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Sete anos depois, Partido Popular volta a ganhar e Feijóo vai “iniciar diálogo para formar governo de acordo com a vontade dos espanhóis”

Daniela Costa Teixeira | Sofia Santana | Filipe Caetano , atualizado às 00:17 de segunda-feira
23 jul 2023, 19:06

Em Espanha, para se governar é preciso 176 lugares no parlamento, o que quer dizer uma maioria absoluta. Nas eleições gerais, os espanhóis são chamados às urnas para escolherem 350 deputados e 208 senadores.

Três horas depois de terem encerrado as urnas em Espanha continental e nas ilhas Canárias (cujas urnas encerraram às 20:00 de Madrid), o Partido Popular vence as eleições gerais em Espanha, no entanto, nem o PP, nem o PSOE conseguiram maioria por conta própria.

Alberto Núñez Feijóo, líder do partido mais votado, garante que vai “iniciar diálogo para formar governo”, mas sem adiantar com que partidos, não abrindo, porém, a porta ao VOX. A reunião do Conselho Nacional do Partido Popular, onde se irá debater o que vem aí, irá acontecer na segunda-feira.

Com 99% dos votos apurados, o PP ficou à frente nestas eleições gerais espanholas, com 136 assentos parlamentares conquistados, e o PSOE em segundo lugar, com 122. No entanto, Espanha arrisca a ter de ir a uma segunda ronda de votações, caso o PP não consiga um diálogo com outros partidos.

O VOX ficou em terceiro lugar, com 33 lugares no Parlamento, e o Sumar em quarto com 31.

Partido Popular quer formar governo - e apela a Sánchez para que não bloqueie

Alberto Feijóo, líder do Partido Popular, foi o último a reagir aos resultados eleitorais. “Depois de sete anos da nossa última vitória em eleições gerais, o Partido Popular voltou a ganhar”. “Muito orgulho, sinto-me muito orgulhoso de ver tantas pessoas concentradas aqui, na sede nacional do PP”, diz.

“Os espanhóis sabem que deixamos de ser a segunda força com 89 deputados, para sermos o partido mais votado com 136 lugares”, destacando “uma possível maioria absoluta no Senado”. “Nunca antes o PP tinha crescido com tanta intensidade”.

“Amigos, obtivemos um resultado que há pouco mais de um ano e meio parecia impossível”, reconhece, lembrando a “crise intensa” que o partido viveu recentemente. “Conseguimos oito milhões de votos”, mais três milhões do que nas últimas eleições gerais.

“Qual é a nossa obrigação agora? É que não se abra um período de incertezas em Espanha. Foi dada a confiança ao PP e como candidato de do partido mais votado é a minha obrigação abrir o diálogo”, sem mencionar com que partidos o fará. “Vou iniciar diálogo para formar governo de acordo com a vontade dos espanhóis”, assegura.

Feijóo pede ao PSOE que “não bloqueie o governo de Espanha uma vez mais”.

Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular. (AP Photo/Manu Fernandez)

Sánchez em clima de festa. VOX deixa alerta e Sumar quer conversar

Depois de quase todos os partidos terem apelado à “prudência” assim que os primeiros resultados começaram a surgir - e que davam como quase certa a entrada da extrema direita na governação espanhola, numa inédita coligação do VOX com o Partido Popular -, só ao final da noite e com a quase totalidade dos votos contados é que os líderes partidários começaram a fazer declarações formais.

Em clima de festa, mesmo com uma derrota face ao PP, Pedro Sánchez diz que “Espanha foi clara, falhou o bloco regressivo que propôs a revogação total de todos os avanços que fizemos nestes quatro anos”. 

“Mostrámos ao mundo que somos uma democracia forte e limpa, uma grande democracia", atira o atual primeiro-ministro espanhol, salientando o facto de o PSOE ter conseguido, este ano "mais votos, mais assentos e mais percentagem do que em 2019”. 

Pedro Sánchez, do PSOE (EPA)

Yolanda Díaz, destaca o facto de entrar no Congresso com 31 deputados. “Hoje penso que as pessoas vão dormir mais tranquilas”, disse a líder do do Sumar, partido que ficou em quarto lugar nas eleições. Na sede em Madrid, atesta: “Ganhámos. Hoje temos um país melhor”. “A partir de amanhã, temos de continuar a conquistar direitos e estamos empenhados em continuar a fazê-lo. Mais direitos para as mulheres, para as pessoas LGTBI e para os trabalhadores”. 

Díaz adianta que “a partir de amanhã”, vai “começar a falar com todas as forças progressistas” para “garantir o governo em Espanha”.

O presidente do VOX, Santiago Abascal, começou o seu discurso a “felicitar o senhor deputado Feijóo como vencedor das eleições”, mas deixa um recado. “Quero chamar a atenção para uma má notícia para muitos espanhóis: Pedro Sánchez, mesmo que perca as eleições, pode bloquear uma investidura. E, pior ainda, Pedro Sánchez pode até ser investido com o apoio do comunismo, do pró-golpe, do pró-independência e do terrorismo”.

“Temos vindo a alertar ao longo da campanha para o perigo de sondagens claramente manipuladas que levaram alguns a vender a pele do urso antes de ele ser caçado”, atira.

O VOX perdeu 19 deputados nestas eleições, sendo visto como um dos principais derrotados da noite.

O que é preciso para governar em Espanha?

Em Espanha, para se governar é preciso 176 lugares no parlamento, o que quer dizer uma maioria absoluta. Nas eleições gerais, os espanhóis são chamados às urnas para escolherem 350 deputados e 208 senadores.

Espanha foi a votos este domingo, depois de Pedro Sanchéz ter convocado eleições gerais antecipadas, na sequência da derrota do PSOE nas eleições locais de maio. Pedro Sánchez foi o primeiro dos principais candidatos da corrida às eleições legislativas espanholas a exercer o direito de voto - e foi aplaudido na capital espanhola.

O calor extremo e viagens de férias foram fatores dissuasores para muitos espanhóis, que disseram que este era o “pior dia” para umas eleições. E isso foi-se notando ao longo do dia: às 14:00 locais o cenário não era animador: apenas 40% dos eleitores já tinham votado e às 18:00 locais é de 53,07%, abaixo da adesão para as eleições de 2019. Com 97% dos votos contados, a imprensa espanhola diz que a adesão a estas eleições foi de 70,33%.

Em Espanha há 37.469.142 eleitores. Mais de 2,47 milhões de pessoas votaram por correio nas eleições legislativas deste domingo.

Partido Popular reconquista Senado

Com 95,7% dos votos até agora apurado, o Partido Popular conquistou 120 cadeiras no Senado, mais da metade das 208 cadeiras em jogo este domingo, avança o El País, que explica que o Alberto Núñez Feijóo beneficiou do “método de eleição de representantes nesta instituição, onde o sistema de três senadores por lista tende a dar prioridade ao partido mais votado”, podendo chegar aos 142 lugares, quando a maioria é atingida aos 134.

O PSOE consegue 92 lugares no Senado.

 

 

Com Sofia Santana e Filipe Caetano, enviados especiais da CNN Portugal a Espanha.

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