Técnicas endoscópicas avançadas podem evitar cirurgias desnecessárias e reduzir mortes

Agência Lusa , AM
26 out, 10:49
Endoscopia (Getty Images)

Artigo científico publicado por professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto diz ainda que técnicas de endoscopia "permitem uma maior deteção e melhor caracterização das lesões superficiais"

As técnicas endoscópicas avançadas podem evitar cirurgias desnecessárias em doentes com lesões suberificais gastrointestinais e reduzir o número de mortes, conclui um artigo científico publicado por um professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Em comunicado, a FMUP revela esta quarta-feira que o artigo, publicado na revista científica Endoscopy e da autoria de Pedro Pimentel Nunes, é a "nova 'guideline'" da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal sobre a aplicação de técnicas de endoscopia avançada em doentes com lesões suberificais gastrointestinais.

As lesões superficiais gastrointestinais podem ser benignas, mas com potencial maligno ou lesões malignas numa fase inicial, sendo os pólipos do cólon, no intestino, as mais frequentemente encontradas. 

Citado no comunicado, Pedro Pimentel Nunes salienta que as biopsias "podem subestimar o real estadio da doença", enquanto as técnicas de endoscopia avançada, como a cromoendoscopia virtual [técnica que consiste na aplicação de agentes sobre a mucosa digestiva para facilitar e melhorar a qualidade do diagnóstico] ou a dissecção endoscópica da submucosa, "permitem uma maior deteção e melhor caracterização das lesões superficiais". 

"As novas recomendações vão permitir uma orientação mais adequada dos doentes com cancros iniciais, evitando cirurgias desnecessárias, otimizando o tratamento e a vigilância e contribuindo também para uma efetiva redução do número de casos avançados e de mortes", salienta o docente. 

Pedro Pimentel Nunes destaca ainda que como muitas das lesões superficiais gastrointestinais "são já malignas", a técnica de dissecção endoscópica da submucosa permite "remover em bloco e de forma curativa lesões de qualquer tamanho, de forma minimamente invasiva" e "com a mesma segurança das técnicas endoscópicas clássicas, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos doentes quando comparada com a cirurgia". 

A nova 'guideline', acredita o professor, deverá ser "a referência no tratamento e orientação dos doentes com este tipo de lesões", tendo por isso um "impacto significativo na prática clínica" com a melhor seleção dos doentes com tumores iniciais para as diferentes técnicas existentes. 

Simultaneamente, a 'guideline' permitirá "uma melhor orientação dos doentes após tratamento", ao promover uma vigilância adequada, caso sejam detetadas atempadamente novas lesões ou uma recorrência. 

"Uma intervenção eficaz sobre este tipo de lesões diminuirá a incidência de cancros gastrointestinais avançados, estimando-se uma diminuição em mais de 50% na mortalidade por este tipo de cancros, nomeadamente gástricos e colorretais", afirma Pedro Pimentel Nunes, investigador do Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia (CI-IPO) e do RISE – Rede de Investigação em Saúde, laboratório associado dedicado à investigação clínica e de translação em Portugal, 

Em Portugal e na maioria dos países desenvolvidos são já utilizados aparelhos para a realização de técnicas de endoscopia avançada, mas o problema consiste no "preço e na necessidade de treino específico" por parte dos profissionais. 

"Portugal foi pioneiro na introdução desta técnica no tratamento de lesões superficiais gástricas, somos uma referência a nível mundial", nota ainda o docente. 

A atualização das primeiras 'guidelines' sobre esta técnica, de que já Pedro Pimentel Nuno tinha sido o autor, contou com a participação de outros dois docentes da FMUP. 

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