Villas-Boas e o negócio do Dragão: «A dez dias das eleições, é grave»

18 abr, 20:41

Candidato à presidência do FC Porto admite que «apesar de o parceiro ser bom», a venda de 30 por cento dos direitos económicos a 25 anos é um «indicador de falência operacional»

O candidato à presidência do FC Porto, André Villas-Boas, considerou esta quinta-feira que o acordo anunciado na tarde desta quinta-feira pela SAD do FC Porto, para a venda de 30 por cento dos direitos económicos do Estádio do Dragão nos próximos 25 anos, é, «apesar de o parceiro ser bom», um «indicador de falência operacional».

«Acho que vai em linha com o que temos discutido nestas conversas. Porquê a pressa? A venda de 30 por cento de direitos comerciais do FC Porto custa-nos muito. Porque mais uma vez, apesar de o parceiro ser bom, é um indicador de falência operacional e de encaixe. Ou seja, quando se vende algo que não se tem necessidade de vender, ou se vende por incompetência de exploração desses direitos comerciais, ou por necessidade operacional. Isso custa-nos muito, a aceleração desses processos, sem pôr em causa a qualidade do parceiro. É comum, mas é um sinal que nos preocupa. É mais uma aceleração de processo ao qual esta direção estará de frente», disse André Villas-Boas, ao final desta tarde, à margem da apresentação de Andoni Zubizarreta e de Jorge Costa como homens para a estrutura do futebol do FC Porto, na sua sede de campanha.

«Teremos de conhecer as pessoas quando lá chegarmos, perceber os porquês. Poderiam ou não ter outro valor as receitas comerciais do FC Porto, tivesse outra gestão estado a coordená-las, potenciando-as de outra forma? Quando se vende por inoperância custa e quando se vende a dez dias das eleições, é grave também para os sócios», concluiu Villas-Boas.

A SAD do FC Porto anunciou que chegou a acordo para a venda de 30 por cento dos direitos económicos do Estádio do Dragão nos próximos 25 anos. O anúncio foi feito em comunicado à CMVM.

A compra foi feita pela Ithaka, uma empresa espanhola, com a Key Capital Partners como consultora financeira e estratégica da parceria.

O acordo inclui o espaço corporate, os sponsors, a bilhética, os naming rights do estádio, o Museu e as visitas ao Dragão, bem como organização de eventos.

Villas-Boas respondeu ainda sobre as preocupações que tem sobre o possível incumprimento do fair play financeiro da UEFA, negado no início desta semana pelo FC Porto. O candidato à presidência e antigo treinador deixou reparos e questões ao comunicado da SAD.

«É falso que incumpriu em determinados períodos e não noutros períodos e essa é que é a questão e faltam respostas aí. Estamos muito preocupados, as perguntas são essas. Houve ou não incumprimento, há ou não há uma coima a caminho e há ou não há um perigo de suspensão? Há essas questões e o que nos parece é que poderá haver uma surpresa negativa a caminho, o que é muito grave por parte da direção», disse.

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