Um "tesouro" por baixo das termas. Descobertas estátuas de bronze com mais de 2 mil anos na Toscânia

CNN
13 nov, 13:00
Estátuas de bronze descobertas em Itália

Arqueólogos em Itália descobriram mais de duas dúzias de estátuas de bronze muito bem preservadas, que remontam aos tempos da Roma Antiga, em termas na Toscânia, a que os peritos chamam de descoberta sensacional.

As estátuas foram descobertas em San Casciano dei Bagni, uma vila situada numa colina na província de Siena, a cerca de 160 quilómetros a norte de Roma, onde têm sido feitas explorações arqueológicas em ruínas lamacentas de um antigo balneário público desde 2019.

"É uma descoberta muito significativa e excecional", disse Jacopo Tabolli, professor assistente na Universidade para Estrangeiros de Siena, que coordena a escavação, e que falou com a Reuters na terça-feira.

Massimo Osanna, do Ministério da Cultura, considerou-a uma das descobertas mais extraordinárias "na história do antigo Mediterrâneo" e uma das mais importantes desde os Bronzes de Riace, um par gigante de guerreiros da Grécia Antiga, que foram retirados do mar na biqueira da bota de Itália em 1972.

Tabolli disse que as estátuas, que representam Higeia, Apolo e outras divindades greco-romanas, eram usadas para ornamentar um santuário antes de serem submersas em águas termais, numa espécie de ritual, "provavelmente por volta do séc. I a.C.."

"A pessoa faz uma dádiva à água na esperança de que a água lhe dê alguma coisa de volta," disse ele sobre o ritual.

Tempos de conflito

A maioria das estátuas remonta a um período entre o séc. II d.C. e o séc. I a.C., período esse de "grande transformação na antiga Toscânia", já que o poder mudou de mãos, dos Romanos para os Etruscos, disse o Ministério da Cultura em comunicado.

Foi uma "era de grandes conflitos" e "osmose cultural", na qual o santuário do Grande Balneário de San Casciano representava um "oásis de paz único, multicultural e multilingue, rodeado de instabilidade política e guerra," segundo o Ministério.

Uma estátua de bronze com 2300 anos recentemente descoberta aparece no chão, em San Casciano dei Bagni, Itália.

As estátuas estavam cobertas de quase 6000 moedas de ouro, prata e bronze, e as águas quentes e lamacentas de San Casciano ajudaram a preservá-las "quase com a aparência do dia em que foram submersas," disse Tabolli.

O arqueólogo disse que a sua equipa tinha recuperado 24 estátuas grandes e várias estatuetas mais pequenas, e referiu que não era habitual que fossem feitas de bronze, mas sim de terracota.

Tabolli disse que isto indicava que vinham de uma comunidade de elite, como ele lhe chamou, onde os arqueólogos também encontraram "inscrições magníficas em etrusco e latim," mencionando os nomes de famílias locais de influência, acrescentou o Ministério em comunicado.

De acordo com o Ministro da Cultura, Gennaro Sangiuliano, esta "descoberta excecional confirma uma vez mais que a Itália é um país de grandes e únicos tesouros."

O Ministro disse que as estátuas foram levadas para um laboratório de conservação e restauro ali perto, em Grosseto, mas serão colocadas em exposição num novo museu em San Casciano.

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