milhões de euros) e Hernâni Vaz Antunes (cinco milhões de euros).

Fonte judicial disse na altura à TVI que existem suspeitas de que Pedro Pinho tenha entregue parte desta quantia (2,5 milhões de euros) a  Alexandre Pinto da Costa, como contrapartida por ele ter facilitado o negócio.

No centro das suspeitas do Ministério Público está, assim, um triângulo entre Alexandre Pinto da Costa e os empresários Bruno Macedo e Pedro Pinho, que são considerados pela investigação seus testas de ferro para que possa através deles, alegadamente, receber comissões de negócios ligados ao FC Porto. 

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