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Estoril exige «reação implacável» face à polémica invasão em Chaves

22 abr, 16:56
Chaves-Estoril (Lusa)

Clube considera que deve ser a Liga profissional a dar o exemplo em relação ao valores no futebol

O Estoril emitiu um comunicado esta segunda-feira, dirigido a «todo o futebol português», a dar conta da sua preocupação face aos polémicos acontecimentos ocorridos no embate em Chaves que, depois de uma invasão de campo, protagonizada por adeptos do clube transmontano, resultaram na expulsão de cinco elementos da equipa dos visitantes.

O clube manifesta a convicção que deve ser a Liga profissional a dar o exemplo no que diz respeito aos valores do desporto e fair-play, mas lamenta que o exemplo tenha vindo dos distritais.

«O futebol profissional deve dar o exemplo ao futebol não profissional sobre quais são as melhores práticas e comportamentos a serem adotados, e não o contrário. Este fim-de-semana, numa divisão distrital, um jogador foi agredido por um indivíduo que assistia ao encontro e, apesar de ainda faltar bastante tempo regulamentar, foi tomada a decisão de interromper imediatamente o jogo. Na Liga Betclic aconteceu o mesmo, mas decidiu-se retomar a partida. Uma equipa beneficiou e o agressor foi quem obteve vantagem», lê-se no comunicado assinado pelo presidente Ignacio Beristain.

O Estoril considera «incompreensível e inaceitável» que não se tenha dado o jogo por terminado de forma definitiva. «O Estoril comunicou ao árbitro a situação de insegurança sentida pelos seus jogadores e equipa técnica, solicitando que desse o jogo por concluído, por entender que os atletas já não estavam em condições mentais e anímicas de voltar a competir. Mesmo após a decisão do árbitro de retomar a partida, continuaram os arremessos de objetos para dentro do campo, comprovando que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias».

O clube da Linha também aponta o dedo às forças de segurança e dá mais um exemplo. «As forças de segurança são responsáveis pela segurança do terreno de jogo, mas é o árbitro quem decide sobre o estado anímico dos jogadores, tal como aconteceu recentemente no jogo da Serie A italiana entre Udinese e Roma em abril de 2024, quando o árbitro decidiu suspender definitivamente a partida após um defesa da Roma desmaiar em campo aos 70 minutos de jogo, entendendo que os jogadores não estavam emocionalmente aptos a continuar», acrescenta.

Antes da invasão, o Estoril, que luta para escapar à posição de play-off, estava a vencer por 2-1, mas depois da confusão, já com a equipa reduzida a nove jogadores, o Desp. Chaves acabou por empatar. «Permitir a continuação da partida trouxe um enorme prejuízo desportivo ao Estoril e à competição, representando um sinal errado de que atos de violência podem ser tolerados em campo», destaca ainda o clube.

Neste sentido, o Estoril vai avançar com uma queixa junto do Conselho de Disciplina, «para que seja feita justiça pela defesa dos seus atletas, dos seus elementos, e também pelo melhor interesse do futebol profissional português» e exige uma «reação implacável»

O comunicado na íntegra:

A todo o Futebol Português,

O Estoril Praia é um Clube com valores, orgulhoso de competir na Liga Betclic, um Campeonato moderno, profissional e prestigiado. O Estoril acredita nos valores do desporto, do fair play e da justiça desportiva.

O futebol profissional deve dar o exemplo ao futebol não profissional sobre quais são as melhores práticas e comportamentos a serem adotados, e não o contrário. Este fim-de-semana, numa divisão distrital, um jogador foi agredido por um indivíduo que assistia ao encontro e, apesar de ainda faltar bastante tempo regulamentar, foi tomada a decisão de interromper imediatamente o jogo. Na Liga Betclic aconteceu o mesmo, mas decidiu-se retomar a partida. Uma equipa beneficiou e o agressor foi quem obteve vantagem.

Perante a gravidade dos factos, o Estoril Praia considera incompreensível e inaceitável que não se tenha dado o jogo por terminado de forma definitiva. O Estoril comunicou ao árbitro a situação de insegurança sentida pelos seus jogadores e equipa técnica, solicitando que desse o jogo por concluído, por entender que os atletas já não estavam em condições mentais e anímicas de voltar a competir. Mesmo após a decisão do árbitro de retomar a partida, continuaram os arremessos de objectos para dentro do campo, comprovando que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias. As forças de segurança são responsáveis pela segurança do terreno de jogo, mas é o árbitro quem decide sobre o estado anímico dos jogadores, tal como aconteceu recentemente no jogo da Serie A italiana entre Udinese e Roma em abril de 2024, quando o árbitro decidiu suspender definitivamente a partida após um defesa da Roma desmaiar em campo aos 70 minutos de jogo, entendendo que os jogadores não estavam emocionalmente aptos a continuar. Permitir a continuação da partida trouxe um enorme prejuízo desportivo ao Estoril e à competição, representando um sinal errado de que atos de violência podem ser tolerados em campo.

O Estoril Praia está a tomar medidas legais para que seja feita justiça pela defesa dos seus atletas, dos seus elementos, e também pelo melhor interesse do futebol profissional português. A capacidade de decisão e reação de todos os envolvidos nas competições profissionais tem de ser implacável.

Acima de tudo, o Estoril Praia procura justiça e a defesa do Futebol Profissional em Portugal. O episódio gravíssimo que ocorreu em Chaves é consequência da falta de sensibilidade e de força para serem tomadas as melhores decisões em defesa do espetáculo e da verdade desportiva.

Gostaríamos de agradecer a todos aqueles que demonstraram solidariedade e palavras de apreço para com o Estoril e os nossos jogadores neste momento difícil, não só para nós, mas para todo o futebol português.

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