João Rendeiro diz que "não há lesados no Caso BPP", mas não será bem assim

António Guimarães , com Lusa
23 nov, 17:59

Comissão Liquidatária do banco disse em setembro que seis mil credores têm a receber quase 1,6 milhões de euros. O antigo presidente do banco nega esta versão

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O antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) diz que todos os clientes da instituição receberam o dinheiro investido. João Rendeiro garante também que o Estado português recebeu o empréstimo que concedeu, faltando apenas um "pequeno acerto que vai ser pago".

"É conhecido que os clientes receberam todos o seu dinheiro. Não há lesados no Caso BPP", disse.

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Entretanto, e já esta terça-feira, a associação de clientes lesados pelo BPP considera que a comissão de liquidação do banco não cumpre a ordem imposta pelo tribunal de indicar quanto cada credor tem a receber, dizendo que continua a haver clientes à espera do dinheiro.

Em setembro, a Associação Privado Clientes fez uma manifestação frente à sede da Comissão Liquidatária do BPP, em Lisboa, contra o arrastar do processo de liquidação há 11 anos, acusando a comissão de não prestar a informação a que está obrigada e a exigir pagamentos aos credores, ainda que parciais.

A associação de lesados do BPP afirma ainda que, da consulta do processo, “fica por responder onde está o mapa de rasteio”, que já foi exigido pelo tribunal. O mapa do rateio tem a distribuição dos montantes que os credores têm a receber.

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Em setembro, num anúncio no jornal Expresso, a Comissão Liquidatária disse que há seis mil credores que têm a receber quase 1,6 milhões de euros, dos quais 450 milhões de euros são créditos garantidos (do Estado), 950 milhões de euros de créditos comuns e 200 milhões de euros de créditos subordinados.

Entre os clientes que estão por receber dinheiro estão os designados clientes de retorno absoluto, que através do BPP investiam dinheiro em sociedades, prometendo o banco capital garantido e remuneração (como se fossem depósitos).

Estes clientes recuperaram partes dos investimentos após terem criado um “megafundo” para gerir os seus ativos financeiros e cuja liquidação permitiu devolver-lhes parte do dinheiro. Contudo, segundo a Associação Privado Clientes, dos três mil clientes de retorno absoluto cerca de 300 ainda não receberam todo o valor investido, esperando a sua parte da massa falida.

Há também outros credores com dinheiro a haver, caso de depositantes acima 100 mil euros, assim como clientes que investiram em fundos de investimento e hedge funds.

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O antigo presidente do BPP João Rendeiro, arguido em vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada (o único que transitou em julgado), e está em parte incerta, fugido à justiça.

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